Vídeo-manifesto faz crítica à mercantilização e à exploração da fé
Indignado com a forma como a maioria das igrejas neopentecostais mercantilizam a fé e exploram seus fieis, Cristiano Ayres lança um vídeo-manifesto intitulado Céu, Fel e Fé, no dia 11 de junho, quinta-feira, às 20h, no Complexo 104, na Praça Rui Barbosa, em Belo Horizonte. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos pelo Sympla https://www.sympla.com.br/evento/lancamento-ceu-fel-e-fe-bh/3435951 . No curta, o ator Vino Fragoso dá vida a cinco personagens numa interpretação vigorosa, dinâmica e intensa. Após a exibição, será realizado um bate-papo com o pastor e deputado federal, Henrique Vieira, reconhecido nacionalmente por sua atuação em defesa dos direitos humanos, da justiça social e de uma vivência religiosa comprometida com a dignidade humana. A conversa será mediada pela atriz e apresentadora Giovanna Nader e contará com a participação do pastor Kaka Menezes como convidado especial.
A partir de um texto seu, Cristiano Ayres, que é economista, empresário, apoiador e incentivador de projetos culturais e sociais, criou o roteiro, produziu e dirigiu o curta-metragem Céu, Fel e Fé, onde propõe uma reflexão urgente sobre a mercantilização da fé no Brasil contemporâneo. A obra aborda o crescimento de discursos religiosos que transformam a espiritualidade em mecanismo de exploração financeira através da imposição do dízimo como obrigação absoluta, muitas vezes associada à salvação, à promessa de prosperidade, ou ao medo da punição divina.
Em um país marcado por profundas desigualdades sociais, milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade entregam parte significativa de sua renda movidas pela esperança, pela culpa, ou pelo temor espiritual, enquanto líderes religiosos acumulam fortunas, um enorme poder político e grande influência midiática. O filme busca lançar luz sobre essa estrutura, questionando os limites éticos entre fé, poder e dinheiro, tendo como objetivo defender a espiritualidade de sua captura pelo mercado e denunciar práticas que utilizam a fé como instrumento de controle emocional e econômico. Um cenário que muitas vezes ainda transforma o púlpito em palanques eleitorais. É um convite ao pensamento crítico, ao debate público e à responsabilidade coletiva diante de práticas que atravessam a esfera religiosa e impactam profundamente a vida social brasileira. Em um contexto, no qual lideranças religiosas ampliam rápida e progressivamente sua presença nas estruturas de poder institucional, ocupando o Congresso Nacional e influenciando decisões centrais da vida pública, torna-se indispensável discutir também os privilégios e zonas de opacidade que sustentam esse poder. A histórica isenção tributária concedida às igrejas, somada à ausência de mecanismos rigorosos de auditoria e transparência sobre a origem, a circulação e, principalmente sobre o destino desses recursos bilionários arrecadados em “nome da fé”, impõem à sociedade brasileira uma reflexão urgente sobre os limites entre religiosidade, responsabilidade pública e interesses econômicos travestidos de missão espiritual.
“Céu, Fel e Fé é, acima de tudo, um convite à reflexão. Fé verdadeira não se mede em cifras, não se barganha, não se compra a troco de prosperidade, nem o céu deve ser prometido em troca de transferências bancárias. É chegado o momento de transformar indignação em debate público e exigir que as instituições religiosas prestem contas, não apenas a ‘Deus’, mas também à sociedade”, acrescenta Ayres.
“Quando discursos religiosos passam a ocupar o espaço público não como expressão de convivência plural, mas como instrumento de controle moral, perseguição simbólica e imposição de verdades únicas, o impacto ultrapassa o campo da fé e atinge diretamente a saúde da nossa democracia. Não podemos naturalizar a intolerância, a homofobia e o preconceito contra minorias. Tudo isso corrói silenciosamente os fundamentos de uma sociedade democrática: o direito à diferença, à dignidade e à coexistência. Defender a democracia, neste contexto, também significa defender a liberdade de crença sem permitir que ela seja convertida em mecanismo de exclusão, medo ou violência social”, finaliza Cristiano Ayres.
Vino Fragoso
No curta Céu, Fel e Fé, Vino Fragoso interpreta cinco personagens. Natural de Itaperuna (RJ), o ator construiu uma trajetória artística multifacetada que atravessa teatro, audiovisual, cenografia, direção de arte, performance e produção cultural. Formado em Artes Cênicas pela CAL e em Artes Visuais pelo Instituto Federal Fluminense, o artista atua profissionalmente desde 2009 e vem consolidando um trabalho que dialoga com diferentes linguagens e formatos. No audiovisual, participou da novela “Volta por Cima”, da TV Globo, integrou a quarta temporada de “Arcanjo Renegado”, no Globoplay, interpretando o personagem Polla de Cabra, e esteve na websérie “Alta Sociedade Baixa”, ao lado de nomes como Samantha Schmütz, Tom Cavalcante e Adriane Galisteu. Também participou do videoclipe “Eu Nunca Estou Só”, do Barão Vermelho feat. BK.
No teatro, idealizou o monólogo “DEUS – Um Espetáculo”, em que assina atuação, dramaturgia, direção, figurino, cenografia e produção, reforçando um perfil de artista que transita simultaneamente entre criação dramatúrgica e construção visual de cena. Outro destaque de sua trajetória é “A Pedra Escura”, montagem brasileira dirigida por João Fonseca, em que atuou como ator, cenógrafo, idealizador e tradutor do texto do dramaturgo espanhol Alberto Conejero. Além da atuação, Vino Fragoso possui forte presença na direção de arte e na cenografia de projetos ligados à música, audiovisual e grandes eventos culturais. Já desenvolveu trabalhos para artistas como Luísa Sonza, Karol Conká, Johnny Hooker e Gloria Groove, além de criar projetos para marcas e instituições como Coca-Cola, UOL, Vogue, Americanas e Rock in Rio. A pluralidade de interesses do artista — que atravessa música, performance, artes visuais, tecnologia, experiências sensoriais, carnaval, fotografia e cultura brasileira — aparece também na construção estética de seus trabalhos, sempre marcados pelo diálogo entre corpo, imagem e experimentação.
Cristiano Ayres
Economista, empresário e incentivador de projetos culturais e sociais, Cristiano Ayres vem desenvolvendo uma produção artística voltada para questões sociais, ambientais e políticas. Antes de “Céu, Fel e Fé”, produziu e dirigiu o curta “Terra de Ninguém”, manifesto contra o ecocídio criado a partir de um poema de sua autoria. Também participou da produção do espetáculo “Sinfonia da Alvorada”, obra de Tom Jobim e Vinícius de Moraes composta para a inauguração de Brasília, e apoiou “Música de Protesto Brasileira”, releitura de canções de resistência produzidas durante a ditadura militar. Atualmente, Cristiano Ayres trabalha em um livro de poemas, desenvolve o roteiro do curta “Infância Roubada” e apoia a produção do novo disco de Vitor Santana e João Pires (Coladeira), em gravação em Belo Horizonte.
Participantes do debate
Henrique Vieira
Teólogo, sociólogo, historiador, pastor, professor, ator, escritor e deputado federal pelo Rio de Janeiro, Henrique Vieira é reconhecido nacionalmente por sua atuação em defesa dos direitos humanos, da justiça social e do Estado laico. Vice-líder do Governo na Câmara dos Deputados, integra comissões ligadas à Segurança Pública, Direitos Humanos e Constituição e Justiça.
Também desenvolve intensa produção cultural. Atuou no filme “Marighella”, dirigido por Wagner Moura, participou do álbum “AmarElo”, de Emicida, e é autor de livros como “O Jesus Negro: o grito antirracista da Bíblia”. Em 2024 foi eleito um dos cinco melhores deputados federais pelo voto popular no Prêmio Congresso em Foco.
Kaká Menezes
Teólogo, pastor, cientista político e ativista social, Kaká Menezes é fundador da comunidade Visão Ele Clama, organização dedicada ao acolhimento e recuperação de pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social, que já atendeu mais de 10 mil pessoas desde sua criação, em 2002.
Ex-secretário de Esportes de Contagem e ex-presidente da Rede Sustentabilidade em Minas Gerais, atualmente atua como assessor especial para políticas públicas voltadas à população em situação de rua no município de Contagem, contribuindo para o desenvolvimento do Programa Mãos Dadas. Também é fundador da Igreja das Estações.
Giovanna Nader
Atriz, apresentadora, escritora e comunicadora socioambiental, Giovanna Nader desenvolve projetos que unem arte, cultura e conscientização ambiental. É criadora da plataforma O Tempo Virou, que reúne eventos, documentários, espetáculos e podcasts voltados às questões climáticas. Autora do livro “Com que Roupa?”, lançou em 2024 o espetáculo “És Tu, Brasil?”, que aborda a história política do país sob a perspectiva da crise climática. Formada em Administração com ênfase em Marketing pela ESPM e pós-graduada em Branding pela Universitat Pompeu Fabra, em Barcelona, utiliza a comunicação e a arte como ferramentas para ampliar o debate socioambiental.
Lançamento do curta “Céu, Fel e Fé”
Data: 11 de junho de 2026, quinta-feira, às 20h
Local: Complexo 104 – Praça Rui Barbosa, 104, Centro, Belo Horizonte
Entrada gratuita, com retirada de ingressos pelo Sympla – https://www.sympla.com.br/evento/lancamento-ceu-fel-e-fe-bh/3435951
Após o debate, DJ Gab dará sequência.



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