Milanesa atravessa o tempo e segue firme nos cardápios de BH

Em meio a idas e vindas de tendências, alguns preparos seguem intactos. A milanesa é um deles. Presente em diferentes culturas e gerações, o empanado continua encontrando espaço nos cardápios da cidade — não por novidade, mas justamente por não depender dela.

No Gabo, a milanesa entra como parte de uma construção de repertório. Inspirada nas versões portenhas, especialmente as uruguaias, ela aparece menos como referência turística e mais como comida cotidiana. “Faz parte das alternativas mais econômicas por lá. Vi isso ao longo de várias viagens que fiz nos últimos 15 anos”, explica um dos sócios da casa, Augusto Franco. A escolha passa pelo desejo de aproximar Minas de outros territórios do continente a partir de pratos simples, que fazem parte da vida real.

Simplicidade, aqui, não significa descuido. No Gabo, a técnica é precisa: o bife é empanado, frito, descansa por alguns minutos e segue para o forno pré-aquecido. A dupla cocção garante uma casca crocante e seca, sem comprometer a suculência.

Na Cozinha Santo Antônio, a milanesa também nasce de um gesto doméstico. A chef Ju Duarte começou a preparar o prato a pedido do filho e acabou incorporando ao cardápio. Hoje, aparece com frequência e se sustenta no cuidado com o preparo. O empanamento mistura farinha de rosca com panko, leva alho bem picado e parte de uma marinada seca feita na véspera. “A casquinha não pode descolar da carne e tem que ser bem frita para ficar sequinha”, diz. A espessura varia conforme a proposta: mais fina no dia a dia, mais alta quando o prato pede outra presença.

Na A Casa da Agnes, a chef Agnes Farkasvolgyi parte do schnitzel austríaco, mas adapta o preparo ao seu repertório. O panko substitui a farinha tradicional, o acompanhamento se aproxima do galuska e a páprica entra como elemento central. Entre os cuidados, um gesto simples faz diferença: retirar o excesso de farinha para evitar uma casca pesada. Para ela, há uma retomada da técnica associada a uma cozinha mais afetiva, ligada à memória.

A força da milanesa está justamente nessa permanência. Farinha, ovo e pão formam uma base comum a diferentes culturas, acessível e direta. Ao mesmo tempo, o resultado depende de atenção — do corte à fritura, da textura ao ponto.

Sem precisar se reinventar, o prato segue ocupando seu lugar. Em um cenário que muitas vezes busca novidade a qualquer custo, a milanesa lembra que alguns preparos não precisam acompanhar a moda para continuar fazendo sentido.

Gabo

Almoço de terça a sexta-feira a partir das 11h30

Noite de terça a sexta-feira a partir das 18h

Sábado de 12h às 00h 

Avenida Cristóvão Colombo, 336 – Savassi 

@casa.gabo.bh

Cozinha Santo Antônio
Rua São Domingos do Prata, 453 – Santo Antônio, Belo Horizonte
Funcionamento:
Terça a sexta, das 12h às 15h
Sábados, domingos e feriados, das 12h30 às 17h
Quintas e sextas, das 19h às 23h@cozinhasantoantonio

A Casa da Agnes
Rua Paulo Afonso, 833 – Santo Antônio, Belo Horizonte
Almoços: terça a sábado, de 12h às 15h
Eventos fechados para até 60 pessoas
Informações e delivery: (31) 98738-7066
@acasadaagnes