Assinada por Daniela Serruya Kohn, publicação reúne diário, pesquisa e práticas transdisciplinares a partir de ocupações realizadas em cozinhas no Brasil e nos EUA; lançamento acontece no dia 14 de maio, no CRJ, com participação de Thereza Portes
A experiência de viver entre cozinhas, afetos e processos vivos de alimentação ganha forma no livro “Comermorar”, de Daniela Serruya Kohn, autora carioca radicada em Belo Horizonte (MG). A obra deriva de uma residência artística nômade realizada entre 2016 e 2017 no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e nos Estados Unidos. Misturando diário, documentação livre e pesquisa transdisciplinar, a publicação será lançada no dia 14 de maio, na capital mineira, em evento no Centro de Referência das Juventudes (CRJ-BH) que contará com a participação especial da artista plástica e professora Thereza Portes.
Com projeto gráfico de Rita Davis, “Comermorar” propõe uma reflexão sobre outras formas de habitar o mundo a partir da arte, da fermentação selvagem e das relações construídas no cotidiano, reunindo fragmentos escritos ao longo de dois anos de vivência em casas que acolheram o projeto. “Eu escrevo e a escrita é uma linguagem para me expressar, fazer contato com as pessoas. O livro é esse objeto que reconheço também como objeto de valor atualmente. Acho importante não perdermos a leitura e a escrita como práticas de realização poética e, também, de relação”, afirma a autora.
Entre arte, afeto e alimentação
O projeto que dá origem à publicação propõe a ocupação de cozinhas em troca de moradia, criando espaços de convivência baseados na troca, no cuidado e na experimentação. A fermentação, elemento central da pesquisa, aparece como linguagem estética e política. “Desde que fui tocada pela fermentação eu enxergava potencial artístico ali, a poesia das bactérias, a nossa relação com os seres vivos não humanos com esse teor de beleza e arte”, explica Kohn.
Ao longo do livro, o conceito de “poética do cuidado” atravessa as narrativas, revelando práticas cotidianas como ferramentas de criação e conexão. A experiência é guiada por uma “micropolítica do afeto”, em que cada casa se torna um território de experimentação coletiva. “O cuidado tem a força do sensível, e o sensível pode ser construído a partir de da rotina, do alimento, da fermentação como uma poética”, destaca.
Assim como a escrita surge como um desdobramento natural da experiência e como forma de partilha, a construção do livro também reflete esse processo vivo. Entre revelações íntimas, reflexões e registros artísticos, a autora buscou equilíbrio por meio da edição constante. “O processo da escrita tem disso: retirar e acrescentar, vírgulas, aspas e travessões”, comenta a autora.
Entre os momentos marcantes da trajetória, estão encontros que ampliaram o sentido do projeto. “O diálogo e a disposição para fazer dar certo são aprendizados que continuo levando comigo para outras relações. O desejo que move a gente”, afirma, ao relembrar experiências vividas durante as residências.
O lançamento do livro marca um novo capítulo do projeto, abrindo espaço para encontros presenciais e desdobramentos futuros, como rodas de conversa, oficinas e novas publicações. A primeira atividade será realizada em Belo Horizonte, reunindo participantes que fizeram parte da trajetória.
Este projeto é realizado pelo Ministério de Cultura, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, com apoio da Prefeitura de Belo Horizonte. Governo Federal, Do Lado Do Povo Brasileiro.
Sobre Daniela Serruya Kohn
Idealizadora da “Cozinha Nômade”, projeto que integra artes visuais, cultura alimentar e ecologia, Daniela Serruya Kohn é graduada em pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestra em Artes Visuais pela Escola Guignard, de Belo Horizonte. Em sua pesquisa, propõe a criação de meios para a fruição da experiência artística e da construção de espaços para a expressão da subjetividade, através da percepção dos sentidos do corpo. Com o objetivo de promover a interação do ser humano com seres de outras espécies, cria objetos relacionais feitos com celulose bacteriana, fermentados por bactérias e fungos.
Participou de residências artísticas como “lnstitute for Fermentation” (2018, EUA); “Interactivos18”, em Silo Arte Latitude Rural, (2018, BRA); e “Changing Landscapes” (2021, BRA); além da exposição “LA FIEBRE DEL BANANO”, organizada pela Universidad de Los Andes em parceria com o ISLAA – Institute for Studies on Latin American Art (2022). Realizou a gastroperformance “Jantar às Escuras” (2018-2022); e ministrou oficinas de arte em clínica psiquiátrica Freud Cidadão (2018-2022). Em 2023, também realizou o projeto “MAPA DOS SENTIDOS”.
Lançamento do livro “Comermorar”, de Daniela Serruya Kohn
Quando. 14 de maio de 2026, quinta-feira, às 19h
Onde. Centro de Referência das Juventudes – CRJ-BH (Rua Guaicurus, 50 – Centro)
Quanto. Entrada gratuita
Mais. “Comermorar” no Instagram



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