Inspirados na tragédia shakespeariana “Coriolano”, grupos apresentam uma fábula contemporânea sobre relações de trabalho, poder e precarização. Espetáculo cumpre temporada de 3 de abril a 4 de maio, no Teatro I do CCBB BH.
Um grupo de profissionais de eventos – técnicos, cenógrafos, produtores, mestres de cerimônia e seguranças – após dias preparando um teatro para a posse de um recém-eleito governador, recebe uma notícia que desmonta toda a cerimônia: a morte do novo líder. Situação essa que os coloca num vertiginoso jogo de pressões, ordens e urgências incompreensíveis. Essa é a tônica do espetáculo CÃO, parceria inédita entre os premiados grupos nordestinos Clowns de Shakespeare (RN) e Magiluth (PE), inspirada na tragédia shakespeariana “Coriolano”, que usa a comédia como reflexão para lançar luz sobre o lugar do trabalhador contemporâneo. Após estrear com sucesso no Rio de Janeiro, a montagem chega ao Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) para temporada no Teatro I de 3 de abril a 4 de maio, com sessões de sexta a segunda, sempre às 20h. As apresentações nos dias 6, 13 e 20.04 contarão com tradução em Libras e nos dias 27.04 e 04.05 com audiodescrição.
Os ingressos custam R$30 (inteira) e R$15,00 (meia-entrada) e estão disponíveis para venda no site ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB BH. Informações: (31) 3431 9400 | ccbb.com.br/bh | Instagram.com/ccbbbh | Facebook.com/ccbbbh. A classificação indicativa é de 16 anos. O espetáculo tem patrocínio do Banco do Brasil, com incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
A temporada de CÃO no CCBB BH conta também com outras atividades, como um bate-papo sobre a obra, com a participação do diretor e dramaturgo Fernando Yamamoto e do dramaturgo musical Ernani Maletta. O encontro, aberto ao público, será realizado no dia 1º de maio, sexta, às 16h, com entrada gratuita.
CÃO é um trabalho em colaboração entre os grupos Clowns de Shakespeare (RN) e Magiluth (PE), que nasceu de uma pesquisa sobre o Brasil contemporâneo, suas contradições, afetos e resistências, com foco na questão do trabalho precário em suas diversas facetas. Com direção de Fernando Yamamoto e Luiz Fernando Marques (Lubi), o espetáculo foi criado a partir de cinco residências artísticas realizadas entre Natal, Recife e Rio de Janeiro. “O processo da montagem foi muito natural. Fomos descobrindo, juntos, onde estavam as fraturas do presente, e daí nasceu CÃO. É uma obra que reflete profundamente a poética dos dois grupos, esse encontro tão desejado há tantos anos”, afirma Fernando Yamamoto, diretor e coautor da dramaturgia.
Embora inspirado na tragédia shakespeariana “Coriolano”, a peça não busca adaptá-la. O que se vê em cena é uma fábula contemporânea atravessada por elementos do realismo fantástico, comicidade e música, marcas que se entrelaçam nas linguagens do Clowns e do Magiluth. “A gente parte de Shakespeare, mas usando só o que nos interessa: o conflito de classes, a insatisfação do povo, a manipulação política e o jogo de forças que recai sempre sobre quem trabalha”, afirma Fernando Yamamoto.
O diretor Luiz Fernando Marques (Lubi) conta que quando os grupos partiram para investigar ‘Coriolano’, foi ficando claro que o que os movia era o olhar para quem trabalha. “Tanto no texto original quanto na realidade latino-americana, são sempre essas figuras que sustentam tudo, organizam tudo, reorganizam tudo, e são justamente as mais precarizadas”, comenta.
Lubi lembra ainda que a peça também questiona o fazer cultural: “A cultura é um campo em que a precarização aparece de maneira gritante. E é justamente nesse campo que seguimos criando, resistindo e nos reinventando”, completa.
CÃO revela a capacidade de transformar o caos em comicidade. A partir daí, abre-se um sem-fim de situações rocambolescas, desdobramentos absurdos e peripécias hilárias que incluem confusões políticas, protocolos impossíveis, desmandos surrealistas e a necessidade de reorganizar tudo em poucas horas. Para Yamamoto, o espetáculo cria um riso que, ao mesmo tempo em que diverte, faz refletir sobre temas urgentes e profundos, especialmente as relações de trabalho, tão em voga no Brasil contemporâneo. “O humor, aqui, não alivia a crítica, mas a expõe. Cada atropelo, cada falha de comunicação, cada ordem descabida evidencia a precarização que realmente vem atravessando as relações de trabalho no Brasil.”
Entre tropeços, correrias, confusões e descobertas, o espetáculo celebra aquilo que o teatro tem de mais vivo: rir da própria tragédia e seguir em frente, mesmo quando o protagonista morre antes mesmo de entrar em cena. O espetáculo também revela ao público o movimento dos bastidores e as urgências de quem precisa fazer tudo acontecer e, ainda assim, inventar poesia em meio ao caos.
Em cena, quem dá corpo a essa engrenagem é o elenco composto por Caju Dantas, Diogo Spinelli, Erivaldo de Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sérgio Cabral, Olivia León e Paula Queiroz, com direção de Fernando Yamamoto e Luiz Fernando Marques (Lubi) e dramaturgia assinada por Giordano Castro e Fernando Yamamoto. A dramaturgia musical é de Ernani Maletta, com design de som de Gabriel Gianni e iluminação de Ronaldo Costa. O cenário é assinado por Fernando Yamamoto, Luiz Fernando Marques (Lubi) e Rogério Ferraz, e a direção de produção é de Talita Yohana.
Sinopse – Um grupo de trabalhadores de eventos — mestres de cerimônia, técnicos de som e luz, cenógrafos, produtores, seguranças e outros —, após trabalharem ininterruptamente por 48 horas para garantir que o teatro estivesse impecável para a posse do recém-eleito líder da jovem república do Lácio, recebe uma notícia que interrompe toda a programação e os coloca em uma situação de extremo estresse e submissão aos interesses de pessoas poderosas cujas motivações lhes são incompreensíveis. A partir dessa situação fabular, CÃO lança luz sobre o lugar do trabalhador no Brasil contemporâneo, na América Latina e no mundo.
Circuito Liberdade
O CCBB BH é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.
Espetáculo CÃO
Local: Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH)
Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários – BH/MG
Funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 22h
Temporada: de 03/04 a 04/05/2026, de sexta a segunda-feira, às 20h
Ingresso: R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada).
Venda: no site ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB BH.
Duração: 115 minutos
Classificação indicativa: 16 anos



Adicionar Comentários