Sala de Jantar Interlúdio, de Marcela Aquino, na CASACOR Minas 2026 – até 06/10

A sala de jantar Interlúdio, assinada pela mineira Marcela Aquino, transforma um espaço de passagem em uma experiência marcada por cores intensas, design brasileiro, memória e questionamentos sobre o tempo.

Um interlúdio é um intervalo dentro de um espetáculo, capaz de marcar uma transição, alterar o ritmo ou preparar o público para uma nova atmosfera. Foi a partir desse conceito que a arquiteta mineira Marcela Aquino desenvolveu a Sala de Jantar Interlúdio, ambiente que marca sua estreia na CASACOR Minas 2026.

Localizado em uma área de passagem entre dois espaços da mostra, o ambiente integra o circuito de visitação e assume justamente a condição de transição como ponto de partida do projeto. A própria trajetória de Marcela, que foi bailarina, também contribuiu para a construção do conceito.

“Ao me deparar com um espaço estreito e profundo, percebi que não seria um local de longa permanência, assumindo esse papel de ‘interlúdio’ dentro da rota de visitação”, explica a arquiteta.

Em vez de tentar modificar essa característica, Marcela a incorporou à narrativa. Cores intensas, materiais artesanais, obras de arte e peças de diferentes períodos criam uma composição que coloca passado e presente em diálogo e aponta para o futuro.

A proposta também estabelece uma conexão com o tema da CASACOR Minas 2026, “Mente e Coração”. O ambiente convida o visitante a refletir sobre os espaços que ocupamos, as pessoas que passaram por eles e aquilo que deixamos para as próximas gerações. Mais do que propor uma pausa contemplativa, a arquiteta busca provocar pensamentos e associações a partir de um percurso não linear.

Passado e futuro em um mesmo espaço

O diálogo entre temporalidades aparece em diferentes escolhas do projeto. Peças contemporâneas convivem com ícones do design brasileiro, materiais de caráter artesanal e elementos associados a outras épocas.

A arte também participa dessa narrativa. Nas paredes, obras de artistas mineiros colocam diferentes gerações lado a lado. Uma tela da artista visual Lê Góis, que retrata uma criança, é contraposta à obra de Eli Rodrigues, com a figura de um senhor. A aproximação das duas imagens reforça a reflexão sobre passagem do tempo, memória e continuidade.

Essa relação evita uma leitura nostálgica do passado. Na Sala de Jantar Interlúdio, referências anteriores são revisitadas a partir de uma linguagem atual, criando o que Marcela define como duas temporalidades simultâneas: “um passado que não é nostálgico e um futuro que já chegou”.

A cor como mudança de ritmo

A paleta cromática é uma das protagonistas do ambiente. Paredes em tons arroxeados e piso amarelo, em ladrilho hidráulico, estabelecem uma ruptura visual em relação aos espaços vizinhos e reforçam a ideia do interlúdio como uma mudança de ritmo dentro do percurso da mostra.

A escolha das cores vai além de uma decisão estética e ajuda a construir a atmosfera dramática imaginada pela arquiteta. Veludo, paredes texturizadas e tecidos aplicados no teto ampliam a experiência sensorial.

“É um ambiente escuro, colorido e com muita textura para conferir dramaticidade. As cores utilizadas, como o roxo e o amarelo, são fortes e nada óbvias, além de não serem excessivamente vibrantes ou gritantes”, explica Marcela.

Artesanal e industrial em diálogo

A combinação de materiais reforça os contrastes que orientam o projeto. No piso, a escolha foi por um ladrilho hidráulico amarelo produzido artesanalmente, peça por peça, em um ateliê localizado na cidade de Barbacena(MG). As pequenas diferenças de tonalidade, manchas e imperfeições próprias do processo artesanal foram incorporadas à estética do ambiente.

No fundo da sala, os tijolos de vidro recuperam um elemento característico de outros períodos da arquitetura. Instalados na altura do olhar, eles também cumprem uma função espacial: ajudam a equilibrar visualmente a profundidade do ambiente e a compensar o peitoril elevado da construção original.

O mobiliário segue a mesma lógica de encontros e contraposições. No centro, a mesa em nogueira, já anuncia a tônica do espaço. “A peça é o centro de todo ritual da casa, carrega um passado que a moldou e sustenta um presente que se recusa a repeti-lo”, afirma Marcela.

Ao redor dela, duas cadeiras contemporâneas de couro cinza convivem com a cadeira Canto, de Sergio Rodrigues. Uma área de bar próxima à mesa amplia a ideia do espaço como lugar de encontro e conversa.

Outro destaque é o icônico banco em madeira maciça desenhado por Lina Bo Bardi para o Sesc Pompeia. O peso visual e material da peça contrasta com elementos ao fundo que remetem ao concreto, mas são produzidos em fibra leve. Com formas orgânicas, essas peças também ajudam a romper a predominância das linhas ortogonais determinadas pela arquitetura existente. Complementa a cena, a luminária Fogliame, em vidro esculpido artesanalmente. 

Uma estreia marcada pela memória

A participação na CASACOR Minas 2026 representa um momento importante na trajetória da jovem Marcela Aquino. Pela primeira vez, a arquiteta teve a oportunidade de desenvolver um projeto inteiramente autoral, sem as condicionantes estabelecidas por um cliente.

O processo, porém, também foi atravessado por uma experiência pessoal delicada: o falecimento de sua avó durante o período de criação e execução do ambiente. A circunstância acrescentou uma dimensão emocional a um projeto que já tratava de memória, passagem do tempo e das relações entre diferentes gerações.

Entre a exposição inerente à estreia, o desafio de apresentar um trabalho essencialmente autoral e a expectativa pela reação dos visitantes, Marcela celebra a recepção que o ambiente vem conquistando. “Acho interessante perceber justamente isso: o ambiente causa uma primeira impressão, mas se revela aos poucos para quem permanece nele. As pessoas comentam bastante sobre ser um espaço diferente e sobre a atmosfera que ele cria, que era exatamente uma das intenções do projeto. Então, estou muito feliz com a forma como tudo tem acontecido e, principalmente, com as trocas que o projeto tem proporcionado”, sintetiza a arquiteta.

Sobre a arquiteta – @marcelaaquino.arq

Marcela Aquino, 28 anos, é arquiteta formada pela PUC Minas e fundadora do Marcela Aquino Arquitetura, estúdio criado em 2021, em Belo Horizonte (MG), com atuação voltada a projetos residenciais.  Seu trabalho parte da compreensão dos espaços como expressão de identidade. Com uma linguagem autoral, a arquiteta desenvolve projetos que equilibram funcionalidade e personalidade, explorando especialmente a materialidade, a colorimetria e a curadoria de mobiliário. O escritório nasceu de sua inquietação diante de soluções excessivamente padronizadas e de espaços que nem sempre traduzem a individualidade de quem os habita. Desde então, desenvolve projetos expressivos e autênticos, pensados para refletir diferentes formas de morar e de se relacionar com a casa.

Sobre a CASACOR Minas

A CASACOR é reconhecida como a mais completa mostra de arquitetura, paisagismo, arte e design de interiores das Américas. O evento reúne, anualmente, renomados arquitetos, designers de interiores e paisagistas e em 2026 chega à sua 31ª edição em Minas Gerais, com 17 praças nacionais (São Paulo, Bahia, Brasília, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Ribeirão Preto e Tocantins), e mais quatro internacionais (Miami, Bolívia, Paraguai e Peru).

SITE: www.casacor.com.br  

FACEBOOK: www.facebook.com/casacorminas

INSTAGRAM: @casacorminas

31ª CASACOR Minas Gerais

Horário de funcionamento:

Terça a sexta-feira:  Bilheteria: 14h às 21h | Visitação: 14h às 22h

Sábados:  Bilheteria: 12h às 21h | Visitação: 12h às 22h

Domingos:  Bilheteria: 12h às 19h | Visitação: 12h às 20h

*Nos feriados, a CASACOR não altera o horário de funcionamento.

Ingressos

Inteira – R$100 de terça a sexta / R$110 sábado e domingo

Meia Entrada: R$50 de terça a sexta / R$55 sábado e domingo  

Válida para Idoso/Estudante/Professor/PCD/Id Jovem – Mediante apresentação de documento comprobatório 

CASACOR Minas Gerais

Quando: até 06 de outubro de 2026

Onde: Rua da Bahia, 2020 – Lourdes – Belo Horizonte – MG

Local: PUC Minas Lourdes – Rua da Bahia, 2020 – Lourdes

Informaçõeswww.casacor.com.br