Helvécio Ratton fala sobre resistência e o novo longa “Só Não Posso Dizer o Nome”

Diretor de filmes fundamentais do cinema brasileiro, como Uma Onda no ArBatismo de SangueMenino Maluquinho e Em Nome da Razão, Helvécio Ratton é o convidado do novo episódio do podcast Janela Lateral.

Na conversa com Claudio Carneiro, o cineasta revisita uma trajetória atravessada por política, exílio, memória e criação, ao mesmo tempo em que comenta o novo longa Só Não Posso Dizer o Nome, ainda em fase de finalização.

O filme acompanha a história de uma jovem que decide denunciar o abuso cometido pelo padrasto, mesmo enfrentando a resistência da própria família. Com delicadeza e firmeza, o projeto aborda violência, silêncio e estruturas de poder que atravessam o cotidiano brasileiro.

“É um filme sobre a dificuldade de romper pactos de silêncio. Muitas vezes, a violência se sustenta justamente porque as estruturas ao redor preferem não ver”, afirma Ratton.

Ao longo do episódio, o diretor relembra também os anos de juventude no colégio militar, a militância estudantil, a clandestinidade durante a ditadura e o período de exílio no Chile. É nesse percurso que o cinema surge não apenas como profissão, mas como linguagem e forma de resistência.

Entre os trabalhos revisitados na conversa está Em Nome da Razão, documentário lançado em 1979 sobre o Hospital Colônia de Barbacena, instituição marcada por graves violações de direitos humanos. Considerado um marco do cinema documental brasileiro, o filme ajudou a ampliar o debate sobre a violência manicomial no país.

“Até hoje sinto o cheiro de horror daquele lugar”, relembra Helvécio no episódio.

A conversa passa ainda pela construção de uma filmografia que atravessa diferentes registros, da infância e do humor à denúncia social e ao enfrentamento político, consolidando uma das trajetórias mais importantes do audiovisual produzido em Minas Gerais.

“Fazer cinema em Minas sempre teve relação com insistência e invenção. Talvez por isso exista uma liberdade muito particular na produção daqui”, diz o diretor.

Ao final do episódio, Helvécio reflete também sobre a capacidade do cinema de provocar mudanças concretas e ampliar discussões públicas que atravessam gerações.

Apresentado por Claudio Carneiro, o Janela Lateral investiga a criatividade contemporânea de Minas a partir da experiência de quem produz, reunindo artistas, músicos, escritores, cineastas e criadores em conversas sobre processos, escolhas e percursos.

O episódio com Helvécio Ratton estará disponível a partir de quinta-feira (14/05) nas principais plataformas de streaming.

Janela Lateral
Episódio: Helvécio Ratton: memória, cinema e resistência em Minas Gerais
Disponível a partir de quinta-feira, 14 de maio
Instagram: @suajanelalateral