Junho é mês do orgulho e da visibilidade LGBTQIAPN+ e o Cine Graciano preparou uma programação que atravessa diferentes temas, estéticas e experiências. Entre documentários, dramas, sessões comentadas e parcerias, o público é convidado a percorrer histórias relacionadas ao movimento
A programação começa com a mostra Novos Clássicos – O Lado B do Futebol, dedicada a histórias que extrapolam as quatro linhas do campo. No dia 9 de junho, às 19h, o documentário Lutar, lutar, lutar, de Sérgio Borges e Helvécio Marins Jr., apresenta a trajetória centenária do Clube Atlético Mineiro e de uma torcida marcada pela devoção, pela resistência e pelo sentimento de pertencimento.
Já no dia 11 de junho, a mostra segue com duas sessões. Às 17h, os curtas Amadores, Azul Escuro e Coligay apresentam diferentes olhares sobre o futebol brasileiro. Enquanto Amadores revisita os campos de várzea e o futebol amador de Belo Horizonte, Azul Escuro acompanha a história de Seu Lúcio, um cruzeirense cego que vive na Amazônia. Fechando a sessão, Coligay resgata a trajetória da primeira torcida organizada LGBTQIAPN+ do mundo, criada em plena ditadura militar. Às 19h, o premiado documentário As Primeiras, de Adriana Yañez, resgata a história das jogadoras que integraram a primeira seleção brasileira feminina de futebol, em uma narrativa que transforma a memória em ferramenta de resistência.
No dia 16 de junho, às 19h, o Cine Graciano recebe a mostra Mulheres Mágicas: Reinvenções da Bruxa no Cinema, com curadoria das pesquisadoras Carla Italiano e Juliana Gusman. A abertura será com Medusa, de Anita Rocha da Silveira, longa que combina mitologia, horror e religião para refletir sobre controle, desejo e opressão em um Brasil dominado por valores ultraconservadores.
A programação continua no dia 18 de junho com duas sessões especiais. Às 17h, o documentário 8 a 80: BH Underground, de Lucas Bambozzi e Rodrigo Minelli, revisita a cena cultural e underground de Belo Horizonte nos anos 1980, registrando os anseios, as experiências e as transformações de uma geração de artistas. Em seguida, às 19h, o documentário-performance Corpo Presente, de Leonardo Barcelos, investiga o corpo como forma de arte, expressão e identidade, reunindo experiências e trajetórias que apontam novas formas de existir e ocupar o mundo.
Inauguração!
Ainda no dia 18 de junho, às 21h, acontece a inauguração da sessão Cine-cabine 18+, seguida de festa após a exibição. Para abrir a nova sessão, o Cine Graciano apresenta Parque de Diversões, de Ricardo Alves Jr. Filmado ao longo de sete noites, o longa acompanha figuras anônimas em busca de encontros e desejos, transformando o espaço urbano em território de liberdade, imaginação e transgressão.
Entre os dias 23 e 25 de junho, o Cine Graciano realiza a Mostra LGBTQIAPN+, dedicada aos conflitos, às virtudes e às alianças da comunidade queer. A programação começa no dia 23, às 19h, com Tinta Bruta, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, que acompanha um jovem em processo de descoberta de sua identidade sexual e social. No dia 25, às 17h, será exibido S/He Is Still Her/e: The Official Genesis P-Orridge Documentary, dirigido por David Charles Rodrigues, retrato abrangente e provocativo do artista Genesis P-Orridge. Encerrando a mostra, no dia 25, às 19h, o Cine Graciano recebe o Cine Botas para a exibição de Sofia Foi, de Pedro Geraldo, filme que acompanha a deriva noturna de uma jovem pelo campus da Universidade de São Paulo.
Fechando a programação do mês, no dia 30 de junho, às 19h, a Sessão-Parcerias – Resistências Sonoras reúne três produções que dialogam com o hip hop, o funk e as baianidades. Integram a sessão os filmes Serrão Berço de Cultura: Artivismo e Resistência, O Jegue Elétrico e Hip Hop Mato Adentro, que abordam experiências culturais marcadas pela criação artística, pela memória e pela resistência em diferentes territórios.
O Cine Graciano também segue recebendo filmes enviados por realizadores interessados em participar da programação, desde que estejam alinhados aos critérios éticos e estéticos da curadoria.
SOBRE A FILME DE RUA
A Filme de Rua tem suas primeiras movimentações em 2010, a partir de rodas de conversa organizadas pela psicanalista Joanna Ladeira com jovens que tinham as ruas como espaço de moradia e vivência, entre eles Hugo, Maíra, Samuel, Lelo, Alexander. Inicialmente, os encontros ocupavam o antigo espaço Miguilim e depois o Viaduto Santa Tereza. Em 2015, esse grupo informal consolidou-se como um coletivo – integrado também por Joanna, Ed Marte, Daniel Carneiro, Guilherme Melo, Paula Kimo e Zi Reis, – com o objetivo de ver e fazer filmes, junto a essa juventude. Foi produzido o curta-metragem “Filme de Rua” (2017), premiado em festivais pelo país. Com o tempo, outras pessoas passaram a integrar o coletivo e, mais tarde, a Associação.
A produção colaborativa tornou-se método, criando um espaço de expressão e aprendizado que resultou em outros curtas como “Maloca”, “Chuá de Maloqueiro” e dois longas, “Pérola” e “Ficção tipo real”, atualmente em fase de finalização. Em 2019, com projetos premiados no Rumos Itaú Cultural, o coletivo formalizou-se como Associação Cultural e ocupou sua primeira sala de cinema no Edifício Sulamérica, inaugurando a ocupação cultural desta localidade no centro da cidade. O espaço tornou-se pólo cultural, hospedando debates, seminários, mostras e exibições, fechando as suas portas em 2023 e hoje revivendo com a iniciativa do Cine Graciano
QUEM FOI HUGO GRACIANO
A sala de cinema tem, em seu nome, uma homenagem a Hugo Graciano, um dos jovens com trajetória marcante junto à Filme de Rua, participante do coletivo desde o seu início, e que partiu em março de 2024, com apenas 26 anos. Conhecido por sua persistência, alegria, amizade e criatividade, ele atuou como artista, criador e mobilizador da Filme de Rua. Também é pai do Samuel e atuou como redutor de danos no Consultório de Rua, da PBH. Aos 7 anos, Hugo encontrou-se em situação de rua, onde viveu por muitos anos. Ao longo da vida, ele se tornou uma força positiva para muitas pessoas. Agora, a Filme de Rua celebra a sua vida e o homenageia, com a criação do Cine Graciano.
Cine Graciano
Rua Itapecerica, 468, Lagoinha
Entrada gratuita (Sem retirada de ingressos. É só chegar!)
Informações: instagram.com/filmederua
Sessões semanais
Terças-feiras, às 19h
Quintas-feiras, às 17h e 19h
Sessão extra
18 de junho de 2026, às 21h – Cine-cabine 18+ | Parque de Diversões



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