As inscrições para os ensaios já podem ser feitas e o agendamento abre todo dia 20
Em um momento em que o país vive um clima de polarização e as opiniões parecem cada vez mais distantes umas das outras, o Carnaval segue exercendo o papel que sempre exerceu desde suas raízes: não separa, não faz perguntas e não escolhe lado — apenas reúne. Em Belo Horizonte, esse espírito ganhou endereço fixo. A Casa do Carnaval, instalada no 3º andar do Shopping Uai, no Centro da capital, em frente à Rodoviária, funciona todos os dias e recebe até 60 blocos por mês. As inscrições para os ensaios estão abertas e o agendamento abre todo dia 20 de cada mês, para o mês seguinte, pelo Instagram (@casadocarnavalmg). O acesso é 100% gratuito.
Inaugurado recentemente, o espaço de 2 mil m² concentra cinco ensaios por semana, à noite, e outros cinco aos sábados e cinco aos domingos. A lógica é simples: a agenda funciona em sistema de revezamento e cada bloco pode ensaiar até duas vezes por mês — justamente para que o maior número possível de grupos passe pelo espaço. A democratização do acesso é o objetivo central do projeto idealizado pela agente cultural Polly Paixão, que atua no Carnaval de Belo Horizonte desde 2016.
“O Carnaval sempre foi a festa do povo — de todo o povo. Ele não pergunta de onde você vem, o que você pensa ou com quem você brinca: todo mundo brinca junto. E a Casa foi pensada exatamente com essa lógica: aqui não tem protagonista, tem espaço para todos”, afirma Polly Paixão.
A vocação democrática da festa não é acaso — é raiz. O Carnaval brasileiro nasceu, ainda no período colonial, do entrudo português, brincadeira coletiva em que o povo tomava as ruas, enquanto as elites brincavam em bailes de máscaras e corsos. Foi das camadas populares — e, em especial, da identidade negra — que a festa de rua se formou e se consolidou como a maior celebração cultural do Brasil. O Carnaval é o resultado do encontro entre tradições e da criatividade popular: uma festa em que hierarquias se suspendem, todas as distâncias se desfazem e a rua é de todos, sem distinção de origem, idade ou trajetória.
Para Polly Paixão, o mecanismo de inscrição mensal para a Casa do Carnaval é a tradução desse espírito dentro da casa. “A agenda abre uma vez por mês e funciona em revezamento justamente para democratizar o acesso. Não é o bloco grande que fica com a casa: é a casa que se reparte entre todos”, explica.
A procura crescente acompanha a expansão da festa: segundo a Belotur, o Carnaval de 2026 reuniu 6,6 milhões de foliões em 457 desfiles de blocos, ao longo de 23 dias, movimentou R$ 1,4 bilhão e gerou cerca de 25 mil empregos em Belo Horizonte. “Essa casa não foi pensada como um lugar só para ensaiar. É um projeto-piloto, então nós vamos construir o futuro juntos. A ideia é que essa casa seja um espaço para o Carnaval acontecer o ano inteiro”, afirma a idealizadora.
A estrutura foi desenhada para toda a cadeia da folia: palco, som e iluminação profissionais, auditório para cursos e workshops, sala para ensaios de dança, área dedicada às baterias e espaços para lojas, ateliês e escritórios dos blocos. O programa de formação prevê 15 cursos gratuitos, divididos em cinco eixos — da customização de abadás e confecção de estandartes à gestão de redes sociais e captação por leis de incentivo. E o princípio da gratuidade vale para tudo. “A Casa do Carnaval é totalmente gratuita. Não precisa pagar absolutamente nada para fazer nenhuma ação aqui. Seja ensaio, seja networking, seja lojinha — absolutamente nada”, reforça Polly.
Sobre a Casa do Carnaval
Patrocinada pela Cemig, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, a Casa do Carnaval é um espaço cultural e multifuncional de 2 mil m² inaugurado em outubro de 2026 no Shopping Uai, em Belo Horizonte. Totalmente gratuito, o local reúne ensaios de blocos, programa de formação, economia criativa e encontros do setor carnavalesco. Idealizado por Polly Paixão, que atua no Carnaval de BH desde 2016, funciona como projeto-piloto até o fim de janeiro de 2027, com meta de se consolidar como equipamento permanente da festa.
Casa do Carnaval
Local: 3º andar do Shopping Uai — Rua Saturnino de Brito, 17, Centro, Belo Horizonte/MG (em frente à Rodoviária)
Patrocínio: Cemig — por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura
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