Estreia espetáculo do Casulo Espaço e Tempo de Dança “Caos e Poesia” – 20 e 21/06

Idealizada e dirigida pela coreógrafa mineira Carol Saletti, a montagem reúne 190 mulheres com idade entre 35 e 90 anos, em 20 coreografias que provocam a reflexão em torno do papel da arte na sociedade pós-moderna. O espetáculo faz quatro apresentações, nos dias 20 e 21 de junho, no Teatro Sesiminas. 

O que é arte? Qual o seu papel para o artista e para a sociedade pós-moderna? É a partir dessas inquietações que a coreógrafa Carol Saletti monta o espetáculo “Caos e Poesia”, terceiro trabalho do projeto Casulo em Cena, realizado pelo Casulo Espaço e Tempo de Dança. No palco, 190 mulheres, com idades entre de 35 a 90 anos, dançam para mostrar que a arte transborda fronteiras. A montagem faz estreia nos dias 20 e 21 de junho de 2026, no Teatro Sesiminas, em quatro sessões: sábado às 18h e às 20h30; e domingo às 16h30 e às 19h. A apresentação conta com a participação especial da cantora e compositora Celinha Braga com canções ao vivo. Os ingressos custam entre R$80,00 e R$160,00 e estão à venda no site Sympla.

“Estamos acostumados a ouvir que ‘a arte salva’, ‘a arte cura’, frases verdadeiras, mas que sempre me instigaram a compreender o que embasa essas informações. Então, a partir da pergunta ‘qual o papel da arte para a sociedade pós-moderna?’, eu levei as minhas inquietações para as alunas do Casulo e começamos a estudá-las com a proposta de traduzir, em um espetáculo, o verdadeiro papel da arte em nossas vidas”, explica a coreógrafa e diretora artística, Carol Saletti.

A montagem une a expressividade da dança, a força do teatro, o pulsar da percussão e a sensibilidade do canto. A construção sensível desse universo é resultado de um mergulho do grupo em reflexões profundas sobre arte, criatividade, formas de expressão e a busca constante pelo equilíbrio e a saúde mental, tendo como referências literárias obras consagradas como “O Ato Criativo” (Rick Rubin), “O Caminho do Artista” (Julia Cameron) e “A Sociedade do Cansaço” (Byung-Chul Han). “A cada espetáculo, eu busco trazer um ‘sujeito’ que irá proporcionar, além de dançar, um desenvolvimento individual e coletivo à essas mulheres. Então, antes de montar os espetáculos, eu busco provocar discussões e reflexões em torno dos temas, a partir da proposta de livros que ampliam os nossos horizontes e nos fazem enxergar para além da nossa caixinha individual. Assim, entramos em um período de estudo, imersão coletiva e trocas, antes do processo de criação”, conta Carol Saletti.

Em cena, “Caos e Poesia” une dança, teatro, poesia, artes plásticas, artes visuais, percussão, música e canto, com a participação da cantora e compositora Celinha Braga, que tece um diálogo potente entre as alunas e a música ao vivo. No palco, as 190 mulheres apresentam formas de expressões artísticas, alternando com coreografias, em 20 números que dividem em quatro blocos: o mito de Pandora; homenagem às artes (a arte nossa de cada dia, da natureza, do cinema, da literatura, da pintura, da fotografia, da moda e a importância da arte para o artista); mazelas da sociedade pós-moderna (uma releitura das mazelas que saíram de dentro do vaso de Pandora); e antídoto da sociedade (a alunas dançam o que é retratado no livro a Sociedade do Cansaço). 

“A narrativa começa na mitologia grega, com as alunas dançando a origem do caos, a partir do mito grego do Vaso de Pandora, e se desenvolve alternando as mazelas que saem desse vaso com as possibilidades de expressões artísticas, poesias. No decorrer do espetáculo, o público, imerso nos conceitos de uma sociedade do desempenho e do excesso de positividade, é convidado a refletir sobre a necessidade do silêncio, da pausa e da contemplação. A mensagem final é a de que o sonho e a esperança são necessários em nossas vidas, assim como a arte que nos transforma e salva”, adianta Carol Saletti. Ela destaca que o espetáculo ganha ainda mais brilho com a participação especial das filhas das alunas, que dançam com suas mães a coreografia “Caos”, que abre o espetáculo. “Para mim, uma herança preciosíssima é poder transmitir para as nossas filhas a paixão pela dança!”

O cenário também desempenha um papel fundamental na construção da narrativa do espetáculo. A proposta é uma cenografia viva, com as 190 alunas permanecendo no palco durante todas as apresentações e dialogando com a projeção mapeada assinada pela Vj Bah, que criou vídeos de acordo com a atmosfera de cada coreografia. 

Os figurinos também convergem a proposta viva da montagem. As multi-artistas Danny Maia e Cib Maia criaram peças e adereços que acompanham a cenografia, os números coreografados e a diversidade de corpos que dançam os temas. Cada modelo foi pensado para se desenhar no espaço a partir de formas e texturas, numa linguagem que dialoga com o cenário, as bailarinas  e o público. “As peças foram desenvolvidas como extensões dos movimentos da mulher madura, em respeito ao seu conforto e sua personalidade, para que ela sinta liberdade e confiança para subir ao palco e expressar sua arte de forma peculiar e coletiva”, explicam Danny Maia e Cib Maia.

“É importante ter o cuidado para vestir mulheres maduras, que muitas vezes carregam algum trauma da idade. Então, como nos espetáculos anteriores, as peças foram cuidadosamente escolhidas, assim como os tecidos e cores que vestem esses corpos e que darão cor e movimento às coreografias”, explica Carol Saletti. 

Casulo em Cena

“Caos e Poesia” integra uma trilogia do projeto Casulo em Cena, iniciada por Carol Saletti em 2023, com a estreia do espetáculo “É Vida!”, que teve como pergunta central “o que é vida para suas alunas, mulheres maduras?”. Em 2024, a coreógrafa foi impulsionada pelo questionamento “o que é essencial para a vida?”, resultando no estudo sobre o essencialismo, o minimalismo e a sustentabilidade e na consequente montagem “Equilíbrio é Verbo”. “São temas que me instigam, me inquietam, me tiram do lugar comum, e que eu pesquiso primeiro dentro de mim, para depois emergir por meio da dança”, explica Carol Saletti. 

A coreógrafa conta que a montagem nasce após uma pausa de um ano no seu processo de criação. “Eu precisava de um tempo entre os trabalhos anteriores, para não correr o risco de automatizar meu ato criativo e perder o prazer no processo, que é o meu sagrado. Enquanto isso, na parede da Casulo estava o lettering ‘Caos e Poesia’, que eu comprei de uma artista plástica. No final de 2025, eu me despertei para vontade de me aprofundar no significado verdadeiro dessas duas palavras juntas, que há muito tempo são sementes dentro de mim, e senti que havia chegado o momento de traduzi-las em um espetáculo.”

As alunas participam de todo o processo de criação dos  trabalhos do Casulo em Cena. Dramaturgia, coreografia, figurino, cenário e trilha sonora nascem de um processo colaborativo, que vai sendo lapidado pela direção artística. “A montagem de um espetáculo é essencialmente coletiva, porque ele nasce a partir do trabalho de vários profissionais: dos bailarinos-intérpretes, dos coreógrafos, dos figurinistas, do cenógrafo, do iluminador e, claro, da trilha sonora, visto que a dança é uma arte que anda de mãos dadas com a música.  Eu dou o primeiro tom, o primeiro chute na bola oferecendo um tema e uma direção. Para que esse desejo de construção coletiva reverbere, o tema tem que mexer tanto comigo a ponto de eu conseguir tocar as alunas. A partir daí entra a minha parte enquanto diretora artística.”

Carol Saletti conclui: “Mais do que uma apresentação, os espetáculos do Casulo em Cena são manifestos de vitalidade e superação, provando no palco que nunca é tarde para dar vida aos próprios sonhos e se reinventar.”

Espetáculo “Caos e Poesia”

 Casulo Espaço e Tempo de Dança

Dia 20 de junho (sábado): às 18h e às 20h30

Dia 21 de junho (domingo): às 16h30 e às 19h

Teatro SESIMINAS

(Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia – BH/MG)

Duração do espetáculo: 1h25

Classificação: livre

Ingressos:

R$ 80,00 meia (valor promocional – até dia 15.06)

R$ 80,00 meia e R$ 160,00 inteira (após o dia 15.06)

Vendas pelo site Sympla e na bilheteria do teatro