Uma das montagens mais longevas e ao mesmo tempo contemporâneas do teatro mineiro, trabalho do Grupo Teatro Andante comemora bodas de prata com quatro apresentações em Belo Horizonte, entre os dias 6 e 9 de agosto. A temporada é também uma homenagem a Olympia no mês do seu aniversário.
Com 25 anos de trajetória, centenas de apresentações pelo Brasil e circulação por sete países, o espetáculo Olympia, do Grupo Teatro Andante, celebra suas bodas de prata com uma temporada especial em Belo Horizonte. Entre os dias 6 e 9 de agosto, o solo protagonizado por Ângela Mourão ocupa o Teatro João Ceschiatti, no Palácio das Artes, em quatro sessões que celebram a atemporalidade da montagem. As apresentações são também uma homenagem a Olympia, que nasceu em agosto de 1889, e marcam os 50 anos da sua partida, em 1976, aos 88 anos. Ingressos no site Sympla. Valores: R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia entrada). Informações: @grupoteatroandante.
Inspirado na história real de Sinhá Olympia, figura lendária que viveu nas ruas de Ouro Preto, a produção se consolida como a mais emblemática do Grupo Teatro Andante e uma referência do teatro mineiro contemporâneo. Com direção de Marcelo Bones, texto de Guiomar de Grammont construído ao longo do processo coletivo, a peça reúne pesquisa corporal, teatro físico, música, máscaras e uma dramaturgia que dialoga simultaneamente com a tradição e a cena atual. “É uma alegria e, digamos, uma honra, constatar a vida de um espetáculo por 25 anos. Penso na força da dramaturgia, inspirada em uma pessoa tão interessante como Sinhá Olympia (como era conhecida), mas também em uma linguagem teatral potente, que coloca para dialogar uma inspiração dramatúrgica tradicional com técnicas e expressões do teatro contemporâneo”, resume Ângela Mourão.
A atriz destaca que manter a montagem viva durante tanto tempo demanda o mesmo rigor do início da trajetória. “É um espetáculo que exige preparação, dedicação, exige que eu esteja com o corpo em dia, a voz preparada. Tem técnicas de dança, teatro físico, diferentes timbres de voz, canto e uma precisão muito grande nos movimentos e nos elementos cênicos. Por isso, pede muita dedicação, o que faço com muita alegria e muito rigor. Afinal, são 25 anos em cartaz, é quase uma vida”, salienta.
Apesar do tempo, a essência de Olympia permanece praticamente intacta. Segundo Marcelo Bones o espetáculo amadureceu sem perder sua concepção original. “Mudou muito pouco. Houve um aprofundamento da atuação, da compreensão da dramaturgia e, principalmente, da relação com o público. Mas o desenho do espetáculo permanece fiel à criação inicial”, conta.
Um espetáculo que marcou época na sua estreia, a obra surpreende por sua ressignificação e por se manter contemporânea e ganhar novas nuances de sentido 25 anos depois. “O espetáculo traz uma dramaturgia que se inspira na história da Olympia, mas ao mesmo tempo traz questões atuais, que dizem respeito a todos e a todas nós.”
A atriz lembra que a montagem tem percorrido teatros, praças, importantes festivais e espaços alternativos no Brasil e no exterior, encontrando públicos de diferentes culturas que, curiosamente, estabelecem relações muito semelhantes com a personagem. “Uma das coisas que sempre me dá prazer de ouvir é, ao final das apresentações, pessoas dizendo: ‘Eu sou um pouco essa Olympia’; ‘Na minha cidade tem uma Olympia’; ou ‘Eu tinha uma tia parecida com ela’. Ouvi isso em Buenos Aires, na patagônia argentina, em Rondônia, na Colômbia, em Portugal, na Espanha… Aos poucos compreendemos que partimos de uma história muito local, mas que essa personagem toca um arquétipo humano”, afirma Ângela.
Olympia – A identificação do público com a personagem tem origem nas próprias contradições que definem Olympia. Inspirada em uma mulher que viveu seu apogeu entre as décadas de 1950 e 1970 em Ouro Preto, a personagem transita em diferentes fronteiras: entre a sanidade e a loucura, entre a casa e a rua, entre a tradição e a liberdade, entre a vida cotidiana e a teatralidade. “Até hoje duas perguntas permanecem para nós: Olympia era louca ou não? Olympia fazia teatro quando ocupava a Praça Tiradentes contando histórias para turistas? Essas perguntas continuam abertas e talvez estejam entre as razões pelas quais ela continua despertando tanto interesse”, reflete Ângela Mourão.
Essa força simbólica fez com que o espetáculo ultrapassasse fronteiras geográficas. Em suas turnês internacionais, o Grupo Teatro Andante apresenta Olympia também em espanhol, ampliando ainda mais o diálogo com diferentes públicos. “Compreendemos que o espetáculo precisava ser feito em espanhol para que todas as pessoas pudessem acompanhar plenamente a história. É uma experiência muito rica viver essa personagem em duas línguas. Isso também exige preparação e dedicação”, destaca a protagonista.
Ela destaca que, ao abordar temas como o lugar da mulher na sociedade, a ocupação do espaço público, a diferença, a liberdade e os limites entre normalidade e desvio, Olympia dialoga com questões contemporâneas, sem perder suas raízes na cultura mineira. “Olympia reuniu em si uma estranheza e uma liberdade muito próprias. Ela rompeu padrões conservadores da cidade, respirando o ar moderno trazido pelos estudantes e artistas que frequentavam Ouro Preto. Enfrentou resistências, mas construiu uma vida intensa, transitando entre diferentes mundos.” E isso é inspirador para todas nós!
Sobre o Grupo Teatro Andante – Fundado em Belo Horizonte, em 1990, por Marcelo Bones e Ângela Mourão, o Grupo Teatro Andante tem uma trajetória marcada pela pesquisa continuada, pela circulação nacional e internacional e pelo diálogo direto com públicos diversos. Ao longo de mais de três décadas, o grupo consolida uma linguagem cênica que combina investigação artística, rigor técnico e encontro com diferentes territórios e culturas.
Espetáculo “Olympia” – 25 anos
Data: 6 a 9 de agosto de 2026
Horários: quinta e sábado, às 20h; sexta, às 20h30; domingo, às 19h.
Local: Teatro João Ceschiatti – Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Belo Horizonte)
Ingressos no site Sympla
Valores: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia entrada)
Informações: @grupoteatroandante



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