Três filmes de MINAS entram no Festival Visões Periféricas – 23 a 26/07

Edição de 2026 começa em 23 de julho com produções audiovisuais das periferias brasileiras.

Programação reúne filmes de todas as regiões e evidencia a potência criativa do cinema produzido fora dos grandes centros, por realizadores independentes.

Minas Gerais entra com três curta-metragens, abordando de forma criativa os desafios da mineração, da luta agrária e da infância na comunidade Guarani Kaiowá, em Contagem.

Pioneiro na difusão do cinema nacional produzido fora dos grandes centros, o Festival Visões Periféricas começa em 23 de julho com a exibição de 69 produções selecionadas entre 856 inscrições — número 70% maior do que em 2025. A edição homenageia o projeto Vídeo nas Aldeias e com a exibição do filme Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho. A programação gratuita segue até 26 de julho, reunindo obras das cinco regiões do país, incluindo três de Minas Gerais, que abordam de forma criativa os desafios da mineração, da luta agrária e da infância na comunidade Guarani Kaiowá, em Contagem..

Segundo os curadores Lukas Nascimento, Quézia Lopes, Olinda Tupinambá e Wilq Vicente, nessa edição estão representados 18 estados, destacando-se produções audiovisuais com narrativas ligadas a mulheres, memória, identidades de gênero, culturas de terreiro, apagamentos históricos, vida nas cidades, questões ambientais e precarização do trabalho. Os filmes escolhidos foram divididos em sete mostras, sendo quatro competitivas e três não competitivas. Um júri escolherá uma obra de cada mostra competitiva como vencedora. Haverá também o prêmio de melhor filme eleito pelo júri popular.

Entre as mostras competitivas estão Fronteiras Imaginárias (obras de até 25 minutos produzidas por realizadores independentes); Cinema da Gema (filmes de até 25 minutos produzidos no Estado do Rio de Janeiro); Panorâmica (médias e longas-metragens com duração mínima de 40 minutos); e Visorama (produções de até 15 minutos realizadas em projetos de formação audiovisual no ensino básico, médio ou em iniciativas do terceiro setor). As mostras não competitivas são as seguintes: ICPLAY, com curtas especialmente selecionados para exibição na plataforma Itaú Cultural Play; Informativa, com filmes de longa-metragem; e Visões do Amanhã, que inclui produções voltadas para o público infanto-juvenil. Entre os filmes que podem ser vistos de forma online, além da seleção especial aberta na plataforma da Itaú Cultural Play, de 23 de julho a 6 de agosto, o público terá acesso também à mostra Visorama, disponível no site do festival.

Produções mineiras

De Minas entram três curta-metragens que podem ser vistos de forma online também, no site do festival. “Canto da Terra”, de André Luiz Barcelos e Danilo Vieira, acompanha o dia de um agricultor, raizeiro, homem da luta agrária e filho do cerrado, capturando os sons da natureza. O documentário celebra o encontro de dois mundos: a sabedoria de Seu Pedro, que, aos 73 anos, carrega a memória da luta agrária e traduz em gestos sua devoção à “Mãe Maria Terra”, em conjunto com as batidas de Jack Will, músico que transforma a paisagem em arte.

Em “Lentes Mirins”, crianças da Comunidade Guarani Kaiowá, no bairro Ressaca, em Contagem, registram o mundo com suas próprias lentes, revelando sonhos, cotidianos e resistências. É o olhar da infância sobre sua propria terra, seu bairro, sua gente, seus desafios. O projeto foi realizado através da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com apoio da Prefeitura de Contagem, Ministério da Cultura e Governo Federal.

“Silêncio Elementar” retrata as cicatrizes da mineração em Minas Gerais sob o ponto de vista das memórias de uma infância vivida em meio ao extrativismo e a promessas de progresso nos rastros da devastação. Uma reflexão sob outras formas de habitar o mundo. As filmagens foram feitas em Divinópolis, Itabira, Moeda e Belo Horizonte e a estreia foi no Festival Internacional de Cinema de Rotterdam, na Holanda.

20 anos de transformação do audiovisual periférico

A 19ª edição marca 20 anos de festival, que começou em 2007 e só não ocorreu em 2020 por conta da quarentena da Covid 19. Para Márcio Blanco, idealizador e coordenador geral do evento, ao longo dessas duas décadas o Visões Periféricas acompanhou a consolidação de um cinema que ampliou a diversidade de vozes e narrativas no audiovisual brasileiro. “Quando o festival surgiu, poucas pessoas olhavam para essa produção da periferia. Duas décadas depois, ela ocupa um espaço cada vez mais relevante, ajudando a romper estigmas, revelando a diversidade de olhares sobre questões nacionais e regionais e apresentando novos arranjos estéticos e criativos no audiovisual brasileiro”, diz ele. “Vejo também o interesse pela retomada da narrativa. Depois do consumo fragmentado de conteúdo nas redes sociais, o público jovem volta a valorizar o cinema como espaço de encontro e construção de experiências compartilhadas. O cinema é uma experiencia coletiva de socialização e a narrativa é essa ferramenta de conexão entre as pessoas”, afirma.

Wilq Vicente, um dos curadores, destaca as mudanças nas temáticas apresentadas ao longo do tempo. “Se antes predominavam filmes de denúncia sobre temas urgentes, como violência, racismo, representatividade e território, hoje vemos obras mais elaboradas do ponto de vista narrativo e estético, com crescimento da ficção e mais subjetividade”, afirma. “As questões raciais e sociais continuam presentes, mas são apresentadas de forma mais elaborada, atravessando histórias sobre trabalho, afetos, relações familiares e amor”, diz o curador, autor dos livros “Cinema de periferia: narrativas do século 21” (Editora Funilaria) e “Quebrada? Cinema, vídeo e lutas sociais” (USP). Segundo ele, as produções inscritas mostram também a relevância de políticas públicas de financiamento e apoio, como a Lei Paulo Gustavo e a Lei Aldir Blanc, surgidas durante a pandemia. “Pela primeira vez chegaram ao festival filmes de cidades e estados que nunca haviam participado, e muitos com apoio dessas duas leis”, diz ele

Entre as atividades do festival se destaca também o Visões Lab, laboratório gratuito de desenvolvimento de projetos audiovisuais, dedicado à formação, articulação de mercado e aprimoramento de projetos cinematográficos, a ser realizado entre 21 e 26 de julho de 2026, paralelamente às mostras. O Festival Visões Periféricas é um projeto da Supimpa Produções Artísticas e Culturais, com patrocínio da RioFilme e do Banco Itaú, via Lei Rouanet. A programação completa, incluindo sessões com legendas descritivas e Libras, pode ser conferida no site do evento.

FILMES DE MINAS GERAIS

Canto da Terra
Documentário | 12’ | MG | 2025 | Livre
Direção: André Luiz Barcelos e Danilo Vieira
Sinopse: O filme apresenta o cotidiano de Pedro Eustáquio, o Seu Pedro. Agricultor, raizeiro, homem da luta agrária e filho do cerrado. Vivendo no interior de um assentamento de reforma agrária, Seu Pedro, com seus 73 anos de idade e uma vida inteira dedicada ao campo, carrega nas mãos e nas histórias a memória viva da luta de um pequeno produtor rural. Entre o som dos pássaros na roça e o rufar dos tambores de Jack Will, a própria terra parece apresentar um show. O músico traz à cena o ritmo da natureza, transformando a paisagem em arte. Mais que um retrato íntimo, “Canto da Terra” é um convite a refletir sobre a importância de preservar a cultura e as tradições rurais, reconhecendo o papel essencial dos pequenos produtores na segurança alimentar das cidades. É uma celebração da harmonia entre o homem e a natureza, lembrando que cuidar da terra é, no fundo, cuidar de nós mesmos. A Terra é mãe, guia e música viva.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=hqkzYNemkbo

Lentes mirins
Experimental | 5’ | MG | 2025 | Livre
Direção: Frederico Alves Lopes
Sinopse: Lentes Mirins é o cotidiano das crianças na Comunidade Guarani Kaiowá, em Contagem/MG. Sujeitos que brincam, estudam, trabalham, lutam e se desenvolvem em meio às dificuldades e superações da vida. O curta, filmado pelas próprias crianças, é uma produção experimental, fruto de oficinas fotográficas. As crianças GK, com suas Lentes Mirins, nos ensinam que a terra pertence a quem faz dela viva.

O silêncio elementar
Documentário | 15’ | MG | 2025 | 10 anos
Direção: Mariana de Melo (natural de Divinópolis)
Sinopse: O estado de Minas Gerais é um lugar cuja identidade, história e até mesmo topografia foram muito influenciadas pela indústria minerária. Através de uma abordagem pessoal, O Silêncio Elementar explora o legado da mineração no território onde a diretora nasceu e vive. Entrelaçando imagens documentais, imagens de arquivo e cenas ficcionais, o filme desafia a maneira como olhamos e pensamos sobre a paisagem.

Programação completa: https://www.visoesperifericas.com.br/home

Festival Visões Periféricas 2026
De 23 a 26 de julho de 2026 (presencial e online)
Abertura: 23 de julho, com estreia carioca do filme Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho
Programação completa: www.visoesperifericas.com.br
Ingressos gratuitos, retirada na porta de cada sala de exibição
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