O Centro Cultural UFMG convida para a abertura da exposição individual ‘Memória Sumi – 墨‘, do artista visual Shiiti, com curadoria de Sérgio Salomão. A mostra investiga os registros do tempo e da intimidade a partir da relação do artista com a tradicional tinta sumi, produzida com fuligem. Ao acolher a imperfeição e a repetição como partes fundamentais do processo de ateliê, o percurso reúne quatro instalações e séries fotográficas que transformam o acúmulo e o rascunho em matéria poética. O evento de inauguração acontece no dia 09 de outubro de 2026, sexta-feira, às 19 horas. As obras poderão ser vistas até 15 de novembro de 2026. A entrada é gratuita e tem classificação livre.
Memória Sumi – 墨
Pense na fumaça. Ela sobe, se dissipa no ar, impossível de agarrar. Mas e se você pudesse capturar essa fumaça? E se você pudesse raspar a fuligem da queima, misturá-la, prensá-la e segurá-la em um fragmento físico daquele momento passado? Imagina se fosse capaz de fazer essa fuligem adormecida falar novamente apenas com o toque da água e do atrito em uma pedra.
A exposição apresenta a pesquisa do artista e sua relação com a tradicional tinta sumi, feita de fuligem. A partir dessa experiência, o artista investiga a passagem do tempo ao transpor para o espaço expositivo o cotidiano e os processos vivenciados no ateliê.
A mostra abre seu percurso com a instalação ‘Sedimentos’, na qual dezenas de frascos repousam sobre prateleiras brancas flutuantes. Nelas, a secagem lenta e a evaporação da água operam um ciclo de retorno à gênese da matéria: o sumi, que nasce da queima e da fuligem, volta a se assentar nas paredes de vidro como estrato mineral de tempo, rotina e memória.
Na obra ‘Cartas para Mim’, correspondências são compostas por camadas contínuas de frases que se sobrepõem, dissolvendo a legibilidade do texto até que ele se torne desenho. Nelas, o artista encontra refúgio, transformando o acúmulo de pensamentos em um registro de seu estado anímico.
Ao fundo da galeria, ocupando toda a parede principal, ‘Ensaio Shodō’ reúne centenas de estudos em papel de arroz dedicados ao shodō (caligrafia) e ao sumiê (pintura). Ao expor as inúmeras tentativas que antecedem qualquer resultado, Shiiti desconstrói a cobrança pelo perfeito e encontra, no próprio desvio, um caminho de pertencimento e cura.
No centro do espaço, a obra ‘Bokuchi’ retoma as porcelanas em diálogo com ampliações fotográficas. Essas imagens, assim como as de ‘Sedimentos’, funcionam como janelas para as paisagens invisíveis do processo. Ao agigantar os resíduos dos utensílios, o artista convida a um olhar generoso sobre os fragmentos do fazer.
Em ‘Memória Sumi – 墨‘, Shiiti abre mão do controle para transformar a rotina, as falhas e a passagem do tempo em matéria viva. A mostra propõe uma reconciliação com os próprios passos, valorizando o peso invisível de cada estudo, de cada tentativa e de cada erro ao longo do caminho. Ao reunir esses vestígios, a exposição converte o que antes era etéreo — a fumaça — em poética e memória.
Sobre o artista
Shiiti é artista visual e bacharel pela Escola Guignard (UEMG). Sua pesquisa investiga a memória, o tempo e a ritualidade do gesto, articulando a identidade nipo-brasileira ao uso da tinta sumi (nanquim), do desenho, da aquarela e da fotografia. Entre a precisão gráfica de linhas e pontos e a fluidez de formas dissolutas, o artista acolhe a falha e o desvio como elementos constitutivos de seu fazer. Ao recusar contornos rígidos e figuras fechadas, Shiiti cria espaços de escuta e aproximação, nos quais cada observador é convidado a decifrar as obras e a projetar suas próprias narrativas sobre o plano do desenho.
Exposição ‘Memória Sumi – 墨‘ – Shiiti
Abertura: 09 de outubro de 2026 | às 19h
Visitação: até o dia 15/11/2026
Terças a sextas: 9h às 20h
Sábados, domingos e feriados: 9h às 17h
Sala Ana Horta
Classificação indicativa: livre
Entrada gratuita



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