BLOCO BEAGÁ TRANS desfila em 31/01 e marca o Dia da Visibilidade Trans

9ª Caminhada da Visibilidade Trans e Travesti da RMBH acontece em ritmo de folia. Cortejo manifesto do bloco do Movimento Autônomo Trans e Travesti de BH (MovAT) abre o período oficial do Carnaval na cidade.

Acontece no sábado, 31 de janeiro, com concentração iniciando às 14h na Praça Sete, na Avenida Amazonas ao lado do Cine Theatro Brasil, o cortejo manifesto do BLOCO BEAGÁ TRANS, o bloco de Carnaval do Movimento Autônomo Trans e Travesti de Belo Horizonte e Região Metropolitana, o MovAT (pronuncia môva-tê), coletivo de pessoas trans, travestis, não binárias e cis aliadas da cidade, atuante desde 2017.

O desfile do bloco vem como a 9ª Caminhada da Visibilidade Trans e Travesti da RMBH, marcha em alusão ao Dia Nacional da Visibilidade Trans e Travesti, comemorado anualmente em 29 de janeiro. O cortejo acontece no primeiro final de semana do período oficial do Carnaval de Belo Horizonte.

O BLOCO BEAGÁ TRANS traz a primeira bateria da cidade formada somente por pessoas trans, a Bateria Transpira, regida por Thalyssa Akará e Be Tymburibá e acompanhada pela cantora BAHIA. Artistas trans da cena mineira são convidados da festa, e as baterias dos blocos parceiros se juntam à Transpira para engrossar o coro dos tambores.

O cortejo do bloco sai da Praça Sete às 15h, descendo a Amazonas até a Rua dos Tupinambás, onde segue em direção à Rua Aarão Reis. A dispersão em frente ao Teatro Espanca está prevista para às 20h.

No repertório, poderão ser conferidas músicas brasileiras de diversas vertentes, em ritmo de Pagodão, Ijexá, Marchinha e Funk, além de DJs e performances. “Teremos uma festa alegre, colorida, leve e política, porque festejar, para pessoas cujas vidas têm sido marcadas por violência e morte, é uma revolução”, informa Zaíra Magalhães, jornalista e ativista do MovAT.

Bloco do MovAT agora é BLOCO BEAGÁ TRANS

Desfilando desde 2024, o Bloco de Carnaval do MovAT acaba de ser batizado de BLOCO BEAGÁ TRANS, uma forma direta de comunicar que este é “O” bloco trans da cidade. O tema do ano é “BH É QUEM? BH É TRANS!”, exclamando com bom humor que Belo Horizonte é de todas as pessoas.

Ainda, a referência ao nome da empresa de transportes e trânsito de Belo Horizonte traz a reivindicação do direito à cidade, existência e mobilidade, neste momento em que se discute a péssima qualidade e os valores absurdos do transporte público de BH.

“Nosso bloco celebra a vida de pessoas trans criando um espaço seguro para que possamos brincar nosso Carnaval em paz, sem a hipervigilância que faz parte das nossas vidas 24 horas por dia, 7 dias por semana”, pondera Zaíra. “Tivemos um 2025 especialmente violento para as pessoas trans em Belo Horizonte, o que acompanha uma crescente onda de ódio mundial contra as dissidências de gênero, numa barganha política que oferece nossos corpos abatidos em troca de votos e expansão do poder.” 

E completa: “Mortes banalizadas e transmitidas ao vivo como foram as de Alice Martins Alves e Christina Maciel Oliveira são símbolos que afirmam diariamente à sociedade que está permitido (e até incentivado) eliminar pessoas como nós. Por isso, festejar, mais do que nunca, é uma das formas mais rebeldes que encontramos para desobedecer e celebrar as pessoas trans vivas”, discorre o jornalista.

Pelo direito à vida: a folia é política

Essa não é a primeira vez que a tradicional marcha do orgulho trans de Belo Horizonte acontece em ritmo de Carnaval. Foi em 2024 que o Bloco de Carnaval do MovAT começou a marcar o Dia Nacional da Visibilidade Trans na capital mineira, aproveitando a proximidade do 29 de janeiro com o período do Carnaval quando comemorado em fevereiro.

Em 2025, com o Carnaval acontecendo em março, o MovAT promoveu uma caminhada na Avenida Afonso Pena, da Praça Sete até a sede da Prefeitura na noite de 29 de janeiro, e o Bloco MovAT desfilou em fevereiro, abrindo o período oficial do pré Carnaval.

A Caminhada da Visibilidade Trans e Travesti da RMBH se modifica ao longo dos anos, sem perder seu caráter político. A primeira marcha saiu em silêncio, em 2017, puxada por João Maria Kaisen, com o tema Luto pelo direito de ser e viver, buscando chamar a atenção para a quantidade de mortes por transfobia na cidade. No ano seguinte, além da Caminhada, se inicia a realização da Semana da Visibilidade. Foram diversas atividades voltadas para o tema Pelo direito à cidadania da população T.

2019 foi o ano do Festival TransViva, realizado por Juhlia Santos, ainda hoje recordista de público das ações promovidas pelo MovAT, arrastando mais de 5 mil pessoas para as ruas e inaugurando a vocação artivista desse movimento autônomo. Já em 2020, aquela que foi a 4ª Caminhada da Visibilidade já contou com a presença de blocos de Carnaval convidados para dar o tom da marcha.

2021 e 2022 foram marcados por edições virtuais, em adaptação ao isolamento social da pandemia de Covid-19, dessa vez com abrangência nacional e em rede com programações de outros movimentos pelo país. Também foram realizadas campanhas de solidariedade em apoio às pessoas trans afetadas pela pandemia. Em 2023, o coletivo volta ao presencial para então, em 2024, sair pela primeira vez oficialmente como bloco de carnaval e consolidar sua vocação artística.

Jornada da Visibilidade e Festival Originário

Neste ano, o MovAT traz mais uma mudança na forma da sua já consolidada Jornada da Visibilidade Trans, série de atividades artísticas, educativas, de lazer, serviços, empregabilidade e de incidência política realizada pelo movimento.

Tradicionalmente promovida em janeiro desde sua primeira edição em 2018, em 2026 as ações realizadas pelo MovAT serão distribuídas ao longo do ano, movimentando a população trans, a incidência política, a cena artística, a militância socioambiental, a cadeia da cultura e possibilitando geração de trabalho e renda para as pessoas trans durante os 12 meses.

Além da Caminhada da Visibilidade em formato de bloco de Carnaval, mais um dos destaques da programação da Jornada de 2026 é o estreante Festival Ori Trans Vive. Com data de realização prevista para 9 de maio, o festival vai contar com shows musicais, apresentações e mostras artísticas de diferentes linguagens, feira de empreendedorismo e formação educativa e política, todas protagonizadas por pessoas trans originárias dos diversos povos e comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, ciganos, de terreiro, e outros.

Orí é a palavra em Yorubá para cabeça, fazendo alusão aos povos de terreiro, além de ser o prefixo da palavra originário, em referência aos povos originários desse território que hoje é o Brasil. Trans Vive, por sua vez, vem trazendo destaque para a principal reivindicação do MovAT desde suas primeiras ações, o direito à vida e, ao mesmo tempo, em reverência ao Festival TransViva, precursor da vocação artivista deste movimento.

9ª Caminhada da Visibilidade Trans e Travesti da RMBH

Cortejo manifesto do BLOCO BEAGÁ TRANS (antigo Bloco MovAT)

Sábado, 31 de janeiro de 2026

Concentração às 14h na Praça Sete

Av. Amazonas ao lado do Cine Theatro Brasil

Saída às 15h em direção à Rua Aarão Reis

Dispersão às 20h no Teatro Espanca