Trupe da capital mineira circula por centros culturais da capital e leva público periférico ao Galpão 4 do Complexo Cultural Funarte MG
Entre os meses de agosto e setembro a Cia Juntaostrem de teatro vai circular em sete espaços diferentes da capital com os espetáculos “Ô de casa! Uma peça-áudio-interativa” e “A besta fera dos cabelo negro”. O projeto “Cia Juntaostrem – 7 Estações!” também oferece duas oficinas, aulão de dança e desenho. Todas as ações são gratuitas e vão impactar cerca de 320 pessoas. “Esse projeto nasce do desejo de circular com duas obras significativas da Cia Juntaostrem, mantendo seu caráter descentralizador e sua vocação para levar arte onde o público está”, afirma Marina Galeri, dramaturga e atriz da companhia. Serão três apresentações de “Ô de casa! Uma peça-áudio-interativa”, no Centro de Apoio e Convivência (CAC), CC Alto Vera Cruz, CC Pampulha, mais três de “A Besta Fera dos Cabelo Negro”, no CC Zilah Sposito, Kolping Vila Belém, CC São Bernardo, e mais duas apresentações de ambas as peças no Galpão 4 do Complexo Cultural Funarte MG. O projeto de circulação é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.
Contemplado em 2021 pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o espetáculo “Ô de casa!”, com dramaturgia de Marina Galeri e Marina Linhares, foi a primeira montagem da companhia e foi apresentada em BH e Sete Lagoas. Criada durante a pandemia, a peça, que mostra a rotina de uma família do interior que espera uma visita importante, é voltada para o público com deficiência visual e idosos, e leva para o palco a gastronomia, oralidade, religiosidade, linguajar, histórias, cantigas e o imaginário dos “causos” de Minas Gerais. Trata-se de um espetáculo autoral, com dramaturgia audiodescrita e estímulos sensórias para o olfato, tato e paladar, sendo assim, é uma peça com potente experiência imersiva. A montagem contou com direção coletiva e coordenação de cena de Dayse Belico e mentoria em acessibilidade de Luciane Kattaoui (Crepúsculo – BH) e Dudu Melo (ator com deficiência visual, da Pigmentar Cia). O elenco é formado por Ben Johnson Pereira, Marina Galeri, Marina Linhares, Raphael Breno e Rogério Alves.
Em cartaz pela primeira vez em 2024, “A besta fera dos cabelo negro”, contemplado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, em 2023, sob a dramaturgia e direção de Marina Galeri, conta a história de um viajante em busca do medo, a “besta fera”, e suas descobertas pelas cidades e emoções humanas. Ao final, percebe que o medo só pode ser enfrentado dentro de si. Por meio de rimas, humor e o linguajar caboclo, a peça aborda de forma leve e poética o enfrentamento dos medos. A montagem estreou em 2024 e circulou por diversos espaços da capital sempre com o recurso de interpretação de libras. A peça é um musical que aborda o sincretismo religioso mineiro, com destaque para os sons do congado, a musicalidade afro-brasileira e a estética popular interiorana. As apresentações contarão com intérprete de Libras e o elenco conta com os atores Ben Johnson Pereira, Glaydson Luiz, Huderson Rodrigues, Marinha Galeri, Marina Linhares, Raphael Breno e Rogério Alves.
Buscando aprimorar continuamente a qualidade artística da montagem, esta circulação conta com a consultoria criativa do diretor convidado Rodrigo Jerônimo, ator, diretor e fundador do Grupo dos Dez. O espetáculo também mantém a preparação musical e vocal de Bruno Messias, profissional com ampla atuação na formação de grupos artísticos e na regência de importantes blocos percussivos de Belo Horizonte e região. Juntos, esses profissionais contribuem para o aperfeiçoamento da linguagem cênica, da expressividade artística e da qualidade técnica do espetáculo.
O projeto “Cia Juntaostrem – 7 Estações” só afirma a diretriz da trupe que, segundo Marina Galeri, co-fundadora da companhia, “tem como marca a valorização da cultura popular mineira: da oralidade ao sincretismo religioso e constrói obras que dialogam com o cotidiano, os afetos e o imaginário popular”, afirma. Outra característica marcante da companhia é preocupação com acesso à cultura, por isso leva à sério a questão da descentralização da arte. “Sempre buscamos por palcos distantes, e neste projeto buscamos ampliar o acesso de públicos historicamente afastados dos espaços culturais centralizados por meio de parcerias com o Centro de Referência da Pessoa Idosa (CRPI), dois CRAS de BH (Alto Vera Cruz e Zilah Spósito) e o Lar das Cegas – Associação Louis Braille. Essas instituições atuarão na mobilização de seus públicos atendidos, incluindo pessoas idosas, pessoas com deficiência visual e jovens em situação de vulnerabilidade social, enquanto nós, da Cia Juntaostrem vamos garantir o transporte de ida e volta até a Funarte, viabilizando sua participação nas apresentações”, revela a diretora teatral.
Outra característica da Cia Juntaostrem é a preocupação com a acessibilidade. A trupe entende que a arte cênica é um canal para comunhão e união de todos. “Todas as apresentações do projeto “Cia Juntaostrem – 7 Estações!” contarão com pelo menos um recurso de acessibilidade, como intérprete de Libras e dramaturgia audiodescritiva, além de elementos sonoros e olfativos que ampliam a acessibilidade, assegurando fruição cultural com equidade”, explica Marina Galeri. Por meio dessas ações, a apresentação das peças e promoção das oficinas, a Juntaostrem contribui para a formação de uma plateia diversa e de indivíduos ativos na engrenagem cultural. “Fazemos nosso papel para o fortalecimento da rede cultural das periferias e a oferta de duas oficinas artísticas gratuitas, de desenho e dança, promovemos o acesso à arte como processo criativo”. A trupe entende o papel político da arte e na manutenção da memória coletiva. “Os impactos culturais do projeto “Cia Juntaostrem – 7 Estações!” são o fortalecimento do teatro acessível e itinerante, a ampliação da participação cidadã por meio da cultura e a valorização da identidade e da memória coletiva mineira. Os efeitos multiplicadores se refletem na inspiração a outras iniciativas culturais e na sensibilização de instituições quanto à importância da inclusão e descentralização como princípios estruturantes de políticas culturais”, conclui.
Sobre a Cia Juntaostrem
Idealizada por Marina Galeri e Marina Linhares, a Cia Juntaostrem surgiu durante a pandemia de Coronavírus, no final de 2020, com a proposta de valorizar a cultura mineira: as tradições, histórias, o linguajar, as paisagens, os “causos”, a gastronomia e discutir temas relevantes a toda sociedade, mesclando o tradicional com o moderno. Os atores que integram o grupo são oriundos da Escola Livre de Artes Arena da Cultura, instituição pública da Prefeitura de Belo Horizonte.
Espetáculo Ô de casa! Uma peça-áudio-interativa
Data:12/8, quarta-feira
Horário:19h30
Local: Centro Cultural Pampulha – R. Expedicionário Paulo de Souza, 185 – Urca
Data:15/8, sábado
Horário: 15h
Local: Centro Cultural Alto Vera Cruz – Rua Padre Júlio Maria, 1577 – Alto Vera Cruz
Data: 24/09 e 27/09, quinta e domingo
Horário: 19h e 16h30
Local: Galpão 4 do Complexo Cultural Funarte MG – Rua Januário, 68. Centro
Espetáculo A besta fera dos cabelo negro
Data: 22/8, sábado
Horário: 15h
Local: Centro Cultural Zilah Sposito- R. Carnaúba, 286 – Zilah Sposito
Data: 29/8, sábado
Horário: 15h
Local: Kolping Vila Belém – R. Barbosa, 355 – São Salvador
Data: 5/9, sábado
Horário: 15h
Local: Centro Cultural São Bernardo Rua Édna Quintel, 320 – Bairro São Bernardo
Data: 25/09 e 26/09/2026, sexta e sábado
Horário: 19h
Local: Galpão 4 do Complexo Cultural Funarte MG – Rua Januário, 68. Centro



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