Botequim Sapucaí reabre em BH

Nova fase da casa do Grupo Mansarda reúne clássicos da cozinha de boteco, influências cariocas, portuguesas e mineiras e carta de drinks com a cachaça como protagonista; espaço foi reformado para receber até 120 pessoas

O Botequim Sapucaí entra em uma nova fase em Belo Horizonte com ambiente reformulado, cardápio assinado pelo chef Vladimir Wingler e uma carta de drinks que coloca a cachaça no centro da experiência. Integrante do Grupo Mansarda, a casa volta a funcionar na Rua Sapucaí, 527, no bairro Floresta, região Centro-Sul da capital, com a proposta de resgatar a essência dos botequins tradicionais: pratos clássicos bem-feitos, bebida de alta qualidade, música brasileira e um convite para encontros sem pressa em uma das vistas mais bonitas do centro da cidade.

A reabertura, marcada para a próxima semana, marca um novo capítulo na trajetória do estabelecimento, que começou sua história na região em 2017. O projeto preserva referências afetivas acumuladas ao longo dos anos e amplia o espaço para oferecer mais conforto aos clientes. Os dois salões, antes separados, foram interligados, o bar ganhou área e o ambiente passou a contar com climatização. Com aproximadamente 300 metros quadrados, a casa tem capacidade para receber até 120 pessoas. “A gente reformulou o cardápio inteiro”, afirma o diretor executivo do Grupo Mansarda, Alfredo Lanna. Segundo ele, a proposta é valorizar a cultura do botequim e a experiência de comer sentado, com tranquilidade, em um ambiente de convivência. “A proposta é trazer pratos tradicionais, elaborados com ingredientes de qualidade, com o modo de fazer profissional.”

A ideia é aproximar diferentes tradições da gastronomia brasileira sem perder a identidade de bar. A cozinha reúne referências do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de São Paulo, além da influência portuguesa, presente tanto na formação de Wingler quanto na cultura gastronômica carioca.

Clássicos de botequim com ingredientes selecionados

O novo cardápio aposta em receitas conhecidas do público, preparadas com atenção à procedência dos ingredientes e ao processo de produção. Entre os petiscos estão o Bolinho do Tuga, feito com bacalhau Morhua; o Croquete de Breque, de carne; a Foliã dos Reis, empada de queijo Canastra; e os pastéis de queijo Canastra, carne com azeitona, camarão e bacalhau.

Nos tira-gostos, aparecem opções como a Canastra de Ouro, seleção de queijos artesanais mineiros acompanhada de mel; o Samba de Raiz, com mandioca frita ou cozida e manteiga de garrafa; e o Mestre dos Mares, com sardinhas empanadas na farinha de milho. Para compartilhar, o Camarão que Dorme reúne quatro camarões-rosa de tamanho grande, salteados no alho e óleo com molho de manteiga e salsa, servidos com pão.

Entre os pratos principais, a casa destaca a perna de cordeiro assada lentamente, servida com seu próprio caldo e pão francês, e o Fado e Folia, preparação com lombo de bacalhau Morhua à lagareiro, batatas ao murro, espinafre, cebola, alho assado, azeitonas e arroz de brócolis. A seção de sanduíches inclui o Depois do Bloco, com copa-lombo de panela, abacaxi grelhado e provolone derretido no pão de sal.

A carta também contempla refeições cotidianas, com opções como picadinho de filé-mignon ao molho de cerveja preta, acompanhado de arroz, banana à milanesa e farofa de cebola. Nas sobremesas, figuram clássicos como arroz-doce com canela, pudim de leite, quindim e torta cremosa de bolacha. “A ideia era fazer o cardápio mais simples possível e abusar da qualidade dos produtos”, explica Wingler. O chef afirma que a intenção não é transformar a comida de boteco em algo distante de suas origens, mas oferecer preparações reconhecíveis, com sabor e cuidado: “já que é simples, tem que ser muito gostoso”, resume.

A escolha dos ingredientes segue essa lógica. Entre os exemplos citados pelo chef estão a farinha comprada no Mercado Central, os ovos caipiras de galinhas criadas soltas e a busca por camarões e carnes de qualidade. A proposta é manter o caráter generoso da cozinha de botequim, com preparações feitas na própria casa.

Cachaça como protagonista da carta de drinks

A experiência se completa com uma carta de bebidas desenvolvida por Lucas Brandão, sócio do estabelecimento e responsável pela curadoria de drinks e cachaças. A seleção reúne mais de 40 rótulos de cachaça de Minas Gerais e de outros estados, explorando diferentes regiões produtoras, madeiras de envelhecimento e características sensoriais.

A carta de drinks combina receitas clássicas, variações de caipirinha e criações autorais que valorizam ingredientes brasileiros e mineiros. A proposta dialoga com a identidade musical da casa, com nomes inspirados no samba e na música brasileira. “A gente resolveu trazer drinks com uma pegada simples e gostosa, sem muita invenção de moda, mas também com personalidade”, afirma Brandão. Segundo ele, a cachaça é um destilado versátil, capaz de funcionar tanto em preparações tradicionais quanto em combinações autorais.

Entre as opções estão a Caipirinha Clássica, preparada com cachaça da casa envelhecida em bálsamo, limão-taiti e açúcar; o Feitiço da Vila, que combina cachaça infusionada com alecrim e pimenta-rosa, uva verde e limão-siciliano; e o Pagode do Gago, com três tipos de limão e xarope de rapadura.

Outras criações exploram diferentes perfis de sabor. O Bananeira combina cachaça envelhecida em carvalho, licor de banana e angostura; o Jeribita leva cachaça de um blend de jequitibá e amburana, licor amaretto, limão-siciliano, aquafaba e extrato de pariri; e o Manga com Leite mistura cachaça envelhecida em carvalho, licor de doce de leite, suco de manga e angostura de laranja.

A carta também oferece alternativas sem cachaça, como o Chega de Saudade, preparado com vermutes, Aperol, limão-siciliano, bitter de laranja e água tônica, e o Sol de Primavera, que combina rum branco, soda de toranja, limão-taiti, xarope de tangerina e espumante brut.

A curadoria permite ainda degustações comparativas, organizadas por tipos de madeira ou regiões produtoras. A intenção é ampliar o conhecimento sobre a bebida e valorizar suas particularidades, tratando a cachaça com o mesmo respeito dedicado a outros destilados.

Um endereço para comer, conversar e celebrar

A música e a convivência fazem parte da identidade do Botequim Sapucaí desde sua concepção. Para Wingler, a percepção do potencial da casa surgiu justamente em um encontro entre gastronomia e cultura popular.

Ao visitar o espaço, o chef encontrou Alfredo Lanna tocando clarinete na rua, acompanhado por músicos de samba e choro e por uma cantora que também declamou um poema. A cena inspirou as primeiras ideias para o novo menu. “Eu vi ali um potencial muito grande no lugar, aí peguei um caderno e comecei a escrever um cardápio naquela hora”, conta.

A proposta também dialoga com a história da rua Sapucaí, endereço que se consolidou como um dos pontos de encontro e de valorização da vida cultural de Belo Horizonte nos últimos 15 anos. O Botequim pretende contribuir para essa dinâmica ao oferecer uma experiência de salão, com serviço à mesa, refeições completas e vista para a rua.

A casa funciona a partir das 11h30, todos os dias, com almoço e jantar de segunda-feira a sábado e atendimento aos domingos até as 18h. O almoço executivo, servido de segunda a sexta-feira, exceto feriados, inclui entrada, prato principal, sobremesa e café.

Da cozinha profissional a criação de um menu com identidade

Carioca, Vladimir Wingler descobriu o interesse pela gastronomia ainda na infância, quando colecionava receitas e reproduzia preparações em casa. Aos 18 anos, ingressou profissionalmente em uma cozinha, inicialmente por necessidade, durante o período de dificuldades econômicas provocado pelo Plano Collor. O que começou como uma oportunidade de trabalho se transformou em profissão.

Sua formação ganhou força no Grupo Recarei, no Rio de Janeiro, onde passou por diferentes funções ao longo de seis anos, até assumir a chefia executiva do restaurante Sasha’s. Paralelamente à experiência prática, formou-se como cozinheiro profissional pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

Ao longo da carreira, trabalhou em restaurantes como o Satyricon, em Ipanema, no Rio de Janeiro, e Búzios, e o Alice Brasserie, em Brasília. Também atuou na cozinha destinada à diretoria da TV Globo e desenvolveu trabalhos de consultoria gastronômica. Em Belo Horizonte, participou da inauguração do restaurante Atlântico, especializado em frutos do mar, e trabalhou em projetos ligados a restaurantes, hotéis e cafeterias.

A trajetória inclui ainda a atuação como professor do Instituto Gastronômico das Américas (IGA), em Belo Horizonte e Goiânia, e experiências em Portugal, onde viveu por aproximadamente seis anos e meio ao lado da esposa, a também chef Norma Vogel. No país europeu, trabalhou em restaurantes no Algarve, em Cascais e na região de Coimbra, ampliando o seu repertório culinário.

De volta ao Brasil, Wingler passou por Ouro Preto antes de retornar a Belo Horizonte, cidade com a qual mantém uma ligação profissional e pessoal. Atualmente, atua como chef criativo e consultor do Grupo Mansarda e conduz, ao lado de Norma, o Pastifício Benedito, dedicado à produção de massas frescas recheadas.

Grupo Mansarda

O Botequim Sapucaí integra o Grupo Mansarda, que atua no segmento de bares e restaurantes em Belo Horizonte. Com trajetória empreendedora iniciada em 2017, o grupo reúne diferentes operações gastronômicas na capital mineira e participa da revitalização de espaços de convivência e lazer. Também fazem parte da holding, a Panorama Pizzaria, Greenhouse Choperia, o restaurante Tabaiares e o Babel, todos na região Centro-Sul da capital mineira. 

Botequim Sapucaí

Rua Sapucaí, 527 – Floresta

Fucionamento: todos os dias a partir das 11h30

Aos domingos a casa funciona até às 18h

Instragram: @botequimsapucai