Amanda Cadore anuncia turnê do disco viva – 27/08 em BH

Cantora, que passará por cidades como São Paulo, Florianópolis e Buenos Aires, também revela lyric video da faixa sábado, em que expande o universo visual do LP

A cantora e compositora Amanda Cadore anuncia, neste 23 de junho de 2026, as primeiras datas da turnê viva: de ponta a ponta. Homônimo ao álbum lançado no mês de maio, o espetáculo ganhará os palcos a partir de agosto, com passagens confirmadas por cidades do Brasil e da Argentina. Países vizinhos como Paraguai e Uruguai também devem receber a gira. A fim de celebrar a nova fase, a artista estreia ainda o lyric video de sábado, uma das 11 faixas que compõem o trabalho. Dirigido por Guilherme Cavichioli e gravado em Florianópolis, o registro traz Cadore e seu inseparável violão sob diferentes focos de luz, evocando a atmosfera sensorial e solar que atravessa o disco. Assista aqui.

Escolhida como um dos carros-chefes do novo LP, sábado sugere ao ouvinte que viva sem pressa, deixando que o tempo conduza os acontecimentos de forma natural. Construída em 7/8, a música articula um pulso irregular, que desloca a escuta e reforça seu caráter dinâmico entre riffs que fazem uma ode ao neo soul. A letra se debruça sobre o idílico sétimo dia, que se desenrola sem urgências e vai guiado por um ideal de intimidade, marcado por pequenos prazeres compartilhados. Entre referências ao calor do sol, aos lençois, à praia e ao carnaval, a canção transforma cenas cotidianas em um convite para desacelerar. O resultado é uma faixa que celebra, na simplicidade, a intensidade dos afetos vividos no presente — algo caro também à experiência ao vivo. 

Ao longo da turnê viva: de ponta a ponta, Cadore deve receber convidados responsáveis por reforçar seu apreço pelos intercâmbios musicais. O itinerário contempla capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Florianópolis, além de ter duas paradas confirmadas na Argentina. Não por acaso: o Noroeste argentino, uma das principais fontes de inspiração para as sonoridades e paisagens que compõem o disco, também receberá apresentações ao longo da turnê. Mais detalhes, incluindo ingressos e novas datas, serão divulgadas em breve.

01/08 Lauro Muller/SC, Turnexpedição

27/08 Belo Horizonte/MG, Teatro de Bolso Sesiminas

28/08 São Paulo/SP, Sol y Sombra

02/09 Rio de Janeiro/RJ, (+ infos a seguir)

27/09 Cafayate/Argentina, Casa Árbol

02/10 Buenos Aires/Argentina, Biri Biri

16/10 Florianópolis/SC, Bugio Trindade

Lançado em 29 de maio, viva, o disco, traz composições que integram o cancioneiro e os ritmos ibero-americanos ao lirismo de Cadore, além de expor seu apreço pelo caráter sensorial da canção. Com as colaborações da brasileira Mari Jasca e da argentina Mariana Baraj, o projeto também convoca instrumentistas renomados como Antônio Neves e Dirceu Leite, tendo recebido um título que funciona como um duplo gesto. 

Ao se apoderar de uma palavra que leva o mesmo significado tanto em português quanto espanhol, a autora revela uma expressão universal e de fácil compreensão — portanto, também aberta à permissividade artística. “Trata-se de um chamado e uma constatação ao mesmo tempo”, explica Cadore. “Penso em viva como verbo, no sentido de continuar, seguir e atravessar. No entanto, essa palavra também pode ser lida como um estado de sentir, perceber, existir com profundidade”, completa.

Munida de seu violão, exatamente como ocorre no lyric video de sábado, a artista desenvolveu um processo de composição não linear, no qual as faixas ganham forma a partir das possibilidades, ferramentas e, sobretudo, encontros que firma ao longo do percurso. Artista e instrumento vivem, portanto, uma espécie de simbiose, propícia ao caráter exploratório da criação. Após passar um longo período na estrada, sempre guiada por essa perspectiva, Cadore decidiu que era hora de reunir em estúdio a banda que a acompanhava.

No palco, ela estará acompanhada pela mesma banda com quem gravou as canções em estúdio: o musicista caboverdiano Jeff Nefferkturu (flautas e guitarra), o cantor e compositor baiano Grego Jardim (que também assume guitarras, coros e baixo) e o percussionista gaúcho UBrother (pesquisador sonoro e arte-educador). Em cena, todos mergulham fundo nas letras, expondo muito mais do que vocais: as músicas soam como um álbum de fotografias com som, impossível de se dissociar.

Como se nota na capa, assinada pela artista Ana Orlandin, ao permitir que Amanda Cadore nos guie por suas experiências em modo offline, tal qual a de assisti-la em turnê, temos a chance de reacessar sensações, impressões e memórias, que se fazem tanto coletivas quanto individuais. “Com a vida entrando na terceira década, atravessei pessoalmente um ciclo de turbulências, marcado por encontros e despedidas inesperadas no mesmo momento em que o disco era concebido”, diz Cadore. 

Em viva, a artista explora com maestria a construção de diversas camadas de percussão, muitas vezes oriundas de materiais reciclados que se transformaram em instrumentos — uma característica da pesquisa desenvolvida por UBrother. Estão ali teclados antigos de computador, sapatos, mangueiras, shakers naturais e outros elementos sobre os quais o percussionista consegue extrair novos sons. 

Tudo isso para que letra e canção nos desafiem a enfrentar nossos oceanos interiores, permitindo entrega e profundidade — algo que, no palco, só tem a se intensificar. A caminhada que viva está prestes a iniciar é também um convite ao mergulho interior. Basta fechar os olhos e deixar que, no escuro fértil da escuta ao vivo, cada som ilumine aquilo que em nós insiste em nascer, crescer e se transformar.