“Guardiãs das Palavras Benditas: Benzedeiras do Jequitinhonha” – até 14/06

Mostra reúne fotografias bordadas, estandartes e aquarelas que homenageiam as benzedeiras do Vale do Jequitinhonha; abertura acontece em 16 de abril, em Cordisburgo

O Museu Casa Guimarães Rosa, em Cordisburgo (MG), inaugurou a exposição temporária “Guardiãs das Palavras Benditas: Benzedeiras do Jequitinhonha”, que apresenta um encontro sensível entre fotografia, bordado e memória, na última quinta-feira (16). A mostra reúne obras do fotógrafo Lori Figueiró e da bordadeira, aquarelista e quilombola Aline Gomez Ruas, em uma homenagem poética às rezadeiras e curandeiras do Vale do Jequitinhonha.

Com 52 fotografias bordadas, além de estandartes e aquarelas, a exposição revela o universo simbólico e afetivo das benzedeiras, mulheres que, por meio de rezas, gestos e saberes transmitidos de geração em geração, preservam práticas ancestrais de cuidado. As imagens foram registradas ao longo do vale formado pelas águas do Rio Jequitinhonha e pelas estradas que levam às casas dessas guardiãs de tradições.

Antes de chegar a Cordisburgo, a mostra foi apresentada em Belo Horizonte, em setembro de 2025, no Centro de Arte Popular (CAP), e agora passa a integrar a programação cultural do Museu Casa Guimarães Rosa, ampliando o diálogo entre arte, memória e cultura popular.

O trabalho fotográfico de Lori Figueiró se destaca pela proximidade com os personagens retratados e pela estética que valoriza expressões, gestos e modos de vida do Vale do Jequitinhonha. Fotografando apenas com uma câmera, sem lentes adicionais, o artista constrói uma narrativa visual marcada pela simplicidade técnica e pela intimidade com as pessoas e os lugares que registra.

As imagens ganham novas camadas de sentido com a intervenção de Aline Gomez Ruas, que borda sobre as fotografias e cria aquarelas inspiradas nas histórias dessas mulheres. Seus fios e cores ampliam o olhar sobre as imagens, transformando-as em territórios de memória, afeto e ancestralidade. O gesto de bordar sobre a fotografia cria um diálogo entre o visível e o invisível, costurando narrativas de vida e espiritualidade.

A exposição integra um acervo de memória em expansão, que reúne mais de duas mil fotografias editadas, centenas de fotografias bordadas, além de registros em áudio e mais de cinco horas de vídeos. Esse conjunto forma um verdadeiro relicário de imagens e vozes dedicado a tornar visível o ofício das benzedeiras e a força cultural do Vale do Jequitinhonha.

Ao reunir arte, espiritualidade e tradição, “Guardiãs das Palavras Benditas: Benzedeiras do Jequitinhonha” convida o público a conhecer histórias de mulheres que transformam palavras em cuidado e gestos em cura , guardiãs de saberes que seguem vivos no território e na memória coletiva. 

Sobre os artistas
Lori Figueiró, natural de Diamantina, é fotógrafo e poeta com vasta obra dedicada à cultura do Vale do Jequitinhonha. Autor de livros como “Cotidianos no Sagrado do Vale”“Mulheres do Vale Substantivo Feminino” e “Benzedeiras do Jequitinhonha” (em parceria com Aline Ruas), ocupa a cadeira 25 da Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha.

Aline Gomez Ruas é bordadeira, aquarelista e benzedeira, mulher quilombola do Arraial dos Crioulos. Herdeira das práticas de sua mãe e avó, desenvolve bordados e projetos que entrelaçam arte, memória e ancestralidade. Em 2021, criou, junto a Lori Figueiró, o projeto “Guardiãs das palavras benditas”, que vem registrando e celebrando a presença das benzedeiras do Vale.

Exposição “Guardiãs das Palavras Benditas: Benzedeiras do Jequitinhonha”
Período de visitação: Até 14/06/2026
Horário de visitação: Ter a dom, das 9h30 às 17h
Local: Museu Casa Guimarães Rosa (Rua Padre João, 744 – Cordisburgo/MG)