Exposição “Finca-Pé: Estórias da terra” promove conversa – 30/8

Atividade gratuita acontece no sábado, 30 de agosto

Com uma sala dedicada ao seu trabalho na exposição “Finca-Pé: Estórias da terra”, o artista mineiro Marcos Siqueira integra a conversa “Corpo-território: como o território habita a obra de cada artista?” junto aos artistas visuais Gisele Camargo e Froiid, com mediação de Flaviana Lasan, no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH). A atividade gratuita acontece no sábado, dia 30 de agosto de 2025, e propõe a reflexão sobre como experiências espaciais, geográficas e afetivas atravessam e moldam as produções visuais dos artistas.

O encontro é mais uma atividade que integra a programação da exposição “Finca-Pé: Estórias da terra”, em cartaz até o dia 1º de setembro no CCBB BH, com obras do brasiliense Antonio Obá. A partir de diferentes formatos, a programação busca ampliar as discussões da mostra e colocá-la em diálogo com outras linguagens e artistas. 

SOBRE OS PARTICIPANTES

Nascido em Betim e residente na Serra do Cipó, Marcos Siqueira desenvolve uma pesquisa artística que parte do solo para criar pigmentos, utilizando-os em trabalhos que evocam cenas da infância, do cotidiano rural e da ancestralidade. Suas pinturas, realizadas sobre madeira com pigmentos naturais, estabelecem um diálogo direto com os temas centrais da exposição, expandindo a mostra para um campo poético em que a terra é, ao mesmo tempo, memória e matéria. 

Também atualmente residente na Serra do Cipó, Gisele Camargo é formada em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Enquanto morou na capital carioca, seu trabalho apresentava paisagens que remetiam ao universo urbano, com uma paleta restrita, a exemplo das séries “Panavison” (2009), “33 trípticos” (2010) e “Falsa Espera” (2012). Esta última foi registrada em livro. Em março de 2017, a artista se mudou para Serra do Cipó, uma mudança que refletiu no seu trabalho quando os rudimentos de uma paisagem orgânica abriram a paleta de cores e agregaram elementos simbólicos às pinturas.

Froiid é artista multidisciplinar e curador, Mestre em Artes Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGARTES/ UEMG), graduado em Licenciatura em Artes Plásticas pela Escola Guignard (UEMG), vencedor do prêmio SESC Arte na 22° Bienal Sesc_Videobrasil (2023), vencedor do Prêmio Décio Noviello de Artes Visuais 2020, indicado ao Prêmio PIPA (2022/2023) e residente do Bolsa Pampulha em 2022. Desde 2014, Froiid vem construindo uma diversificada produção, que inclui jogos, instalações, objetos, vídeos, fotografias, e trabalhos sonoros. Ao experimentar as regras de jogos, o artista busca superar o dualismo entre norma e liberdade, instituição e criação, indivíduo e sociedade.

Na mediação, Flaviana Lasan traz na bagagem uma década de atuação nas artes visuais, teatro e cinema. Licenciada em Artes Visuais, pós-graduada em Ensino de História e América Latina e mestranda em Educação, esteve à frente de projetos como a Feira JUNTA, o Festival Audiovisual de Cultura (FAC); curadoria no CURA – Circuito Urbano de Arte, o 5º Prêmio Décio Noviello e de mostras no Palácio das Artes, Museu de Artes e Ofícios, Sesc Palladium, entre outros. Atualmente é colaboradora do Estúdio Verkron (Luanda/Angola), curadora residente do programa xou.rumi da CAPACETE, no Rio de Janeiro, e assistente regional cultural na Fundação Nacional de Arte – FUNARTE, em Minas Gerais.

SOBRE A EXPOSIÇÃO 

“Finca-Pé: Estórias da terra” teve estreia no CCBB Rio de Janeiro e integra a itinerância nacional do projeto, que passará, ainda, por Brasília. Com curadoria de Fabiana Lopes, “Finca-Pé” propõe um mergulho nas experimentações de Obá sobre a relação entre o corpo, o território e a permanência. “A terra pode ser o chão, pode ser Cerrado, pode ser planeta, pode ser um jardim imaginário ou um jardim interior do indivíduo. A experiência de caminhar pela exposição é a de transitar por essa multiplicidade”, ilustra a curadora.

O título remete ao gesto de fincar os pés no chão como atitude de resistência e existência. “Acredito que as obras que faço, não raro, refletem um pouco sobre esse estar no mundo e senti-lo. Não só vê-lo, mas cheirá-lo, tocá-lo, escutá-lo, e cada um desses sentidos atua como catalisador do que pode ser potencialmente estético, dentro de uma pesquisa”, comenta o artista.

O conjunto de obras inclui desenhos, pinturas, instalação, cadernos do artista e o filme-performance Encantado, que convida o público a refletir sobre símbolos e rituais, principalmente ligados a práticas espirituais e religiosas. O artista se inspira na figura do peregrino, que caminha para cumprir uma promessa e transforma essa jornada em uma experiência visual e sensorial. 

No percurso expositivo, a instalação “Ka’a pora” (2024) ganha destaque, composta por 24 esculturas de pés em bronze, adornados com galhos, que evocam a relação íntima com a terra natal do artista, o Cerrado, muito presente em toda sua produção. Também faz referência à grandiosidade cíclica das árvores, marcações temporais características da região. “Essa obra se relaciona com a resistência, mas também com a forma como o Cerrado se renova após a estiagem, voltando ao verde com a primeira chuva. Isso, para mim, é uma imagem potente da existência”, explica Antonio Obá.

Na série “Crianças de coral – nigredo/coivara” (2024–2025), composta por 12 retratos em carvão sobre tela, as imagens são construídas camada a camada, em um gesto de esculpir com o carvão em pó. 

A mostra também apresenta conjuntos de desenhos em técnicas variadas, como grafite, giz de cera, extrato de noz, bico de pena e nanquim dourado. Os cadernos do artista revelam esboços, anotações e processos de pensamento em constante trânsito. “Enquanto estou pintando, fico pensando com a pintura, nas informações que vão sendo formadas ali, no que a imagem diz além do que se vê, quais são os intertextos que ela vai tecer. Então, se principia uma obra, mantém-se a pesquisa de imagens, referências correlacionadas e algo de criativo e inesperado se dá à consciência, mas que só vem através da labuta, da mão na massa”, comenta Obá.

Marcos Siqueira agrega com obras que evocam cenas da infância, do cotidiano rural e da ancestralidade. Os trabalhos de Siqueira estabelecem um diálogo direto com os temas centrais de Antonio Obá, expandindo a mostra para um campo poético em que a terra é tanto matéria quanto memória. 

“Finca-Pé: Estórias da terra” tem patrocínio do Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A realização é do Ministério da Cultura e do Centro Cultural Banco do Brasil, com produção da Magnólia Produtos e Artefatos Culturais.

SOBRE OS ARTISTAS

Antonio Obá investiga as relações de influência e contradições dentro da construção cultural do Brasil, tensionando memórias identitárias, raciais e políticas. Sua produção transita entre escultura, pintura, instalação, performance e desenho. Suas mostras individuais mais recentes incluem Pinacoteca de São Paulo, Centro de Arte Contemporânea de Genebra, Oude Kerk – Amsterdam, X Museum, e de coletivas no MASP, 12 Bienal de Liverpool, Bourse de Commerce – Pinault Collection, MAM RJ, Zeitz MOCAA e Museu Nacional da República.

Marcos Siqueira nasceu em Betim (MG), em 1989, e vive na Serra do Cipó. Sua pesquisa parte da terra como matéria e símbolo, criando pigmentos extraídos do solo da região onde vive. Participou de exposições coletivas como Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro (SESC SP/RJ, 2023–2024) e de individuais como Matutar (Mendes Wood DM, Nova York, 2024). Em 2023, teve obra adquirida pela Pinacoteca de São Paulo. Também integrou a seção Focus da Frieze NY em 2023.

CIRCUITO LIBERDADE

O CCBB BH é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.

Conversa “Corpo-território: como o território habita a obra de cada artista?”

Data: 30 de agosto de 2025 (sábado)

Horário: 16h

Local: Teatro I – CCBB BH

Duração: 90 minutos

Entrada: gratuita mediante retirada de ingresso pelo site ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB BH

Classificação: Livre

Exposição: “Finca-Pé: Estórias da terra”, de Antonio Obá

Visitação da mostra: até dia 1° de setembro de 2025
Local: Galerias do Térreo – Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários, Belo Horizonte – MG).
Funcionamento: quarta a segunda, das 10h às 22h (fecha às terças)
Entrada: gratuita mediante retirada de ingresso pelo site ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB BH

Classificação: Livre