Juventude Bronzeada, Tchanzinho Zona Norte e Swing Safado destacam-se com composições originais, fortalecendo a cena cultural e a diversidade sonora da festa na capital mineira
O Carnaval de Belo Horizonte se consolidou como um dos mais efervescentes e inovadores do Brasil, e um de seus traços é a forte presença da música autoral. Longe de ser apenas um palco para releituras, a festa na capital mineira se transformou em um celeiro de composições originais, onde blocos de rua como Juventude Bronzeada, Tchanzinho Zona Norte e Swing Safado desenvolvem suas próprias narrativas sonoras, forjando uma identidade cultural genuína. Essa prática não só enriquece o repertório da folia, mas também fortalece a cena musical local, projetando talentos e sonoridades únicas.
A capacidade de criar e inovar musicalmente é uma marca que perpassa diversos blocos, refletindo a criatividade e o engajamento dos artistas belo-horizontinos. Essa efervescência autoral é um testemunho da vitalidade do Carnaval da cidade, que se reinventa a cada ano, oferecendo ao público uma experiência musical diversificada e conectada com as raízes e as aspirações locais.
Um exemplo dessa profusão musical é o Juventude Bronzeada. Fundado em 2013, o bloco nasceu da paixão pelo Axé Music das décadas de 1980 e 1990, mas rapidamente expandiu seu horizonte para incluir composições próprias. Desde o lançamento do álbum “Tropical Lacrador” em 2017, com faixas de músicos de Belo Horizonte, e do EP “Pra Gente Não Desgrudar” em 2023, o Juventude Bronzeada reafirma seu compromisso com a produção musical local. Músicas como “Drink do amor”, contam sobre as particularidades da festa em BH, como o famoso Catuçai do Nandão, bebida presente nas festas de rua da cidade.
O repertório do bloco, que transita entre clássicos e contemporâneos da música brasileira, é constantemente enriquecido por canções inéditas de seus integrantes, consolidando-o como um espaço de valorização da cultura e da música autoral mineira. Além da música, o bloco se destaca por um discurso social e político alinhado a pautas importantes, como o enfrentamento às desigualdades e a valorização da cultura negra e dos direitos LGBTQIAPN+, com atividades gratuitas e oficinas de musicalização que já impactaram milhares de pessoas.
Outro protagonista dessa cena autoral é o Tchanzinho Zona Norte. Criado em 2012, em meio à retomada do Carnaval de rua de BH, o bloco se tornou um dos mais emblemáticos da cidade. Inicialmente focado na axé music popular dos anos 90 e 2000, o Tchanzinho Zona Norte desenvolveu uma identidade própria, apostando alto em músicas autorais e na performance de outros gêneros da música pop contemporânea. Em 2026, o bloco levará para a avenida o “NewZam”, um ritmo autoral criado a partir das experiências musicais do grupo, presente tanto em releituras quanto em composições próprias. Duas músicas autorais, “Na ZN Tem”, de Rodrigo Picolé, e “Mina de Rolê”, de Thanya Canela, farão sua estreia, integrando a playlist oficial do Carnaval de Belo Horizonte.
Com nove músicas próprias já disponíveis em plataformas de streaming, o Tchanzinho Zona Norte, e sua vocalista Thanya Canela, foram inclusive indicados ao Prêmio Claro de Música 2025, na categoria melhor música de axé, um reconhecimento da qualidade e originalidade de sua produção. O bloco também se destaca por sua atuação periférica e democrática, questionando desigualdades territoriais e promovendo a inclusão através de ensaios abertos e gratuitos.
O Swing Safado também se posiciona como uma potência da música urbana de BH, transformando a Avenida dos Andradas em uma vitrine do pagodão mineiro. O bloco, que arrastou mais de 150 mil pessoas no último Carnaval, traz em seu novo lançamento, “BH tem o tempero”, uma faixa que brinca com a rivalidade bem-humorada entre baianos e mineiros. Inspirada no hit “O baiano tem o molho”, de Kanalha, a composição de Jeffim Dabazi, líder do bloco, com harmonia de Dedé Santaklaus e criação rítmica coletiva, exemplifica a capacidade do Swing Safado de “mineirar” influências e criar algo original. O Kanalha chegou a dançar a música em uma apresentação em que o bloco mineiro dividiu o palco com o cantor baiano.
O pagodão, para o bloco, é mais que um gênero musical, é história, identidade e resistência, nascido na afroperiferia e conversando diretamente com o povo preto e favelado. A mistura de pagodão com funk MTG, salsa, afrobeat e até punk rock resulta em um “pagodão mineiro” com uma assinatura sonora explosiva e única, que já virou marca registrada do bloco e de seus shows lotados. “BH Tem o Tempero” foi lançada na playlist do Carnaval de Beagá 2026, com curadoria de Henrique Portugal, e promete ser mais um hino da festa. Nascido no Conjunto Santa Maria, o Swing Safado é um movimento comunitário que atua o ano inteiro, fortalecendo artistas locais e fomentando ações sociais e culturais.
A música autoral no Carnaval de Belo Horizonte é, portanto, muito mais do que um detalhe, é a espinha dorsal de uma festa que celebra a criatividade, a diversidade e a identidade cultural mineira. Os blocos, com suas composições originais, não apenas animam os foliões, mas também contam histórias, provocam reflexões e pavimentam o caminho para uma produção musical vibrante e autêntica na capital.
DESFILES DOS BLOCOS
Bloco Tchanzinho Zona Norte
Data: Sábado, dia 14 de fevereiro
Horário: 8h
Local: Via das Artes da Andradas (Av. Andradas, 3560)
Mais informações: Instagram @tchanzinhozn
Bloco Swing Safado
Data: Segunda-feira, dia 16 de fevereiro
Horário: 14h
Local: Via das Artes da Andradas (Av. Andradas, 3560)
Mais informações: Instagram @blocoswingsafado
Bloco Juventude Bronzeada
Data: Terça-feira, dia 17 de fevereiro
Horário: 9h
Local: Avenida Assis Chateaubriand, 127 – Floresta
Mais informações: Instagram @juventudebronzeada



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