Com direção de Pedro Paulo Cava e atuação de Lívia Gaudencio, espetáculo percorre décadas da obra da escritora mineira Adélia Prado
O diretor e dramaturgo Pedro Paulo Cava retorna com “Dona Doida”, espetáculo solo protagonizado pela atriz Lívia Gaudencio. A curta temporada acontece de 24 a 27 de setembro e de 1 a 3 de outubro, no Teatro da Cidade, em Belo Horizonte, mês em que o teatro comemora 35 anos.
Inspirado na obra de Adélia Prado, que completou 90 anos no ano passado, o espetáculo transforma cerca de 60 poemas em narrativa cênica, costurando textos como “Com licença poética”, “A escrivã na cozinha”, “O corpo humano”, “Asilo para senhoras idosas”, “A noiva”, só para citar alguns. O espetáculo transporta temas que atravessam a obra de Adélia como o amor, fé, erotismo, envelhecimento, cotidiano e morte.
“Eu gostaria de escrever um drama”, diz Adélia em um de seus poemas. Quarenta anos depois da histórica montagem de 1988 protagonizada por Fernanda Montenegro, Pedro Paulo Cava dá vida novamente a “Dona Doida”.
Segundo o diretor, os tempos são outros e a obra de Adélia Prado ganhou mais corpo e robustez, foi acrescida com centenas de novos poemas e retrata a nossa época, “com um olhar intimista e familiar”. O diretor também roteiriza e escreve os textos do espetáculo.
Uma atriz, múltiplas personagens
O espetáculo é conduzido por Lívia Gaudencio, atriz e roteirista premiada, que assume sozinha o desafio de dar corpo a diferentes personagens e fases da obra adeliana. Lá estão elas: a filha, a esposa, a velha, a menina e, principalmente, a escritora. O espetáculo transforma poesia em prosa, revelando a trajetória de uma artista que fez do cotidiano matéria-prima.
“Dar corpo e voz ao universo de Adélia Prado é mergulhar profundamente no que existe de mais humano”, afirma Lívia. “Adélia desnuda nossas fragilidades por meio das suas e descreve a complexidade da existência com lentes poéticas que só ela possui.”
A atriz conta que, em 2024, escreveu uma carta para Adélia, sem imaginar que, pouco tempo depois, seria convidada a dramatizar sua poesia no palco. “Por muito tempo esperei uma resposta. Até entender que a poesia é uma espécie de carta e que as respostas são múltiplas. ‘Dona Doida’ é um diálogo com essa obra.”
35 anos de histórias
Dona Doida integra as comemorações dos 35 anos do Teatro da Cidade, tradicional casa de espetáculos que foi idealizada por Pedro Paulo Cava e construída com muitas mãos e patrocínios.
O Teatro da Cidade foi a primeira casa privada de Belo Horizonte. E iniciou efetivamente com uma pequena galeria e café, em 1988. Somente em setembro de 1991, que ganha a sala de espetáculos e recebe a primeira peça “Boca Molhada de Paixão”.
A temporada de “Dona Doida” conta com o Patrocínio Master da FELUMA – Fundação Educacional Lucas Machado (Faculdade Ciências Médicas).
“Dona Doida”
Temporada: 24 a 27 de setembro e 1 a 3 de outubro de 2026, de quinta a domingo, às 20h.
Local: Teatro da Cidade (Rua da Bahia, 1341, centro, BH)
Ingressos: A partir de 35 reais pelo Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/dona-doida/3535290) ou na bilheteria do teatro.
Roteiro, texto e direção: Pedro Paulo Cava
Atuação: Lívia Gaudencio
Sinopse: Dona Doida não é somente uma homenagem a Adélia Prado, é uma reunião de muitos poemas que perpassam uma vida inteira de intensa produção literária. A obra ganha corpo e retrata os tempos atuais com um olhar intimista e familiar. Um solo que fala do amor, da velhice, da vida e da morte, da religião e do ofício do escritor. Como Adélia diz em um de seus poemas: “eu gostaria de escrever um drama”.



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