Com curadoria das artistas Ciana e Iaci Carneiro, residência culminou em exposição, que acontece gratuitamente, entre os dias 20 e 24 de outubro, também na Funarte
Após um mês entre encontros de formação, saraus artísticos e produção em ateliê, a 3ª edição da “Exposição Arte na Maternidade” reúne a produção das artistas Ada Medeiros, Amanda Olivier, Nathalia Fragoso e Tita De Lira no galpão 5 da Funarte MG (Rua Januária, 68, Centro). Dedicada ao tema “Lembrança”, a exposição abre no dia 20 de outubro às 18h e fica em cartaz até o dia 24, de 13h às 20h, com entrada gratuita.
A abertura será às 20h e terá o show intimista de voz e violão “O que eu cantei enquanto você dormia”, da artista Mangaia, que acompanha a relação entre uma mãe e sua filha desde antes mesmo do nascimento. O show será às 19h45.
A curadoria ficou a cargo de Iaci Carneiro e Ciana (Luciana Brandão). Ambas foram artistas residentes na primeira edição e agora dividem a experiência de estar do outro lado do processo. “Para mim, a residência é um espaço de formação individual e coletiva, pois nela desenvolvo possibilidades profissionais dentro da minha profissão, seja como artista ou curadora, mas também possibilita criar um contexto em que outras artistas mães se desenvolvam e tenham o seu espaço de criação assegurado”, comenta Ciana.
Nesta edição, as artistas e o público interessado participaram de masterclasses com Ane Valls (construção e elaboração de portfólio), Paula Kimo (carreira e produção cultural), Monica Ventura (trajetória artística antes e depois da maternidade) e Leticia Bassit (escrita criativa).
Exposição multi-linguagens
A exposição reúne arte sonora, pintura a óleo, cerâmica e instalação, e essa diversidade também foi um desejo curatorial. O Movimento Arte na Maternidade desenvolve, por meio da Mostra MAM, projetos culturais em diversas áreas, como música, teatro, circo e poesia. A residência criada pelo coletivo tem se concentrado nas artes visuais, que por si só são um campo de muitas linguagens. Expandir esses campos é garantir a pluralidade da arte produzida por mães que atravessam a sobrecarga social da maternidade e, mesmo assim, não desistem de suas carreiras artísticas.
A curadoria encontrou no eixo da lembrança e do reconhecimento um ponto de encontro entre as quatro artistas. Nathalia nos remete às memórias de sua avó com uma instalação sonora feita de brinquedos produzidos por ela, além de gravações e objetos que atravessam a sua própria história. Amanda traz a lembrança do quintal em que cresceu, o quintal do seu pai, e a relação com ele, marcada pelo fazer, guardar e brincar. Ada, com toda a sua intensidade, faz um paralelo entre sua maternidade, como mãe e como filha, e uma melancia grande, forte, frágil, intensa e recheada de sementes que frutificam e dão lugar a sentimentos que muitas vezes não são nomeados, mas que cabem em imagens.
Mães e filhas
Tita fala da presença ausente de uma paternidade desconhecida e da lembrança de cuidar de cada tecido que já cobriu ou serviu de leito para si e para sua filha.
Para Nathalia Fragoso, “Na residência MAM encontrei um lugar de pertencimento, onde ser artista e mãe cabem juntas. Há um cuidado que circula entre mulheres que vivem situações semelhantes e que alcança também as nossas crianças. Os encontros formativos, as masterclasses e as oficinas estão ampliando meu olhar sobre a minha prática e sobre a minha profissionalização como artista. Considero uma das belezas do percurso conhecer os processos artísticos, as inspirações e as histórias das outras residentes.
A curadoria de Iaci e Ciana, atenta, gentil, generosa e profissional, acompanha cada passo com sensibilidade. A residência chega num momento em que busco me aproximar da criação de instalações, e ainda oferece um tempo de mergulho e imersão tão precioso. É nesse tempo que a instalação que idealizei a partir da penteadeira da minha avó vai se tornando o lugar onde as lembranças moram.”
Já a ceramista Amanda Olivier relata que “Acessar lembranças na memória adormecida é diferente de esquecer. Tem coisas que estão vivas dentro da gente, mais fortes do que nunca, né? Então, foi um mistério acessar essas lembranças juntamente com a minha família, revisitando o quintal no qual cresci, ouvindo minha mãe e minha avó à mesa, contando coisas de suas lembranças também. O cheiro do quintal, as frutas que comia no pé. Esses meses de setembro e outubro foram, de alguma forma, um tempo de renascer em meio ao caos, lidando com o tempo e com os sentimentos, dando vida e forma com terra, argila, fotografias e tecidos, com o que foi e com a lembrança que vai ser a partir daqui em diante.”
Iaci Carneiro, que viveu a residência como artista na primeira edição, conta que “a experiência como curadora foi muito diferente. Estar com os olhos de curadoria nos permite acompanhar processos diversos como espectadoras e, ao mesmo tempo, como parte do processo. A artista nos empresta um pouco da sua trajetória e do seu processo criativo, e nós contribuímos com a nossa experiência e o nosso olhar de espectadoras. Quando falamos de maternidade em grupo, falamos sobre identificação, e é nessa identificação que nasce a potência de um coletivo.”
Como parte do programa de formação e fruição da residência, o projeto realizou duas edições de Sarau nos Centros Culturais Lagoa do Nado e Usina, com feira de artes visuais de mães e masterclass para as artistas e o público interessado. Todas as atividades são gratuitas.
Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte (projeto nº 0165/2024).
3ª “Exposição Arte na Maternidade”
Quando. De 20 a 24/10/2026, das 13h às 20h
Onde. Funarte MG – Galpão 5 (Rua Januária, 68 – Centro)
Quanto. Entrada gratuita










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