PBH homenageia Mestre Jonas e consolida políticas de igualdade racial em BH

Reconhecido como patrimônio cultural de Belo Horizonte, o samba ganha protagonismo na programação cultural da cidade em maio. Com a proposta de reconhecer e dar visibilidade às culturas negras, a Agenda RIC movimenta a capital com uma programação diversa e gratuita, espalhada por toda a cidade. A iniciativa integra o Programa Rede de Identidades Culturais (RIC), política permanente de promoção e reparação da igualdade racial desenvolvida pela Secretaria Municipal de Cultura e pela Fundação Municipal de Cultura.

Ao longo do mês, diferentes espaços culturais da cidade recebem atividades que articulam música, cultura popular, memória, formação artística, exposições e sessões de cinema. A programação completa pode ser consultada no Portal Belo Horizonte, onde também está disponível o conteúdo digital Personalidades Negras – Horizontes Imortais, que neste mês homenageia Mestre Jonas (1976-2011), referência das rodas de samba da capital mineira.

A Agenda RIC ocupa intensamente os equipamentos culturais com atividades contínuas e pontuais. Nos centros culturais, a programação reúne oficinas, encontros e apresentações que dialogam com a cultura popular e a formação artística. No Centro Cultural Usina de Cultura, o Festival Bololô (9/5, das 10h às 18h) promove um dia de atividades que conectam arte e memória por meio de uma programação que inclui exposição e roda de conversa. O espaço também mantém oficinas regulares como Arteiras da Alegria e Entre Linhas e Agulhas, que estimulam práticas manuais e criativas. No Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira, o Kinanga Figa de Guiné (9/5, às 10h) valoriza saberes de matriz africana, e o Kizomba Cultural (17/5, às 12h) reúne roda de samba, desfile de moda afro e feira de artesanato, integrando diferentes linguagens culturais. Já o Centro Cultural Vila Fátima desenvolve atividades formativas com o projeto Batuque Pelo Morro – Fica Vivo! Serra, que oferece oficinas de música para jovens, fortalecendo o aprendizado coletivo e a vivência musical Já o Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, recebe o Encontro de Bordadeiras e Artesãs – Festejos na Lagoa (16/5, das 9h às 14h), com uma programação diversificada, incluindo bate-papos com as bordadeiras locais, exposições de trabalhos e uma mostra de bordados coletivos. O evento é realizado em parceria com o Instituto Lumiar. Também permanece em cartaz a exposição “Jogo da Liberdade – A Capoeira em Belo Horizonte, Anos 60, 70 e 80” (terça e domingo, das 9h às 17h). Em diversos outros Centros Culturais, oficinas de capoeira, dança, artesanato e cultura popular reforçam a presença contínua da programação nos territórios.

Nos teatros, a programação destaca espetáculos e ações formativas que dialogam com o samba e suas conexões com outras expressões culturais. No Teatro Raul Belém Machado, a oficina Roda de Carimbó: Carimbó das Minas (8/5, às 20h) com a proposta de apresentar a musicalidade do Carimbó, expressão cultural tradicional do Pará. Outra atração é o espetáculo Memórias do Samba e Seus Ensinamentos (21/5, às 20h) que celebra o samba em sua essência mais profunda, atravessando tempos, territórios e sonoridades. Já o Teatro Marília recebe o espetáculo Afrometáforas: Carne, Sangue, Ancestralidade, de Hugo Martins Silva (12/5, às 19h), que faz uma investigação sobre o trânsito dos símbolos negros na espiralidade do tempo através da dança.

Nos museus, a programação evidencia a dimensão da memória e das narrativas culturais. O Museu Histórico Abílio Barreto mantém em cartaz as exposições Belo Horizonte: fora dos planos e Travessias do Arraial Curral del Rei, que convidam o público a refletir sobre a formação da cidade e seus processos históricos, com visitação de quarta a domingo, das 10h às 18h. No dia 30, às 14h, o MHAB promove uma Roda de Conversa e o lançamento do catálogo da mostra Belo Horizonte: fora dos planos. No Museu da Moda, a exposição Clara Nunes – Eu Sou a Tal Mineira celebra a trajetória da artista e sua relação com a cultura afro-brasileira, destacando sua presença simbólica no imaginário cultural mineiro. A programação nestes museus é realizada em parceria com o Viaduto das Artes. Já o Museu Casa Kubitschek realiza a oficina Um portal, mil oportunidades – Presenças negras na Pampulha (9/5, das 10h30 às 12h), atividade inspirada em um dos elementos integrantes da paisagem da Pampulha, o Portal da Memória – Monumento a Iemanjá, do artista Jorge dos Anjos. Os participantes terão experiências de desenho e colagem inspiradas no portal, além de uma mediação especial sobre a presença negra na Pampulha. O evento é realizado em parceria com o Instituto Lumiar.

No cinema, o Cine Santa Tereza apresenta uma programação que articula audiovisual, memória e protagonismo negro. A mostra “Dia da África: Patrimônio Cinematográfico Africano” (7 a 27 de maio, com sessões às 17h e 19h) reúne uma seleção de filmes restaurados do acervo da Cinemateca Africana do Instituto Francês e do CNC (Centro Nacional do Cinema). São obras de pioneiros da cinematografia africana que evidenciam a força histórica e estética do cinema produzido no continente.

Quelimane – Mostra de Filmes Moçambicanos (8 a 10 de maio, às 19h) amplia esse diálogo, celebrando a cultura e a história de Moçambique no contexto da segunda Década Internacional dos Povos Afrodescendentes. Proposta pelo Casarão das Artes Negras, em parceria com o Estúdio Olhar Artístico e com curadoria da Pós-doutora em antropologia afro-brasileira Rosália Diogo, a mostra destaca produções que abordam questões sociais, culturais e históricas do país africano. Já a Mostra Políticas da Terra (20 e 21/5), reúne obras que resultam de um projeto de ensino, pesquisa e extensão da UFMG. Os filmes exibidos refletem sobre território, ancestralidade, espiritualidade e modos de vida tradicionais, com protagonismo de mestres e mestras desses saberes.

Personalidades Negras | Mestre Jonas

O conteúdo Personalidades Negras – Horizontes Imortais homenageia, em maio, Jonas Henrique de Jesus Moreira, o Mestre Jonas (1976-2011), músico, compositor e articulador cultural fundamental para o fortalecimento do samba em Belo Horizonte. Sua atuação foi decisiva para a criação de espaços de encontro e circulação de composições autorais, como o Samba da Madrugada e o Samba do Compositor, consolidando a cena das rodas de samba na cidade no final dos anos 1990 e início dos 2000.

Mestre Jonas também permanece presente na memória cultural da capital por meio do Concurso de Marchinhas que leva seu nome, mantendo viva sua contribuição para o Carnaval e para a cultura popular belo-horizontina. O conteúdo completo pode ser acessado no Portal da PBH.

Programa Rede de Identidades Culturais

A Agenda RIC integra o Programa Rede de Identidades Culturais (RIC), política permanente da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura voltada à promoção da igualdade racial e ao fortalecimento das culturas de matrizes africanas em Belo Horizonte. A iniciativa foi criada em 2023, a partir das celebrações dos 20 anos da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História da África e das culturas africana e afro-brasileira na educação básica, e dos 15 anos da Lei 11.645/2008, que incluiu a temática indígena no currículo. Em 2026, o programa tem como tema o samba, reconhecido como patrimônio cultural imaterial da cidade, destacando sua relevância histórica e sua presença nos territórios culturais da capital.

Programa Rede de Identidades Culturais (RIC) | Agenda RIC | Maio 2026

Data: até 31 de maio de 2026

Ações com Entrada gratuita

Programação completa disponível no Portal Belo Horizonte