Idealizado pela cantora e compositora mineira Irene Bertachini e produzido por Bella Godinho, o evento chega à décima edição, no mês da mulher, com quatro shows gratuitos com participações de Dona Eliza, Ana Cristina (Ana C), Brisa Marques, Iaiá Drumond, Sol Bueno, Tamara Franklin, Teffy Angel e Camila Menezes.
No mês internacional de luta pelos direitos da mulher, acontece a 10ª edição do Sarau Substantivo Mulher – evento que valoriza a produção autoral de compositoras e cantoras que se destacam na cena belo-horizontina. A programação prevista para o dia 7/03, sábado, no Teatro Raul Belém Machado, abre, às 17h, com apresentação de duas canções de Irene Bertachini e Deh Muss, seguida de quatro shows com as cantautoras Dona Eliza e Iaiá Drumond, Ana Cristina (Ana C) e Brisa Marques, Sol Bueno e Camila Menezes, Tamara Franklin e Teffy Angel. As artistas serão acompanhadas pelas instrumentistas Letícia Leal (viola) e Analu Baga (percussão). Ao final, o evento oferece um palco aberto para que outras artistas presentes também possam mostrar seu trabalho. A retirada de ingresso é gratuita pela plataforma Sympla ou na bilheteria, uma hora antes do evento.
Com curadoria de Irene Bertachini e Deh Muss, o projeto Sarau Substantivo Mulher (0549/2024) é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Mais informações no Instagram @sarausubstantivomulher e @irenebertachini.
“Quando colocamos a palavra ‘substantivo’ ao lado de ‘mulher’ reforçamos a importância de exigirmos nosso espaço. Ainda somos invisibilizadas. Precisamos celebrar a nossa musicalidade e resistir nesse contexto onde impera o patriarcado”, contextualiza a idealizadora do projeto e uma das curadoras, a cantautora Irene Bertachini. A cantora Deh Muss, que também está na curadoria do evento, destaca: “ainda vivemos em uma sociedade extremamente sexista e machista que sempre relega as mulheres ao anonimato na música ou apenas ao lugar de intérprete, não de pensadoras e criadoras de sua arte e expressão”, diz.
Esta décima edição comemorativa será feita num novo formato, com mais compositoras no palco. Irene Bertachini conta que o público poderá conhecer diferentes musicalidades da composição feminina que pulsam na cidade: “a viola caipira, capoeira, o samba, o hip hop e o erudito, mas também presenciar, no palco, o encontro entre gerações: veteranas e novos talentos da cena autoral. A cada show, uma artista convida outra cantautora para subir ao palco”, diz.
Programação
Após abertura, no dia 7/03, sábado, com canções das cantoras e curadoras do projeto, Irene Bertachini e Deh Muss, a programação segue com o primeiro show, de Sol Bueno. Vencedora do Prêmio da Música Popular de Minas Gerais, como melhor trabalho de música regional, em 2020, a cantora e compositora mineira expressa e abraça, em seu canto e composições, sonoridades tradicionais e contemporâneas que dialogam com suas raízes. No repertório do show, traz canções autorais, de trabalhos já lançados, como canções do novo álbum “Da Avó de vó”, previsto para este ano.
Durante a apresentação, Sol Bueno convida para subir ao palco a multi-instrumentista, compositora, arranjadora, maestrina de corais e produtora musical, em BH/MG, Camila Menezes, que conquistou, com suas composições, 9 premiações em festivais pelo Brasil. A artista também integra projetos relevantes da cena belo-horizontina como as bandas Dolores 602 e Tutu com Tacacá, além de já ter acompanhado artistas como Marina Machado, Celinha Braga e Patrícia Ahmaral. Em 2021, iniciou sua carreira solo com a viola caipira, com gravação de 2 álbuns e 1 EP e turnês por Minas Gerais e São Paulo, e também por Portugal, Espanha, Itália e Argentina. Atualmente, prepara seu 3º álbum solo dedicado à viola.
O segundo show é com a cantora e escritora Ana C (conhecida também como Ana Cristina). Itabirana radicada em Belo Horizonte, Ana C se lança como cantora profissional em 1986, no evento “Semana Elis”, do radialista Tutti Maravilha, no Grande Teatro do Palácio das Artes. Dona de voz cristalina e interpretação versátil, se destacou rapidamente em estilos como bossa nova, jazz e outros que mesclavam a cultura pop emergente dos anos 90. Como compositora, também se dedicou a trabalhos autorais, com vertentes inclusive na composição infantil. Gravou o primeiro disco, “Outras Esquinas”, em 1995, e, de lá para cá, foram mais sete álbuns lançados. O mais recente é “Entrecordas” de 2025. Na apresentação, vai cantar canções autorais, entre elas, uma em parceria com o músico Kristoff Silva, pautada por sentimentos e humores femininos.
Para subir ao palco, Ana Cristina convida a artista multidisciplinar Brisa Marques. Graduada em teatro e jornalismo, Brisa concentra seus trabalhos na escrita, sendo co-autora de canções, dramaturgias e performances. Tem dois livros lançados: “Entre as veias de fato” e “corpo-concreto” e mais de 60 músicas gravadas. Atuou na Rede Minas como produtora e apresentadora. Na Rádio Inconfidência foi produtora, apresentadora e diretora artística. Atualmente é Analista Cultural Regional, na Funarte MG.
No terceiro show do Sarau, é a vez da cantora, compositora e preparadora vocal, Iaiá Drumond, com trajetória desde 1995, na música popular e música de concerto. Formada em Música, com habilitação em Canto, pela UEMG, é cantora efetiva do Coral Lírico de MG.. Como cantora e compositora, já participou de diversas produções, álbuns e eventos na cidade como Salve o Compositor, FAN, IMUNE, Mostra Negras Autoras, Sonora; de Óperas como La Traviata, Carmen, Norma, Carmina Burana. No show, Iaiá Drumond canta canções inéditas e canções do álbum “Γαία”, de 2021, e o álbum “Acende o Candeeiro”, de 2025, – criado em parceria com o grupo Arco Musical referenciando a cultura popular, a capoeira e a sua junção com arranjos contemporâneos e líricos.
Durante o show, Iaiá convida a sambista Dona Eliza (Ana Eliza de Souza). Aos 72 anos, a compositora e intérprete é reconhecida como uma das poucas representantes femininas da Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte. Natural de Águas Formosas, Norte de Minas, filha de lavrador e professora, a artista cresceu enfrentando preconceito e resistência para viver da música. Em 2017, lançou seu primeiro álbum, “Diploma da Vida”, reunindo 12 composições próprias. Hoje, com 50 anos de carreira, é uma das vozes femininas da Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte, reunindo mais de 700 composições registradas.
E para encerrar a noite, o quarto show será conduzido por Tamara Franklin – cantora, compositora, intérprete e arte educadora, natural de Ribeirão das Neves (RMBH), desde a infância vive a cultura Hip Hop. Com 20 anos de caminhada na música e no RAP, sua trajetória premiada é uma ode à resistência poética e à reinvenção estética das epistemologias negras na diáspora. Em 2015, Tamara lança “Anônima”, primeiro álbum solo de uma mulher do RAP mineiro. Com carreira marcada pela coerência política e pela ousadia estética, a artista é hoje uma das expoentes mais relevantes da música negra contemporânea no Brasil. No “Sarau”, Tamara conduz o público a uma experiência sonora e performática, intitulada “Víbora”. Acompanhada por uma DJ, a cantora revela múltiplas dimensões da mulher preta contemporânea, que transitam por diferentes vertentes do RAP — do Boom Bap ao Trap, passando pelo Drill e pelo Jersey — e se deixa atravessar por influências da música jamaicana, dos Afrobeats e do Neo Soul, criando uma atmosfera sonora rica, pulsante e em constante movimento.
Tamara convida, para dividir a cena, a artista plural Teffy Angel. Vinda do Aglomerado da Serra (BH/MG), a cantora e compositora traz vários singles como “Swing Envolvente”, “É Só Você”, “Ladra” e seu primeiro álbum, “Gata Preta” – lançado em 2022. Atua também como comunicadora popular, DJ e produtora musical fazendo misturas de diferentes ritmos com foco na cultura periférica favelada. Já tocou em eventos como Baile Do Popô, Original Sundays, Baile Room, Bud-X, Carnaval de BH, Formaturas, Eventos corporativos e atualmente é Dj residente do Baile da Kingdom.
Sobre o Sarau
O Sarau Substantivo Mulher surge, em 2020, em contexto de isolamento social, fortalecendo a atuação e a diversidade de mulheres no campo composicional brasileiro. Ao contrário da proposta de grandes shows, Irene Bertachini comenta que, desde as primeiras edições, a ideia é valorizar a proximidade com o público. “O ‘Sarau Substantivo Mulher’ traz apresentações sempre em formato mais intimista, com voz, violão e percussão, destacando a canção crua, como ela é concebida, sem arranjos de uma banda. Quando a pandemia acabou e começamos a fazer em formato presencial, passamos a abrir espaço para que outras vozes presentes também pudessem cantar e se fazer ouvidas”, conta.
SARAU SUBSTANTIVO MULHER (10ª edição)
7/03/26, sábado – 17h
Local: Espaço Cênico Yoshifumi Yagi/Teatro Raul Belém Machado
(Rua Leonil Prata 53 – Alípio de Melo)
SHOW 1 – Sol Bueno convida Camila Menezes
SHOW 2 – Ana C convida Brisa Marques
SHOW 3 – Iaiá Drumond convida Dona Eliza
SHOW 4 – Tamara Franklin convida Teffy Angel
Acompanhadas por
Letícia Leal (viola) e Analu Braga (percussão)
Retirada gratuita de ingresso no Sympla
+Info.: @sarausubstantivomulher



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