Peça infanto-juvenil apresenta para os pequenos a história de Chiquinha Gonzaga, compositora fundamental da música nacional
O que acontece se o monstro do esquecimento lançar seu feitiço na sociedade? Aqui no Brasil lutamos contra este mal todos os dias e para contribuir nessa batalha será apresentado nos dias 11,12, 18 e 19 de abril, sábados de domingos, às 16h e 19h, no Teatro Marília (Av. Professor Alfredo Balena, 586. Santa Efigênia), o espetáculo infantil-juvenil “Francisca Menina no País das Melodias”. Trata-se de uma aventura musical livremente inspirada na vida e obra de Chiquinha Gonzaga (1847 -1935). Realizado majoritariamente por mulheres, o espetáculo é idealizado por Priscila Norberto e Heloisa Mandareli, que também assina a dramaturgia e direção geral, e direção musical de Júlia Nascimento. No palco, as atrizes Ana Bárbara Coura e Larissa Ribeiro, e as musicistas do grupo Chorosas Priscila Norberto, flauta, Bárbara Carvalho, pandeiro e percussão, Cissa do Cavaco, cavaco, Poliana Soares, clarinete, e Luciana Alvarenga, piano. “Chiquinha Gonzaga, que completa 180 anos em 2027, é uma artista fundamental da cultura brasileira e uma mulher disruptiva e à frente do seu tempo. Buscamos então dar visibilidade a sua trajetória como uma pioneira: compositora, instrumentista e maestrina. Tudo isso sendo uma mulher negra num contexto extremamente desigual”, explica Heloisa Mandareli. A classificação é livre, os ingressos, que podem ser adquiridos no site da Sympla, custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), e tem acessibilidade em libras.
O espetáculo conta a história da menina Fran, entediada na casa da avó, sem acesso a distrações eletrônicas, até que embarca em uma aventura musical chegando ao país das melodias, um lugar fantástico onde habitam as memórias musicais. Uma boneca aparece e se apresenta para a menina como a memória de Chiquinha Gonzaga. Numa aventura divertida, cheia de sons e música, boneca e menina se unem para salvar o país da melodia do terrível “Monstro do Esquecimento”, numa jornada musical de aventura e coragem. De acordo com a diretora Heloisa Mandareli, a peça aborda a relação da memória, do esquecimento, da imaginação e ensina sobre a preservação da história. “O espetáculo entrelaça a vida de duas Franciscas: uma criança atualmente, imersa na cultura do seu tempo, e uma boneca representando a importante figura histórica de Chiquinha. Também acompanha a jornada de uma pequena heroína que enfrenta seus medos para proteger aquilo que é essencial: a continuidade do País das Melodias”, diz.
De acordo com a diretora Heloisa Mandareli, a peça não se encaixa na definição de musical, mesmo tendo a trilha sonora executada ao vivo. “Não há composições originais, todo o espetáculo é ambientado pela obra de Chiquinha Gonzaga, reforçando sua presença como um símbolo norteador da história”, explica. A diretora musical Júlia Nascimento conta que a inspiração principal para a trilha do espetáculo é Chiquinha Gonzaga. “Buscamos incluir no repertório as composições clássicas da compositora, assim como, trazer ao público obras não tão conhecidas, expandindo o conhecimento da plateia sobre sua obra que perpassa por diferentes estilos que contempla o maxixe, choro, canção e a marcha fúnebre”.
“Francisca Menina no País das Melodias” é um espetáculo necessário porque leva para as crianças a riqueza da música instrumental nacional. “Mas além disso, Chiquinha pode ser também considerada uma figura muito importante no fortalecimento de uma cultura e educação antirracista e à equidade de gênero. Acreditamos que a peça possa despertar o interesse pelas histórias de Chiquinha e de outras mulheres que transformaram e ainda transformam realidades”, observa Helosa. Dessa forma, mostrar a obra Chiquinha é um dever de qualquer agente cultural. “Apresentar essa artista para esse público, e seus pais, é plantar sementinhas no coração das crianças, sobre o potencial de meninas e mulheres, incentivando novas formas de escuta, criação e identificação com referências femininas na história”, atesta a diretora da peça. Com este espetáculo, a trupe deseja trazer o encantamento e a curiosidade acerca da vida e obra de Chiquinha Gonzaga. “Desejamos que assim como nós, que ao longo do processo nos apaixonamos por Chiquinha Gonzaga, também o público, por meio da peça, possa despertar a curiosidade e o desejo de se aprofundar na história e obra da maestrina brasileira”, conclui Heloisa.
Sobre Chiquinha Gonzaga
Francisca Edviges Neves Gonzaga, a Chiquinha Gonzaga (1847-1935), foi compositora, pianista e regente. A primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil combinando o popular com o erudito. Ela é autora da primeira marchinha de carnaval “Ó Abre Alas”. Filha de José Basileu Alves Gonzaga, primeiro-tenente, de família ilustre do Império, e Rosa Maria Neves Lima, filha de uma escravizada. A menina recebeu a mesma educação dada às crianças burguesas da época. Estudou português, cálculo, francês e religião com o Cônego Trindade amigo da família. Estudou música com o maestro Elias Álvares Lobo e aos 11 anos apresentou sua primeira composição, uma cantiga de Natal intitulada “Canção dos Pastores”. A obra de Chiquinha é estimada em trezentas composições, incluindo partituras para dezenas de peças teatrais. A artista foi a primeira mulher a compor para o teatro nacional.
Sobre as Chorosas
O grupo “Chorosas”, que atualmente conta com Mariana Martins, violão, Priscila Norberto, flauta, Poliana Soares, clarineta, Cissa do Cavaco, cavaquinho, e Bárbara Carvalho, pandeiro, foi criado em 2020 como encontro para estudos e refúgio para musicistas de diversos gêneros interessadas em vivenciar a linguagem do choro. Em 2021, estrearam no Festival Baderna. Em 2022, foi realizado o show “Chorosas – compositoras na roda”, na Virada Cultural de BH, e o projeto passou a ser laboratório de pesquisa, prática e divulgação das obras de compositoras do choro.
Chorosas já se apresentou no Festival Santa Comidaria, em 2022, em 2023, no Circuito Cultural, com participação da compositora, cantora e multi-instrumentista Nilze Carvalho, e no Savassi Festival, no Projeto Zás — Assembleia Cultural, em 2024, circulou por São João del-Rei, Tiradentes e Diamantina por meio do edital 10/2024 – Circulação de Espetáculos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) do Estado de Minas Gerais no segundo semestre de 2025.
Em homenagem aos 180 anos de Chiquinha Gonzaga, além do espetáculo “Francisca Menina no País das Melodias”, também apresentarão o show “Ô Abre Alas que Elas Vão Tocar”, que teve sua estreia na Virada Cultural de BH em 2024.
Peça Francisca Menina no País das Melodias
Data: 11, 12, 18 e 19/4/2026, sábados e domingos
Horário: às 16h e 19h
Local: Teatro Marília (Av. Professor Alfredo Balena, 586. Santa Efigênia)
Classificação: Livre
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), no site da Sympla
Acessibilidade em libras.



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