Mercado Negro chega à 44ª edição e inicia temporada no Teatro Espanca – 09/10

Projeto realiza três edições entre outubro e dezembro, reunindo empreendedorismo negro, encontros, música e circulação de saberes no centro de Belo Horizonte

Na sexta-feira, 9 de outubro, o Mercado Negro inicia sua temporada de 2026 no Teatro Espanca, no Centro de Belo Horizonte. Em sua 44ª edição, o projeto reúne empreendedores, artistas e público em torno da produção cultural e econômica negra da cidade. A programação acontece das 18h às 22h, com entrada gratuita.

Criado em 2018, o Mercado Negro se consolidou como espaço de encontro, circulação e fortalecimento de empreendedores e artistas negros de Belo Horizonte e Região Metropolitana. Mais do que uma feira, o projeto articula comércio, cultura, música, conversas e redes de colaboração, ocupando o centro da cidade a partir da presença e do protagonismo negro.

Em 2026, serão realizadas três edições, nos dias 9 de outubro, 13 de novembro e 11 de dezembro, sempre às sextas-feiras, das 18h às 22h, no Teatro Espanca. Cada encontro reúne a feira de empreendedores negros, um bate-papo e uma atração musical.

Transformar para continuar

Na abertura da temporada, às 19h, o bate-papo “Transformar para continuar: por onde criar, por onde insistir” reúne Joana Silva (@dibondecolab) e Nat Lanças (@natsecurity) para uma conversa sobre trabalho, reinvenção, autonomia e os caminhos construídos para sustentar e transformar iniciativas negras.

Aos 69 anos, Joana Silva traz uma trajetória marcada por diferentes experiências profissionais. Depois de trabalhar como contadora, manequim e passar quase três décadas na área comercial de retífica de motores, encontrou na aposentadoria o início de uma nova atividade. Em 2015, ao lado da filha, criou a Aya Acessórios, inicialmente a partir de peças feitas com capulana, tradicional tecido africano, e posteriormente incorporando correntes, sementes, couro e outros materiais na criação de peças autorais.

O empreendimento cresceu, passou a circular por feiras e espaços parceiros e, em 2024, chegou à Dibonde, loja colaborativa localizada no Edifício Central e voltada à visibilidade e ao fortalecimento de artistas negros. Atualmente, Joana participa da gestão do espaço ao lado da filha e de Juca, da marca Quebra Conceito. A Dibonde reúne 12 marcas e se tornou também um lugar de encontro entre moda, cultura, empreendedorismo e identidade negra.

Nat Lanças, por sua vez, atua em um segmento historicamente marcado pela presença masculina. Criadora de uma empresa de segurança privada formada exclusivamente por mulheres, desenvolve um trabalho voltado à ampliação da presença feminina no setor, reunindo uma equipe preparada e qualificada e tendo como princípios profissionalismo, disciplina, respeito e segurança.

As duas trajetórias encontram-se na pergunta proposta pelo Mercado Negro nesta edição: diante das mudanças do trabalho e das dificuldades de permanecer, o que precisa ser transformado para que seja possível continuar?

O bate-papo contará com interpretação em Libras.

Ancestralidade, música e Baixo Centro

Às 20h30, a programação recebe o pocket show de Maimbê (@maaimbe), cantora, compositora, violinista, poeta e muzenza. Graduanda em Música pela UFMG, sua atuação atravessa arte, cultura e educação, com oficinas, projetos formativos e ações voltadas à valorização das culturas negras.

Desde 2023, Maimbê integra o Afoxé Bandarerê como cantora. À frente da banda Maimbê & o Baixo Centro, transforma ancestralidade em linguagem artística, aproximando som, palavra, identidade e território. Atualmente, prepara o lançamento de seu primeiro trabalho autoral, ampliando uma trajetória construída entre palcos, salas de aula e espaços de criação coletiva.

O pocket show também contará com interpretação em Libras.

Confiar no próprio pé

A ideia de movimento que atravessa esta edição encontra uma imagem possível do outro lado do Atlântico.

Em Moçambique, a expressão em língua ronga “Dumba Nengue”, traduzida como “confia no teu pé”, tornou-se associada aos mercados informais espontâneos e à necessidade de seus comerciantes estarem preparados para se deslocar rapidamente diante de situações de perigo.

Sem apagar as diferenças entre contextos e territórios, a expressão oferece ao Mercado Negro uma imagem potente: confiar no próprio pé como possibilidade de movimento, invenção e permanência.

Desde 2018, o Mercado Negro também se constrói a partir dessa capacidade de caminhar, criar redes e encontrar maneiras de continuar. Ao chegar à sua 44ª edição, o projeto reafirma a economia negra não apenas como circulação de produtos, mas como produção de conhecimento, autonomia, cultura e formas de existência.

Transformar para continuar, nesse sentido, talvez seja também saber onde colocar o próximo passo.

Mercado Negro 2026 — 44ª edição

Data: 9 de outubro de 2026, sexta-feira
Horário: 18h às 22h
Local: Teatro Espanca
Endereço: Rua Aarão Reis, 542, Centro — Belo Horizonte/MG
Entrada gratuita

19h — Bate-papo
Transformar para continuar: por onde criar, por onde insistir
Com Joana Silva (@dibondecolab) e Nat Lanças (@natsecurity)
Com interpretação em Libras

20h30 — Pocket show
Maimbê (@maaimbe)
Com interpretação em Libras

Próximas edições:
13 de novembro de 2026, sexta-feira — 18h às 22h
11 de dezembro de 2026, sexta-feira — 18h às 22h

O projeto MERCADO NEGRO 2026 (2151/2025) é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.