De 9 a 11 de outubro, primeira edição do festival ocupa o Viaduto Santa Tereza e a Ocupação Toronto com shows, batalha de poesia, intervenções artísticas e atividades para as infâncias, reunindo expressões culturais, saberes e presenças trans originárias.
Belo Horizonte recebe, entre os dias 9 e 11 de outubro de 2026, a primeira edição do Festival de Artes OríAkã – Cultura, Diversidade e Compromisso com os Territórios, iniciativa que reúne artistas, pensadoras, lideranças e agentes culturais em torno das expressões artísticas, dos saberes e das experiências de pessoas trans originárias, indígenas, quilombolas, ciganas, ribeirinhas, povos e comunidades tradicionais. Com programação gratuita, o festival acontece no Viaduto Santa Tereza, em frente ao 2Black Cultural, nos dias 9 e 10 de outubro, e na Ocupação Toronto, no dia 11, propondo encontros entre música, poesia, artes visuais, cultura popular, pensamento crítico e participação comunitária.
Realizado em Belo Horizonte, o festival propõe um espaço de encontro, circulação artística e reflexão crítica sobre as relações entre cultura, identidade, território e participação política. A programação articula diferentes linguagens e perspectivas, reconhecendo a arte como campo de produção de conhecimento, elaboração de memória e afirmação de existências historicamente invisibilizadas. Ao ocupar espaços culturais e territórios de BH, o OríAkã busca fortalecer redes de pertencimento, valorizar trajetórias e ampliar o reconhecimento de produções que atravessam diferentes identidades, ancestralidades e modos de existir.
Com o propósito de ampliar a presença e a participação de pessoas trans originárias nos espaços de produção cultural e debate público, o OríAkã parte de uma compreensão de diversidade que ultrapassa a representatividade simbólica. A iniciativa busca promover condições concretas de visibilidade, escuta, intercâmbio e reconhecimento dos saberes produzidos por esses corpos e comunidades, compreendendo a cultura como uma dimensão fundamental da construção de direitos e da transformação social.
A abertura do festival acontece na sexta-feira, 9 de outubro, a partir das 19h, no Viaduto Santa Tereza, em frente ao 2Black Cultural. A primeira noite será marcada pela música e pela celebração do encontro entre artistas e público. Às 20h, o artista Nilo Ybiraporã apresenta um pocket show, seguido, às 21h, pela apresentação da DJ Amaranta. A condução da noite ficará por conta de Pérola, mestra de cerimônias do festival.
No sábado, 10 de outubro, a programação retorna ao Viaduto Santa Tereza a partir das 17h, reunindo intervenções de artes visuais, poesia falada e apresentações musicais. Entre as atividades está uma pintura coletiva com Klaus, Trans Preto e Auá, propondo a criação artística como experiência compartilhada e espaço de expressão coletiva.
Um dos momentos centrais do segundo dia será a final do Slam Transcestral, competição de poesia falada que coloca a palavra, a oralidade e a performance no centro da experiência artística. A atividade começa às 19h, com a realização da primeira e da segunda rodadas, reunindo diferentes vozes, narrativas e perspectivas. Às 20h, o público acompanha uma apresentação musical de Sé da Rua, durante o intervalo da competição. A última rodada do Slam acontece às 20h40, encerrando a disputa poética.
A programação musical continua às 21h30, com show de Ayo Tupinambá, e segue até as 22h10, quando acontece o encerramento da noite com Nbaile. Assim como na abertura, a condução das atividades será realizada por Pérola.
O segundo dia contará também com recursos e ações voltados à acessibilidade e ao acolhimento do público, incluindo interpretação em Libras, espaço de descompressão e ações de prevenção, com participação do BH de Mãos Dadas e de uma equipe de acolhimento. A proposta é contribuir para a construção de um ambiente cultural mais acessível, seguro e atento às diferentes necessidades das pessoas participantes.
No domingo, 11 de outubro, o festival chega à Ocupação Toronto, com uma programação dedicada às infâncias, das 9h às 16h, em parceria com a aKasulo, que está promovendo mais uma edição da Plantia, desta vez na Ocupação Toronto. O espaço receberá brincadeiras e oficinas, ampliando a proposta do OríAkã para o encontro entre diferentes gerações e reconhecendo a importância da participação das crianças nos processos de convivência, criação e pertencimento comunitário.
A Plantia é um encontro itinerante de cuidado com a terra, convivência e mobilização comunitária. A cada edição, reúne pessoas, coletivos e territórios para um dia de plantio de mudas, alimentação viva à base de plantas, intervenções artísticas, troca de saberes e fortalecimento de vínculos. Desde 2022, mais de 500 mudas já foram plantadas, cultivando relações entre comunidades e celebrando a nossa diversidade.
Ao articular apresentações musicais, poesia, intervenções artísticas e atividades educativas, a primeira edição do festival constrói uma programação que reconhece a diversidade não apenas como tema, mas como princípio de organização, criação e convivência. A ocupação de diferentes espaços de Belo Horizonte também reforça a relação entre cultura e território, aproximando a produção artística das comunidades e de seus contextos sociais.
Entre os eixos de reflexão que atravessam a proposta do festival está o debate “Reflorestando a Política”, que propõe pensar a presença de sujeitos historicamente marginalizados nas estruturas de decisão, os desafios da participação política e a construção de outras formas de imaginar e exercer o poder. A reflexão estabelece conexões entre território, ancestralidade, direitos, justiça social e possibilidades de transformação coletiva.
Mais do que uma agenda de atividades culturais, o Festival de Artes OríAkã se apresenta como uma plataforma de articulação entre arte, pensamento e compromisso público. Sua proposta reconhece que a produção artística dos povos e comunidades tradicionais não se limita à preservação de manifestações culturais, mas constitui também uma prática contemporânea de criação, crítica e elaboração de futuros.
Nesse sentido, o festival compreende as manifestações artísticas como espaços de disputa de narrativas, produção de conhecimento e fortalecimento de identidades coletivas. Ao reunir diferentes expressões e trajetórias, o OríAkã busca estabelecer diálogos entre experiências que, embora atravessadas por contextos e histórias particulares, compartilham a necessidade de reconhecimento, participação e ampliação de direitos.
A realização da primeira edição reafirma a importância de políticas e iniciativas culturais comprometidas com a pluralidade de narrativas, a democratização do acesso e o fortalecimento de redes entre artistas, comunidades e instituições. Ao promover encontros entre ancestralidade e contemporaneidade, criação artística e participação social, o OríAkã convida Belo Horizonte a reconhecer a potência de diferentes corpos, territórios e formas de produzir cultura.
O Festival de Artes OríAkã é uma realização do INSEA, em parceria com o MOVAT, e conta com apoio de emenda parlamentar.
SOBRE O FESTIVAL
Ayô Tupinambá e Nbaile de graça no Viaduto Santa Tereza! Nos dias 9 e 10 de outubro, o coração de Belo Horizonte será tomado pela primeira edição do Festival de Artes OríAkã, reunindo música, poesia, performances e intervenções artísticas em uma grande celebração da diversidade, da ancestralidade e das culturas trans originárias. Com entrada gratuita, a programação traz shows de Ayô Tupinambá, Nbaile, Nilo Ybiraporã, DJ Amaranta e Sé da Rua, além da final do Slam Transcestral, mural coletivo e encontros que colocam a arte, os territórios e a pluralidade de existências no centro da cidade.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA
Sexta-feira, 9 de outubro
Local: Viaduto Santa Tereza, em frente ao 2Black Cultural
- 19h – Abertura oficial do Festival de Artes OríAkã
- 20h – Pocket show com Nilo Ybiraporã
- 21h – DJ Amaranta
Mestra de cerimônias: Pérola
Sábado, 10 de outubro
Local: Viaduto Santa Tereza, em frente ao 2Black Cultural
- 17h – Abertura da programação e pintura coletiva com Klaus, Trans Preto e Auá
- 19h – Final do Slam Transcestral – 1ª e 2ª rodadas
- 20h – Show de Sé da Rua, no intervalo do Slam
- 20h40 – Final do Slam Transcestral – última rodada
- 21h30 – Show de encerramento com Ayo Tupinambá
- 22h10 – Encerramento com Nbaile
Mestra de cerimônias: Pérola
Acessibilidade e acolhimento: Libras, espaço de descompressão e ações de prevenção com BH de Mãos Dadas e equipe de acolhimento.
Domingo, 11 de outubro
Local: Ocupação Toronto
- 9h às 16h – Espaço das Infâncias, com brincadeiras e oficinas + Plantia
Festival de Artes OríAkã – Cultura, Diversidade e Compromisso com os Territórios
Data: 9, 10 e 11 de outubro de 2026
Locais:
- 9 e 10/10 – Viaduto Santa Tereza, em frente ao 2Black Cultural – Belo Horizonte/MG
- 11/10 – Ocupação Toronto – Belo Horizonte/MG
Entrada: Gratuita
Realização: INSEA
Parceria: MOVAT
Apoio: Emenda parlamentar



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