Francis Mayer apresenta “Tenente Seblon” em JF e em BH – 28 e 29/03

Espetáculo chega a Minas em primeiras montagens fora do Rio, e no ano no qual se completam 40 anos de morte de Jean Genet

Depois do sucesso da montagem “Marginal Genet”, que passou por Rio, São Paulo, Juiz de Fora, Ouro Preto e Belo Horizonte em 2025, o dramaturgo carioca Francis Mayer volta a visitar o universo queer do autor Jean Genet, considerado escritor de combate que, este ano, completa 40 anos de morte, ainda impactando a opinião pública com uma obra que não perde a atualidade, com um spin-off dramático, “Tenente Seblon”,  livremente inspirado na obra “Querelle” de Jean Genet, que acompanha a trajetória de um tenente, comandante de um navio, que fica ancorado num porto em Toulon, durante uma semana. Genet foi um ladrão que escreveu suas primeiras obras, o poema “Le condamné à mort” (“O condenado à morte”) e o romance de estreia  “Nossa Senhora das Flores” (1944) ainda na cadeia. O espetáculo tem censura de 18 anos, pois apresenta cenas de nudez frontal.

Na montagem, o oficial, que demonstra uma ternura inesperada pela sua tripulação,  desenvolve uma paixão platônica pelo marinheiro Michel. Envolto em uma relação complexa e solitária com os seus desejos, ele tem o hábito de registrar confidências em seu gravador, pelo qual tenta driblar a ambiguidade de sua sexualidade e de seu comportamento. Involuntariamente, ele revela uma feminilidade contida. O ponto de virada ocorre quando esse gravador é roubado e passa a circular nas mãos de um estranho. Sendo chantageado pelo estivador César, ele se lança em um jogo de sedução e tensão crescentes. 

Ao mesmo tempo, um legionário assassinado na cidade e uma invasão seguida de roubo de expressiva quantia a bordo do navio adicionam camadas extras de drama e suspense à narrativa.

Com desdobramentos inesperados, um triângulo amoroso é formado, com um final surpreendente. O navio vai zarpar. Quem segue com eles? “Em tempo de liberdade vigiada, o espetáculo discute a necessidade de se vestir uma armadura como disfarce, criando um personagem aceitável socialmente, para se sobreviver debaixo dela”, dá pistas Francis.

Mais sobre Francis Mayer

Francis Mayer prossegue na sua cartografia de malditos após os polêmicos espetáculos “Marginal Genet” e “Pasolini no deserto da alma”.

Elenco

Pedro Lessa (Max) Moisés Ribeiro (César), Vinícius Moizés  (Tenente Seblon), Rafael Braga (Michel) e Izzac Henrique (Hans Kaufmann). 

Duração: 75 minutos

Classificação: 18 anos (o espetáculo tem cenas de nudez frontal)

Dramaturgia, direção, figurinos e trilha sonora: Francis Mayer 

Cenografia e Iluminação: Riiko Coutinho 

Francis Mayer tem, em seu currículo de diretor, os espetáculos, “Marginal Genet”, “Querelle” e “Alta vigilância”, de Jean Genet, “Pasolini no deserto da alma”, “Detentos”, “Angela Maria – Lady Crooner” (musical), “Cazuza  – Jogado a teus pés” (musical), “Os meninos da Rua Paulo”, com Bruno Gagliasso, “Se você me ama…”, com Danielle Winits, “As meninas” de Lygia Fagundes Telles, “Namoro”, com Natália Lage, “Betty Blue”, de Philippe Djian, “Teen-lover” com Mouhamed Harfouch e Henri Castelli,, “Nó de gravata”, com Luana Piovani, “Zero de Conduta”, de Zeno Wilde, “Os Campeões”, com Rainer Cadete, “Herdeiros”, com Guilherme Leicam, “Folia Tropical”, com Rogéria, “A noite do meu bem”, de Paulo César Coutinho e “O Hóspede”,baseado no filme “Teorema”, de Pasolini,  com Lucas Malvacini, entre outros.

Mais sobre Jean Genet

Genet nasceu de uma prostituta que o criou até os sete meses de vida e o colocou para adoção. Ele sobreviveu, pelas ruas de Paris, como ladrão, sendo preso diversas vezes por roubo. Foi na prisão que  ele  escreveu seu primeiro poema, “Le condamné à mort” (“O condenado à morte”), impresso por ele mesmo, além do romance “Nossa Senhora das Flores” (1944). Jean Paul Sartre e Pablo Picasso pediram e conseguiram, junto ao presidente francês, a sua libertação, e ele nunca mais voltou à prisão. A partir dos anos 1970 até a sua morte, em 1986, engajou-se na defesa de trabalhadores imigrantes na França, assumiu a causa dos palestinos e envolveu-se com líderes de movimentos estadunidenses, como Panteras Negras e Beatniks.

De Jean Genet, Francis Mayer já produziu “Querelle”, em 1989, no Teatro Dulcina, lançando Gerson Brenner como ator, tendo Rogéria no elenco e música-tema (“Quero ele”) composta especialmente por Cazuza; e dirigiu também “Alta Vigilância”, em 1997, no Teatro Candido Mendes, com Carlos Machado, Jonathan Nogueira e Luka Ribeiro. No ano passado, retornou ao universo de Genet com o espetáculo “Marginal Genet”.

Considerado dono de uma imaginação febril e alegórica, Jean Genet cultuava a valorização do prazer, da beleza e do humano. E recriou em peças e romances a mesma marginalidade radical que caracterizou a sua vida, como, “As criadas”, “Querelle”, “O balcão”, “Nossa Senhora das Flores”, “Alta Vigilância”, “Os negros”, entre outros. Sendo um escritor de combate, despertou admiração em um grupo de intelectuais, como Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Jean Cocteau, Sartre, Jacques Derrida, Michel Foucault, o compositor Igor Stravinski  e os líderes políticos Georges Pompidou e François Mitterrand.

O autor Jean Genet esteve no Brasil, em 1970, a convite da atriz e produtora Ruth Escobar para a temporada de “O balcão”, no Teatro Ruth Escobar, e, este ano é marcado pelos 40 anos de sua morte. 

“Tenente Seblon”

Sábado (28), às 20h, no Teatro Solar

Av. Presidente Itamar Franco, 2104, São Mateus,  36025-290

Juiz de Fora

Ingressos aqui a R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia) Trazendo um kilo de alimento não perecível que será doado às vítimas das chuvas , paga-se meia

Domingo (29/03/2026), às 18h, no Cine-Theatro Brasil

Av. Amazonas, 315 – Centro, 30180-000 

Belo Horizonte

Ingressos aqui, a R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada)