Seminário Gira Futuro, em 26 e 27 de setembro, reúne artistas, pesquisadores e agentes culturais para rememorar a trajetória do FAN e discutir caminhos para suas próximas edições
Depois de um percurso que começou com a escuta pública da cidade, passou pelo diálogo sobre os caminhos do festival e chegou aos territórios da capital mineira, o Festival de Arte Negra de Belo Horizonte – FAN BH promove, nos próximos dias, o Seminário Gira Futuro. A programação propõe um momento de reflexão sobre os 30 anos do festival, recuperando sua trajetória desde a primeira edição, em 1995, e reunindo diferentes experiências e perspectivas para pensar sua continuidade.
O processo de construção da edição comemorativa teve início em outubro de 2025, com uma reunião pública, que abriu espaço para a escuta e a participação da sociedade civil. Em novembro do mesmo ano, o FAN Rotas aprofundou a discussão sobre os caminhos possíveis para o festival. Em março de 2026, o FAN Raízes levou a programação para diferentes territórios, comunidades e espaços ligados à memória e à cultura negra da cidade. O percurso também incluiu o FAN Espiralar, grande celebração dos 30 anos do festival realizada em junho
Agora, o Seminário Gira Futuro propõe voltar o olhar para esse caminho percorrido. A programação reúne pessoas que participaram da história do FAN BH e convidados de diferentes áreas para um intercâmbio sobre memória, patrimônio, políticas culturais, circulação internacional e produção artística negra contemporânea. A proposta é criar um espaço de troca sobre os fundamentos que atravessaram essas três décadas e sobre as possibilidades de continuidade do festival como política pública construída em diálogo com a sociedade civil.
A 13ª edição do FAN BH é uma realização da Prefeitura de Belo Horizonte por meio da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com Instituto Periférico. O Seminário FAN Gira Futuro conta com a parceria do Instituto Cervantes, da BH Film Commission e com recurso do Fundo Especial do Ministério Público de Minas Gerais (Funemp).
Memória para compreender o percurso
A programação começa no sábado, 26 de setembro, com credenciamento a partir das 8h30, seguido da abertura institucional, às 9h, com acolhimento, apresentação dos objetivos do seminário e exibição de vídeo.
Às 9h15, a roda de conversa “30 anos do FAN” abre o eixo dedicado à memória. O encontro retoma os fundamentos do festival a partir da participação de agentes históricos que estiveram envolvidos em sua concepção e implementação. A conversa reúne Karú Torres, Marcos Cardoso, Adyr Assumpção e Rui Moreira, com mediação de Rosália Diogo.
Às 11h, o Painel 1 – Gira Futuro, com o eixo “Festivais e outras experiências”, amplia a reflexão para o diálogo com outras iniciativas de protagonismo negro. A atividade propõe discutir os modos de realização do FAN BH ao longo de seus 30 anos e as possibilidades de percorrer novas rotas, preservando seus fundamentos e fortalecendo sua continuidade a partir de novas estéticas e modos de realização.
A mesa terá mediação de Carlandréia Ribeiro, atriz, arte-educadora, escritora, curadora cultural e diretora, cuja trajetória é marcada pela atuação junto aos movimentos negros de Belo Horizonte. O debate reúne Fredda Amorim, coordenadora de programação do FAN BH 2025/2026; Gabriela Guzmán, do Festival Kurüche, no Chile, que participa do encontro por meio de uma parceria do FAN BH com o Instituto Cervantes; e Adriana Barbosa, da Feira Preta Festival.
No período da tarde, das 13h30 às 15h30, o Painel 2 – Internacionalização/Cinema aborda o audiovisual negro de Belo Horizonte e sua conexão com o continente africano. A conversa parte de estratégias e oportunidades para ampliar a circulação da produção audiovisual negra, discutindo desenvolvimento de projetos, intercâmbio, formação de redes, participação em festivais e mercados e possibilidades de cooperação e coprodução internacional.
A atividade será mediada por Elaine do Carmo, conselheira da Apan Sudeste, e contará com Tom Pinheiro, da Bahia, CEO e diretor da ORI Imagem, cineasta, produtor executivo e roteirista, e Romeo Umulisa, fundador do Creative Africa Lab. A realização do painel conta com parceria da BH Film Commission, fortalecendo a articulação do FAN BH com iniciativas voltadas ao desenvolvimento e à circulação do audiovisual.
Patrimônio, memória e participação social
Também no sábado, a partir das 15h30, a programação dedica espaço à discussão sobre o Espaço de Memória da Cultura Negra em Belo Horizonte. A roda de conversa, com eixo em Patrimônio e Memória, contextualiza a pauta desde o primeiro FAN BH, em 1995, até a VIII Conferência Municipal de Cultura, realizada em 2025.
Mediado por Álan Oziel, o encontro terá participação de Lisandra Mara e Sônia Augusto e propõe uma escuta ativa da sociedade civil para reunir contribuições à concepção e à construção de um espaço dedicado à memória afro-brasileira na capital.
Na sequência, os grupos de trabalho dos painéis 1 e 2, das 16h às 18h, transformam as discussões em apontamentos para as próximas edições do festival. A atividade é mediada por Anderson Feliciano e reforça a perspectiva do FAN BH como uma política pública construída em conjunto com a sociedade civil.
Encerrando o sábado, das 18h às 19h, será realizado o lançamento de Jogo Negro no Mundo: Teatro e Improvisação na Diáspora, de Altemar Di Monteiro, publicado pela Editora UFMG em 2026. A obra parte das artes cênicas para repensar o mundo a partir de matrizes afrodiaspóricas.
Produção artística negra contemporânea em debate
No domingo, 27 de setembro, o seminário retoma os trabalhos às 8h30, com acolhimento e café. Às 9h, o Painel 3 – Internacionalização/Multiáreas, dedicado à produção artística negra contemporânea, reúne representantes da dança, do teatro e da música.
Com mediação de Roger Deff, rapper e pesquisador da cena de Belo Horizonte, participam Denilson Tourinho, Laís Moreira, Júnia Bertolino e Rui Moreira. O painel propõe discutir a projeção global da produção artística negra contemporânea, a partir do diálogo entre circulação, ancestralidade, inovação estética e construção de pontes para ampliar o reconhecimento da arte negra.
Das 10h30 às 11h30, o grupo de trabalho do painel 3 dá continuidade às discussões, também com o objetivo de produzir apontamentos para as próximas edições do FAN.
O encerramento do seminário será das 11h30 às 13h, com a Plenária Final dos GTs. O momento reúne a devolutiva dos grupos de trabalho e a apresentação das perspectivas construídas durante os dois dias. A mediação será da Fundação Municipal de Cultura, com participação de outros integrantes da fundação, da coordenação metodológica e dos participantes dos GTs.
Três décadas de FAN BH
Criado em 1995, o Festival de Arte Negra de Belo Horizonte chega aos 30 anos tendo sua trajetória marcada pelo encontro entre diferentes gerações, linguagens artísticas e territórios da cidade.
A edição comemorativa adotou o conceito “Tempo Espiralar e a Cidade em Movimento” e organizou seu percurso a partir de diferentes momentos de escuta, circulação, ativação territorial e celebração. O Seminário Gira Futuro acrescenta a esse movimento uma etapa dedicada à memória e à reflexão sobre o que foi construído ao longo dessas três décadas.
Ao reunir pessoas que participaram dessa história e experiências de diferentes campos da cultura negra, o seminário cria um espaço para revisitar o passado e, a partir dele, discutir possibilidades para o futuro do festival.
Seminário Gira Futuro – Festival de Arte Negra de Belo Horizonte – FAN BH
Data: 26 e 27 de setembro de 2026
Local: Centro de Referência das Juventudes (CRJ),na Rua Guaicurus, 50 – Centro, Belo Horizonte – MG
26 de setembro – sábado
8h30 às 9h – Credenciamento com café
9h – Abertura institucional
9h15 às 11h – Roda de conversa “30 anos do FAN”
Eixo: Memória – 30 anos
Mediação: Rosália Diogo
Participantes: Karú Torres, Marcos Cardoso, Adyr Assumpção e Rui Moreira
11h às 12h30 – Painel 1 – Gira Futuro
Eixo: Festivais e outras experiências
Mediação: Carlandréia Ribeiro
Participantes: Fredda Amorim, Gabriela Guzmán/Chile (Festival Kurüche) e Adriana Barbosa/SP (Feira Preta Festival)
12h30 às 13h30 – Intervalo/almoço
13h30 às 15h30 – Painel 2 – Internacionalização/Cinema
“Audiovisual Negro de BH – Conexão com o continente Africano”
Mediação: Elaine do Carmo
Participantes: Tom Pinheiro/BA e Romeo Umulisa
15h30 às 16h – Roda de conversa sobre o Espaço de Memória da Cultura Negra em Belo Horizonte
16h às 18h – Grupos de Trabalho – Painéis 1 e 2
18h às 19h – Lançamento e autógrafos de Jogo Negro no Mundo: Teatro e Improvisação na Diáspora, de Altemar Di Monteiro
27 de setembro – domingo
8h30 – Acolhimento/café
9h às 10h30 – Painel 3 – Internacionalização/Multiáreas
Dança, teatro e música
Eixo: Produção artística negra contemporânea
Mediação: Roger Deff
Participantes: Denilson Tourinho, Laís Moreira, Júnia Bertolino e Rui Moreira
10h30 às 11h30 – Grupo de Trabalho – Painel 3
11h30 às 13h – Diretrizes/Política Pública + Plenária Final dos GTs



Adicionar Comentários