Rafael Macedo lança álbum com show gratuito no Parque Ecológico – 13/09

Intitulado “Cantos, gritos, sussurros e risadas”, disco estreia nos palcos no dia 13 de setembro, misturando música, contação de histórias, experimentação sonora e a participação de crianças e jovens em uma criativa celebração da imaginação

A capital mineira recebe, no dia 13 de setembroo espetáculo de lançamento de “Cantos, gritos, sussurros e risadas”, primeiro álbum dedicado ao universo das infâncias do cantor, compositor e educador musical Rafael Macedo. A apresentação gratuita acontece no Parque Ecológico da Pampulha, às 15h, e marca a estreia ao vivo de um projeto que une música, teatro e contação de histórias.

Mais do que um show, o espetáculo propõe um encontro sensorial entre artistas e público. No palco, o artista mineiro divide a cena com Ayran Nicodemo, Joana Boechat, Leandro César e Jhê, com participações especiais de Kristoff Silva e Paulo Bi, sob direção cênica de Marcelo Veronez. A montagem amplia o universo criado no disco, incorporando atuação cênico-musical, objetos inusitados e cenário, às músicas do repertório.

Um disco construído “com” as infâncias

Depois de três álbuns autorais, Rafael Macedo encontrou na convivência com a docência, com a própria paternidade, na relação afetiva e profissional com o músico Paulo Bi, seu pai, que atua na música para crianças há duas décadas, e com as crianças que cruzaram seu caminho o impulso para criar sua primeira obra voltada às infâncias. Mas faz questão de explicar que o projeto nasce da ideia de fazer música com, e não apenas para crianças.

“Percebi que queria fazer isso junto com elas, o máximo possível. Ouvi, dialoguei e criei observando as particularidades de cada uma. Também fui entendendo que uma música não precisa pertencer exclusivamente a uma faixa etária. Sempre há algo imprevisível na escuta. Além disso, creio que todo artista guarda um pouco dessa infância, desse encantamento permanente diante do mistério da vida”, afirma.

Essa perspectiva atravessa todo o álbum. Tetê, Theo, Tom e Yuri não aparecem apenas como intérpretes, mas também como instrumentistas e criadores. A faixa que dá nome ao disco nasceu justamente de um processo coletivo de improvisação e invenção sonora. Além disso, José Zavagli, de 15 anos, é o criador do material gráfico que dá identidade visual ao álbum.

“Foi uma das experiências mais imprevisíveis da minha vida artística. Eles trouxeram seus desejos, seus medos e sua coragem de ser quem são. Isso gera arte, mas antes de tudo revela uma atitude diante da vida. Acho que todos nós saímos mais vívidos desse processo”, reflete Rafael.

Sonoridades que convidam à descoberta

A experimentação sonora é uma das marcas do trabalho. Instrumentos criados pelo luthier e músico Leandro César dividem espaço com diferentes formas de produzir sons nos instrumentos tradicionais, bem como sonoridades menos comuns produzidas pelo próprio corpo.

Na faixa-título, por exemplo, pedras selecionadas por Leandro transformam-se em teclas de marimba, o piano é tocado por dentro, o violão é raspado com as unhas e vozes infantis ocupam espaços pouco convencionais do instrumento.

“O mais bonito foi perceber como eles estavam abertos a descobrir novas formas de ouvir. A própria ideia de grito, sussurro, ruído e silêncio passou a fazer parte da música. Essa disponibilidade para experimentar talvez seja uma das maiores riquezas da infância”, sublinha.

Música para pensar, imaginar e sentir

Ampliando o universo temático mais frequente na música infantil, o repertório aborda temas como preconceito, linguagem, sonhos, morte, identidade, imaginação e poesia. As canções dialogam tanto com crianças quanto com adultos, propondo diferentes camadas de escuta.

“Há no disco algo deliberadamente ético e político, além do aspecto poético. Falo sobre respeito às diferenças, enfrentamento de preconceitos e liberdade para imaginar outros mundos possíveis. Espero que crianças e adultos possam compartilhar essa experiência, cada um à sua maneira”, defende.

O palco como continuação do disco

A apresentação no Parque Ecológico da Pampulha amplia a experiência musical para uma dimensão cênica. Com direção de Marcelo Veronez, produção de Flávia Mafra e participação da cantora e contadora de histórias Jhê, o espetáculo transforma as canções em pequenas cenas que dialogam com a paisagem natural do espaço.

Para Rafael, o ambiente escolhido faz parte da própria obra. “Espero que as pessoas cheguem abertas à escuta, no sentido mais amplo possível. Um lugar como o parque favorece uma experiência única, porque a natureza também participa do espetáculo. Os sons, os pássaros, o vento e tudo o que acontece ali passam a integrar a música”.

Após a estreia, o artista pretende ampliar a circulação do projeto por diferentes cidades, desenvolver ações educativas e lançar uma campanha de financiamento coletivo para a prensagem do álbum em LP. “Vejo esse disco como uma obra concluída, mas também como um começo. Quero que ele passe a ser de quem desejar entrar nesse universo e caminhar conosco. Afinal, uma frase ficou marcada durante todo o processo: música, no fundo, a gente nunca faz sozinho”, finaliza.

Este projeto é realizado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, com patrocínio do Uni-BH.

Sobre Rafael Macedo

Compositor de cerca de 200 obras e autor de três álbuns, Rafael Macedo desenvolve uma trajetória marcada pelo diálogo entre música, educação e artes da cena. Professor da Fundação de Educação Artística há mais de uma década, construiu sua pesquisa artística em estreita relação com processos pedagógicos e criativos junto a crianças e adolescentes. 

Seu trabalho mais recente, “Talvez uma dansa” (2023), foi lançado pela gravadora Rocinante em formato de LP. Em “Cantos, gritos, sussurros e risadas”, o artista lança sua primeira obra voltada às infâncias, reunindo música autoral, experimentação sonora e criação coletiva.

Show de lançamento do disco “Cantos, gritos, sussurros e risadas”, de Rafael Macedo 

Quando. Dia 13 de setembro de 2026 (domingo), às 15h

Onde. Parque Ecológico da Pampulha – Portaria 2

(Av. Otacílio Negrão de Lima, 7.111 – Bandeirantes)

Quanto. Gratuito