Músicas, que chegam às plataformas de streaming no dia 23/1, apresentam projeto que une Carnaval, MPB e delicadeza poética; parceria entre os artistas mineiros nasceu da admiração mútua em rodas de música em Belo Horizonte
O Carnaval, o samba e a música popular brasileira sempre foram, para os cantores e compositores Vitória Pires e Gabriel Haddad, mais do que gêneros musicais: são territórios de convivência, escuta coletiva e invenção artística. Vindos de trajetórias intensamente ligadas à rua, aos blocos e às rodas de música de Belo Horizonte, os dois se encontraram nesse mesmo chão simbólico para formar o duo Vitória Pires & Gabriel Haddad. Juntos, eles lançam, no próximo dia 23/1 (sexta-feira), nas principais plataformas de streaming de música, seus dois primeiros singles, “Calmaria” e “Canto e Danço”, inaugurando o projeto autoral.
O duo nasce do contraste e da síntese. Vitória, mulher negra de Belo Horizonte, carrega no corpo e na voz a força do samba, da percussão e das rodas. É a voz principal da Orkestra da Percussão Circular, um dos mais importantes projetos de percussão carnavalesca de Minas Gerais, conduzido pelo mestre Di Souza, além de integrar o Bloco Circuladô e de ser fundadora do Samba das Amadas, grupo que afirma o protagonismo feminino e negro no samba da cidade. Gabriel, cantor, compositor e produtor, vem do interior de Minas e construiu trajetória sólida na canção autoral e no carnaval de rua da capital. Integra a banda Caminantes, uma das revelações da música autoral contemporânea, atuou ativamente na criação e produção de blocos como Sai Pra Lá Capeta, Spiro Giro e Pula Catraca.
“A gente sempre se encontrava em coisas de bloco de Carnaval, e ficava nesse lugar de ‘será que um dia a gente vai trabalhar junto?””, lembra Vitória. “Combinamos de nos encontrar para compor, mas as agendas eram difíceis, até que ela pediu que eu mandasse alguma coisa remotamente. Dois dias depois, ela me devolveu um verso lindo, com uma melodia que ia para outro lugar”, acrescenta Gabriel. Dessa troca nasceu “Canto e Danço”, a primeira canção da parceria e ponto de partida de um processo que logo se tornaria recorrente.
A partir desse primeiro diálogo musical, os encontros passaram a acontecer semanalmente. Sempre no mesmo dia, sempre com a música como epicentro criativo para ambos. “Todas as vezes a gente estava ali para ouvir um ao outro”, lembra Vitória. “Todos os encontros surpreendiam a gente, porque em todos nascia pelo menos uma música, sempre com muita naturalidade”, completa Gabriel. Em pouco tempo, o volume e a coesão das canções indicaram que aquele repertório não cabia mais apenas nos projetos individuais de cada um. As músicas, juntas, pediam um nome, um corpo e um caminho comum.
Primeiras músicas
É nesse contexto que surgem “Canto e Danço” e “Calmaria”, faixas que revelam diferentes camadas do encontro entre os dois artistas. “Canto e Danço” carrega a delicadeza do primeiro gesto. A canção se estrutura como um convite: alterna versos em métrica quaternária com um refrão em valsa, reforçando musicalmente a ideia de dança compartilhada e da aproximação cuidadosa entre os dois. A melodia e o canto constroem um diálogo íntimo, como se as duas vozes se despissem de defesas prévias para se encontrar. Gabriel define a música como um redimensionamento das tensões do cotidiano, “na direção da paz”.
Já “Calmaria” se ancora mais diretamente no corpo e na rua, em um arranjo solar e festivo. Com base rítmica inspirada no ijexá, a faixa evoca o Carnaval, o deslocamento coletivo e a caminhada urbana. “O arranjo tem esse lugar do ritmo que parece uma caminhada andando ali na rua”, justifica Vitória. A letra fala de deixar o medo de lado, de se desarmar diante do presente, transformando a dança em espaço de cuidado e entrega.
Os singles foram gravados com um time de músicos e técnicos que ampliam a paleta sonora do projeto. A produção musical é assinada por Fernando Caneca, músico pernambucano radicado no Rio de Janeiro, com longa trajetória ao lado de nomes centrais da música brasileira, como Caetano Veloso, Marisa Monte e Ivan Lins. A mixagem ficou a cargo de Junior Tostói, e a masterização foi realizada por Renato Alscher. Nos arranjos e execuções, Fernando Caneca conduz violões e guitarras; Fernando Nunes, o baixo; Leonardo Reis, a percussão; Frederico Puppi, o violoncelo; Marcelo Martins, a flauta; e Felipe Caneca, o acordeon.
Além da produção musical, as duas faixas serão lançadas com capas do artista plástico e designer Celso Haddad e com visualizers dirigidos pela diretora mineira Carolina Fonseca.
Para Gabriel, levar essas músicas ao estúdio foi também um exercício de cuidado com a própria raiz do projeto, nascida de forma despretensiosa, a partir de encontros genuínos. “A gente conseguiu derramar nesses outros ambientes toda aquela doçura e aquela amorosidade que estavam acontecendo nos encontros semanais”, afirma.
Em 2026, o duo Vitória Pires & Gabriel Haddad deve desdobrar os lançamentos em outros singles, apresentações ao vivo, circulação pelo Carnaval de Belo Horizonte e na gravação e divulgação de um álbum completo. “A ideia é circular com esse show em Belo Horizonte e fora da cidade a partir do lançamento, em diferentes formações. Paralelamente, ao longo do ano, a gente volta ao estúdio para gravar as outras músicas do projeto”, adianta Gabriel.
Vitória Pires
Cantora, compositora e percussionista, Vitória Pires também atua como atriz e modelo. Sua trajetória é profundamente ligada ao samba, à percussão e às rodas musicais da cidade. É a voz principal da Orkestra da Percussão Circular, um dos principais projetos de percussão carnavalesca de Minas Gerais, e cantora do Bloco Circuladô. É também fundadora do Samba das Amadas, grupo que afirma o protagonismo feminino e negro no samba belo-horizontino. Formada em canto pelo Cicalt e em formação pela Universidade Bituca, foi duas vezes finalista do concurso A Voz da Periferia. Atualmente, desenvolve seus primeiros projetos autorais, que dialogam com o samba e a MPB.
Gabriel Haddad
Cantor, compositor e produtor musical da cena contemporânea de Belo Horizonte, Gabriel Haddad integra a banda Caminantes, uma das revelações da música autoral da cidade, e assina a produção e coprodução dos trabalhos do grupo. Atua intensamente na construção do Carnaval de rua da capital mineira, como fundador e produtor do bloco Sai Pra Lá Capeta, além de ter integrado os blocos Spiro Giro e Pula Catraca. Ao longo da trajetória, colaborou com artistas como Di Souza, Sérgio Pererê, Juventino Dias, Drica Mitre e músicos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Também firmou parcerias com nomes de projeção nacional. Seu trabalho transita entre a canção autoral, a produção musical e a criação coletiva, com forte identidade poética e sensibilidade artística.
Vitória Pires & Gabriel Haddad
lançam “Calmaria” e “Canto e Danço”
Quando. 23/1/26 (sexta-feira)
Onde. Nas principais plataformas de streaming
Mais. @vitoriapiresartista e @_gabrielhaddad




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