Com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e patrocínio do Instituto Unimed-BH, grupo vai promover, a partir de agosto, série de shows, um por mês, em diferentes espaços de shows de Belo Horizonte, trazendo sempre convidados especiais inéditos a cada edição
O grupo Senta a Pua Gafieira dá continuidade ao Circuito Baile 2017, tendo no mês de setembro a casa de shows A Autêntica como anfitriã. O projeto, que estreou em agosto, faz parte das comemorações dos 10 anos da banda e se estende pelo segundo semestre até dezembro, totalizando cinco bailes, um por mês, em cinco lugares e sempre com convidados especiais – o circuito teve início em agosto, no Necup, com participação do percussionista Rafael Leite. Em setembro, dia 9, Rodrigo Torino (violão de 7 e direção musical), Ulisses Luciano (trompete), Danillo Mendonça (trombone), Pablo Malta (cavaquinho e guitarra baiana), Bruno Vellozo (baixo) e Gustavo Grieco (bateria) recebem o respeitado baixista, arranjador e produtor musical Ivan Corrêa.
O Circuito Baile 2017 é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e conta com o patrocínio do Instituto Unimed-BH.
PROPOSTA DANÇANTE
A ideia de itinerância pela cidade veio do desejo de propiciar encontros com públicos diversos, que têm em comum o apreço pela música e pela dança, e, em alguma medida, resgatar a aura dos bailes de antigamente. “Temos essa proposta de fazer uma música popular e dançante, que é também rica, um produto cultural com suingue, pegada e também com sofisticação e requinte musical”, avalia o músico Rodrigo Torino. “Queremos circular pelos espaços diversos da cidade, fazendo o nosso baile em qualquer lugar onde nós possamos tocar e as pessoas possam dançar”, acrescenta ele.
“Baile” é também o nome do disco que o grupo lançou em 2014 e que em 2015 venceu o Prêmio Marco Antônio Araújo, um dos principais da cena nacional, de melhor disco instrumental. Nos bailes do circuito, o repertório autoral da banda se mistura a clássicos do samba, choro, salsa, maxixe, forró, xote, choro, boleros, gêneros que foram formando o que passou a se chamar de gafieira.
ORIGENS
Gafieira, por definição e origem, diz respeito do local onde as classes mais populares se reuniam para dançar. Há registros desses bailes, marcados por ritmos maxixe, samba e choro, ainda no fim do século XIX e a partir do início século XX, sendo bem comuns especialmente entre as décadas de 1930 e 1960. A essa altura, gafieira não significava tão e somente o local onde essas festas aconteciam, mas já era também um estilo de se divertir e de fazer música. A figura do bom malandro, a malemolência, as damas formosas e os cavalheiros de fina estampa, a sedução da dança, o gingado que é tão associado com a cultura brasileira ajudaram a povoar o universo ao redor do gênero. Para uns, esse ambiente remete a uma tradição carioca – mas também criou raízes fortes em Belo Horizonte em casas como Montanhez, Elite, Estrela, na zona boêmia da cidade, e, depois, na Nova Camponesa e no Tulipão, por exemplo.
Coincidência ou não, em 2007, o músico Rodrigo Torino estudava no Rio de Janeiro e já vinha maturando a ideia de formatar um projeto que se dedicasse ao som de gafieira. “Compus muito nessa época, inclusive canções que depois vieram a integrar o disco gravado em 2014. Quando voltei para Belo Horizonte, no final daquele ano, cheguei já com essa vontade de um grupo de gafieira, samba, choro, mas com mais pegada, com mais pressão, com baixo, bateria, metais, uma coisa mais arrojada. Eu tinha esse nome, Senta a Pua, na memória e achava que ele tinha a ver com o som que eu queria fazer, com uma música brasileira com suingue, dançante, mas sem ser aquele instrumental para iniciados”, relembra Torino, que contagiou colegas da escola de música da UFMG com a ideia e logo o grupo que se formou já estava tocando semanalmente em um bar e, depois, em um projeto que se criou em torno dessa proposta de resgatar o ambiente das gafieiras de outros tempos.
Nesses dez anos de história, o Senta a Pua abriu espaço para vários talentosos músicos da cidade. A formação atual reúne Rodrigo Torino (violão de 7 e direção artística), Ulisses Luciano (trompete), Danillo Mendonça (trombone), Pablo Malta (cavaquinho e guitarra baiana), Bruno Vellozo (baixo) e Gustavo Grieco (bateria). Todos músicos que se destacam na cena mineira.
PARCERIAS E ENCONTROS
Dos momentos mais memoráveis da trajetória do Senta a Pua, Rodrigo Torino destaca os encontros com alguns de seus mestres musicais. “Tocamos em 2008 com o Paulo Moura, recebemos a bênção dele em um show no projeto Choro Livre que, para mim, é histórico e muito importante. Depois, tocamos com a Elza Soares, com o Zé da Velha e o Silvério Pontes. Aconteceu nesse caminho também o saxofonista carioca Eduardo Neves, com quem nos apresentamos várias vezes. Ele acabou se tornando esse grande parceiro e fez os arranjos e a produção musical do disco. Ele também deu seu crivo ao projeto ao imprimir essa assinatura. Tocamos com nossos ídolos, vários músicos circularam, fizemos muitos bailes, vivemos muitas histórias nesse tempo”, relembra o músico.
CONVIDADO DA EDIÇÃO
Ivan Corrêa é considerado um dos músicos mais versáteis e talentosos do país. Além de baixista, é também produtor, arranjador, diretor musical, professor e diretor de Palco. Começou sua carreira tocando em grupos de bailes em Patos de Minas MG, cidade para a qual se transferiu aos 12 anos. Em 1978, mudou-se para BH, onde desenvolveu sua carreia. O baixo é apenas um dos instrumentos com o qual expressa sua música. Estudou, por exemplo, violão no Conservatório Carlos Gomes, em Patos de Minas, e violino na Fundação Clóvis Salgado. Foi discípulo de Ian Guest, na Hungria, onde teve vivências sobre harmonia e improvisação, e de Paulo Moura, no Rio de Janeiro, onde se aprofundou na música popular brasileira. Participou como instrumentista, produtor e diretor de cerca de 850 títulos entre LPs, CDs, DVDs, trilhas e músicas para teatro, cinema e TV.
Baile nº2 | Dia 9 de setembro, às 22h
Convidado especial: Ivan Corrêa
A Autêntica (rua Alagoas, 1.172, Savassi)
Ingressos antecipados a R$ 15 (www.sympla.com.br/aautentica) e R$ 20 na bilheteria, no dia do evento.
Próximas apresentações e outras informações: www.sentaapuagafieira.com.br










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