Obra traz pesquisa inédita sobre a materialidade da ditadura; lançamento terá exposição de peças arqueológicas e projeções de imagens das escavações
Objetos recuperados nas escavações do antigo Departamento de Ordem Política e Social de Minas Gerais (Dops), imagens do trabalho arqueológico e registros de um dos principais espaços de repressão política de Minas Gerais estarão reunidos em uma experiência imersiva durante o lançamento do livro Memórias aprisionadas: arqueologia da repressão e da resistência no DOPS/MG. O evento será realizado no dia 11 de setembro, sexta-feira, às 18h30, no Auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), em Belo Horizonte, com entrada gratuita, sem a necessidade de inscrição prévia, sujeito à lotação do espaço.
O lançamento contará com apresentação do livro e dos autores, presença de peças recuperadas nas escavações arqueológicas do Dops/MG, projeções de fotografias e registros da pesquisa, encontro com pesquisadores envolvidos na investigação e distribuição gratuita de exemplares da obra para os 50 primeiros convidados. Esse é o primeiro evento transversal do Movimento Literário da Educação Básica Pública Mineira, projeto de extensão da UFMG coordenado pela professora Renata Amaral de Matos Rocha, que é a curadora da obra.
Escrito por Andrés Zarankin, Caroline Murta Lemos e Denise Costa, professores da UFMG, o livro, publicado pela Pedro & João Editores, apresenta os resultados da primeira pesquisa arqueológica com escavação realizada no Brasil em um centro de detenção utilizado para o confinamento de presos políticos durante a ditadura militar.
Realizada em 2020 nas antigas instalações do Dops, a pesquisa recuperou 287 fragmentos de materiais, entre tijolos, ossos, vidro, metal, papel, plástico e outros vestígios.
No lançamento, o público poderá conhecer parte dessa história também por meio das materialidades encontradas durante a pesquisa arqueológica. As peças recuperadas nas escavações estarão presentes no evento, acompanhadas por projeções de fotografias que registram o trabalho realizado no antigo Dops. A proposta é aproximar o público dos vestígios e das imagens de um espaço marcado pela repressão política, fazendo do lançamento uma experiência de encontro entre livro, arqueologia, memória e história.
A pesquisa investigou diferentes áreas do antigo Dops por meio de escavações arqueológicas, documentação das estruturas arquitetônicas, análise espacial e escaneamento 3D do edifício. Foram planejadas seis intervenções arqueológicas, cinco delas efetivamente escavadas. Os pesquisadores também investigaram estruturas e materiais que permitiram compreender diferentes momentos de transformação e uso do edifício.
Mas o que emerge das escavações não são apenas objetos. A arquitetura, as paredes, as celas, os corredores e os demais espaços do prédio são analisados como parte da própria experiência da repressão. O estudo mostra como a organização espacial do Dops/MG funcionava como um dispositivo de confinamento e controle e como a violência se inscrevia materialmente no cotidiano dos presos. A obra dedica ainda atenção às formas de solidariedade e resistência construídas por aqueles que passaram pelo local.
Ao transformar o antigo Dops em objeto de investigação arqueológica, os autores procuram mostrar que os lugares da repressão não são ruínas silenciosas, mas patrimônios da memória coletiva, capazes de contribuir para a educação em direitos humanos e para a compreensão da história brasileira. A pesquisa está inserida em um movimento mais amplo de preservação e musealização do edifício, que também passou a ser pensado como espaço público de memória.
Memórias aprisionadas nasce, assim, do encontro entre arqueologia, memória e experiência. Ao levar ao lançamento parte das materialidades e das imagens produzidas durante a pesquisa, o evento convida o público a conhecer de perto os vestígios de uma história que não pode ser reduzida aos arquivos escritos e a refletir sobre o que esses vestígios ainda têm a dizer no presente.
Sobre o livro
Memórias aprisionadas: arqueologia da repressão e da resistência no DOPS/MG apresenta os resultados da pesquisa arqueológica realizada nas antigas instalações do Dops/MG em 2020.
A obra investiga as materialidades da opressão e da violência, a organização espacial do edifício, suas estruturas arquitetônicas e os vestígios recuperados durante as escavações. O livro também aborda a dimensão sensorial da experiência da repressão e as formas de resistência construídas pelos presos. Com 180 páginas, o livro tem distribuição digital e impressa gratuitas.
Sobre os autores
Andrés Zarankin, professor e pesquisador da UFMG, atua na área de Arqueologia e coordena o Laboratório de Estudos Antárticos em Ciências Humanas (Leach). Participou da coordenação da pesquisa arqueológica desenvolvida no Dops/MG.
Caroline Murta Lemos, pesquisadora da área de Arqueologia da Repressão e da Resistência, desenvolve estudos sobre as materialidades dos centros de detenção da ditadura brasileira.
Denise Costa, pesquisadora dedicada às relações entre memória, repressão e resistência. Sua trajetória de pesquisa inclui estudos sobre os espaços de repressão em Belo Horizonte e sobre as marcas da ditadura no antigo Dops/MG.
Lançamento de Memórias aprisionadas: arqueologia da repressão e da resistência no DOPS/MG
Autores: Andrés Zarankin, Caroline Murta Lemos e Denise Costa
Editora: Pedro & João Editores
Data: 11 de setembro de 2026, sexta-feira
Horário: 18h30
Local: Auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG)
Endereço: Avenida Raja Gabaglia, 1.315, Luxemburgo, Belo Horizonte – MG.
Entrada: gratuita



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