Festival Teatro em Movimento traz “O céu da língua” – 17 a 19/10

Espetáculo chega a Belo Horizonte após turnê de sucesso, assistido por mais de 100 mil pessoas.  A peça tem interpretação de Gregorio Duvivier, que assina o texto junto com a diretora Luciana Paes. Montagem é uma comédia sobre a presença quase invisível da poesia no nosso cotidiano

O Festival Teatro em Movimento, que tem curadoria e coordenação geral de Tatyana Rubim, traz a Belo Horizonte “O céu da língua”, com Gregorio Duvivier, que além de assinar o texto  com a diretora Luciana Paes, é o protagonista do espetáculo. O Festival, que chega com o patrocínio do Itaú, para cumprir curta temporada no Sesc Palladium, de 17 a 19 de outubro, sexta às 20h, sábado, às 17h (sessão extra) e às 20h, e domingo às 19h. A montagem vem com a abordagem: quem tem medo de poesia? Gregorio Duvivier não faz parte deste grupo e, como um apaixonado, faz de tudo para persuadir os outros das qualidades do seu objeto de encanto – até mesmo criar um espetáculo sobre o assunto. No monólogo, uma comédia poética, o artista usa o seu discurso sedutor para convencer o público de que tropeçamos diariamente na poesia e o assunto é prazeroso e divertido.

Essa 24ª edição do Teatro em Movimento é apresentada com o patrocínio do Itaú, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura.

Repercussão

“Uma ode à língua portuguesa e ao poder da palavra”, disse a crítica Suzana Verde, no jornal O Observador. “É comédia da boa, apesar de por vezes ser difícil rir, estando tão assoberbados com tudo o que acontece em palco”.

No aniversário de 500 anos de Luis de Camões, foi a peça de um brasileiro que roubou a cena em Portugal. Gregorio Duvivier, que não estreava uma peça nova há cinco anos, fez essa peça para homenagear sua língua-mãe. Encontrou, ao fazer a peça, uma legião de pessoas que compartilham dessa paixão. “Gregorio Duvivier é um artista completo, no sentido mais renascentista do termo”, disse Miguel Esteves Cardoso, o maior cronista de Portugal, no jornal O Público.

“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece o ator, que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, pra isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”.  

O espetáculo 

A direção é da atriz Luciana Paes, parceira de Gregorio no espetáculo de improvisação Portátil – e nos vídeos do canal Porta dos Fundos. Se no seu solo anterior, Sísifo (2019), escrito junto com Vinicius Calderoni, Gregorio subia uma grande rampa dezenas de vezes, agora, o que se tem é uma encenação desprovida de qualquer cenário. 

No palco, totalmente limpo, o instrumentista Pedro Aune cria ambientação musical com o seu contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier, irmã do comediante, manipula as projeções exibidas ao fundo da cena. O resto é só o comediante e sua devoção pelas palavras. “Acredito que o Gregorio tem ideias para jogar no mundo e, com essa crença, a coisa me move independentemente de qualquer rótulo”, diz Luciana, uma das fundadoras da celebrada Cia. Hiato, que estreia na função de diretora teatral.   

“O Céu da Língua” não é um recital. Por outro lado, garante Luciana, a dramaturgia de Gregório não deixa de ser poética. “O stand-up comedy aqui é uma pegadinha pra falar de literatura”, como ela bem define. “A peça fica na esquina do poema com a piada”, arremata o ator.

“O Gregorio comediante está no palco ao lado do Gregorio intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto e por isso a plateia embarca na proposta”, explica a diretora, que compartilha com o ator a paixão pelo nome das coisas. “Graças aos seus recursos de ator, Gregorio pega o público distraído. Ninguém resiste quando é surpreendido por alguém apaixonado.”

Gregorio, desde a infância, carrega uma obsessão pela palavra, pela comunicação verbal, pela língua portuguesa. Assim o protagonista brinca com códigos, como aqueles que, em sua maioria, só são decifrados por pais e filhos ou casais enamorados. 

As reformas ortográficas que tiram letras de circulação e derrubam acentos capazes de alterar o sentido das palavras inspiram o artista em tiradas bem-humoradas. O mesmo acontece quando ele comenta a ressurreição de palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram ressignificadas ao vocabulário dos jovens. E aquelas que só de ouvi-las geram sensações estranhas, a exemplo de afta, íngua, seborreia, ou outras, inventadas, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “disruptivo” ou “briefings”? Até destas Gregorio extrai humor.

Para o artista, a língua é algo que nos une, nos move, mas raramente damos atenção a ela. É só pensar nas metáforas usadas no cotidiano – “batata da perna”, “céu da boca”, “pisando em ovos”. Nesta hora, usamos a poesia e nem percebemos. Para provar que a poesia é popular, Gregório chama atenção para os grandes letristas da música brasileira, como Orestes Barbosa e Caetano Veloso, citados em “O Céu da Língua” através das canções “Chão de Estrelas” (1937) e “Livros” (1997). A massa ainda há de comer o biscoito fino que fabrico”, disse Oswald de Andrade. Infelizmente a literatura no Brasil nunca encheu estádios. Mas a palavra cantada, essa sim, ganhou multidões. “Foi a nossa música popular quem conseguiu realizar o sonho oswaldiano de levar poesia para as massas”, festeja o ator. 

Nesta cumplicidade com a plateia, Gregorio mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética e que a nossa língua não deve nada a nenhuma outra. Muito pelo contrário. Temos um manancial de poesia desperdiçada em cada conversa jogada fora. “Minha pátria é a língua portuguesa”, diz Fernando Pessoa. Caetano continua: “e eu não tenho pátria, eu tenho mátria e quero frátria”. Gregorio constrói o espetáculo em torno dessa fraternidade, e nos lembra que, apesar de todas as nossas diferenças, temos uma língua em comum que nos irmana. E também pode nos fazer gargalhar. 

Ficha Técnica

O CÉU DA LÍNGUA

Interpretação e texto: Gregorio Duvivier

Direção e dramaturgia: Luciana Paes

Assistente de direção: Theodora Duvivier

Direção musical e execução da trilha: Pedro Aune

Criação visual e projeções: Theodora Duvivier

Cenografia: Dina Salem Levy

Assistente de cenografia: Alice Cruz

Figurino: Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente

Iluminação: Ana Luzia de Simoni

Diretor técnico: Lelê Siqueira

Técnico de Som: Dugg Mont
Diretor de Palco: Reynaldo Thomaz

Visagismo: Vanessa Andrea

Fotos: Demian Jacob I Priscila Prade | Joana Calejo Pires | Raquel Pelicano

Designer gráfico publicação Livro: Estúdio M-CAU – Maria Cau Levy e Ana David

Identidade visual divulgação: Laercio Lopo

Marketing digital: Renato Passos

Assistentes de Produção: João Byington e Daniela Mattos

Produção Executiva: Lucas Lentini

Produção: Pad Rok – Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha

Assessoria de imprensa em Belo Horizonte: Luz Comunicação – Jozane Faleiro 

Realização em Belo Horizonte: Teatro em Movimento

Produção em Belo Horizonte: Rubim Produções

“O céu da língua”, com Gregorio Duvivier

Classificação: 12 anos   Duração: 85 minutos 

Datas/horários: 17 a 19 de outubro, sexta às 20h, sábado, às 17h (sessão extra) e às 20h, e domingo às 19h. 

Local: Sesc Palladium – Rua Rio de Janeiro 1046, Centro/BH

Ingressos: Sympla – https://bileto.sympla.com.br/event/109111/d/331670

Plateia 1: Preços entre R$80,00 e R$160,00

Plateia 2: Preços entre R$20,00 e R$140,00

Plateia 3: Preços entre R$20,00 e R$40,00

Informações: @teatroemmovimento

Redes sociais Teatro Em Movimento: 

Instagram: https://www.instagram.com/teatroemmovimento

Facebook: https://www.facebook.com/teatroemmovimento

Youtube: www.youtube.com/teatroemmovimento

Twitter: www.twitter.com/teatroemmov