Esther Faingold lança o romance Apneia em BH – 26/09

Autora conversa com Humberto Werneck e Mônica de Aquino no dia 26 de setembro, na Livraria Quixote; obra chega à capital após lançamentos em outras cidades, encontro com Nilton Bonder no Rio e repercussão entre nomes como João Paulo Cuenca

Belo Horizonte recebe, no dia 26 de setembro, o lançamento de Apneia, romance de estreia da escritora e artista visual Esther Faingold, publicado pela Cosac. O encontro será realizado das 11h às 14h, na Livraria Quixote, na Savassi, com entrada gratuita. Esther conversa com os escritores Humberto Werneck e Mônica de Aquino sobre literatura, arte contemporânea, fé, corpo e memória. Em seguida, haverá sessão de autógrafos.

Apneia chega à capital mineira depois de uma trajetória que vem reunindo escritores, leitores e críticos em torno da obra. No Rio de Janeiro, o lançamento aconteceu na Livraria da Travessa de Ipanema e reuniu Esther em uma conversa com os escritores Emanuel Aragão e Nilton Bonder, autor de obras como A Alma Imoral. O encontro ampliou o debate sobre questões que atravessam o romance, como memória, maternidade, identidade, corpo, sexualidade, fé e finitude.

A repercussão também se expressa na leitura de nomes importantes da literatura brasileira. O escritor e cineasta João Paulo Cuenca sintetizou a força que encontrou no romance:

“Apneia é tudo isso: nascimento e dissolução, solve et coagula em fogo e fúria, de uma autora que escreve para provar que existe, para que o mundo exista, como se a vida dependesse disso — porque sabe que a vida depende disso.”

A relação de Cuenca com o trabalho de Esther antecede a publicação do romance. Em 2024, o escritor participou dos debates realizados em torno da exposição Qualquer coisa animal, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP, período em que trechos do livro que viria a se tornar Apneia já integravam as reflexões e leituras propostas pela artista.

Memória diante da possibilidade do esquecimento

No centro de Apneia está uma situação-limite. Uma mulher, diante de um tratamento médico que pode afetar suas lembranças, começa a escrever para a filha adolescente. O gesto de preservação da memória se transforma em uma narrativa fragmentada sobre infância, maternidade, relações familiares, deslocamentos, sexualidade, amor, violência, identidade, perda e ausência.

O passado não aparece como uma sequência organizada de acontecimentos. As lembranças surgem em fragmentos, associações, interrupções e vazios. Diferentes tempos e lugares se cruzam enquanto a protagonista procura registrar aquilo que poderá deixar de lembrar — e, ao fazê-lo, confronta não apenas sua história, mas a própria fragilidade da existência.

A escrita torna-se, assim, uma forma de resistência ao desaparecimento. Mais do que reconstruir uma biografia, Apneia investiga o que permanece de uma vida quando a memória é colocada em risco e questiona até que ponto aquilo que lembramos — e também aquilo que esquecemos — constitui quem somos.

Repercussão na crítica literária

Desde o lançamento, o romance vem conquistando espaço na imprensa cultural e especializada em literatura, com abordagens em veículos como Valor Econômico, Harper’s Bazaar, A Tarde e O Odisseu, além de textos de escritores e críticos como Tatiana Salem Levy e Ronaldo Bressane.

Na Harper’s Bazaar, Patrícia Favalle chama atenção para a maneira como Esther transporta para o romance questões que já atravessavam sua produção poética e artística, relacionando memória, depressão, maternidade, perda e amor sem recorrer à idealização.

Em O Odisseu, a escritora Myriam Scotti destaca a escrita precisa de Esther e a ideia do livro como uma espécie de espólio íntimo produzido diante da ameaça do esquecimento.

No Valor Econômico, Tatiana Salem Levy parte da leitura de Apneia para refletir sobre o confronto com a finitude e sobre a presença da vida justamente no momento em que a personagem se aproxima da possibilidade de sua própria ausência.

O escritor e crítico Ronaldo Bressane, por sua vez, chama atenção para a estrutura fragmentária da narrativa e para o modo como forma, memória e identidade se articulam ao longo do romance.

Assim, Apneia chega a Belo Horizonte não apenas como um novo lançamento editorial, mas como uma obra que vem gerando leituras, interpretações e conversas distintas sobre algumas das experiências mais universais da existência: lembrar, esquecer, amar, perder e tentar permanecer.

Literatura e artes visuais

Apneia é o primeiro romance de Esther Faingold, mas sua trajetória artística precede a ficção. Escritora, poeta e artista visual, Esther publicou Ethers, pela Cosac Naify, e desenvolveu ao longo dos anos uma produção na qual palavra, imagem, corpo e memória frequentemente se encontram.

Em 2024, apresentou a exposição Qualquer coisa animal, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da USP, aproximando literatura e artes visuais e trazendo para o debate questões que posteriormente ganhariam nova dimensão em Apneia.

Essa circulação entre linguagens também ajuda a explicar a construção do romance: uma narrativa em que memória e forma estão profundamente ligadas e na qual os vazios, interrupções e fragmentos são tão importantes quanto aquilo que é efetivamente narrado.

A passagem por Belo Horizonte acrescenta uma dimensão especial à trajetória do livro. Esther mantém uma relação de longa data com a cidade e dividirá a conversa na Quixote com dois nomes diretamente ligados à literatura mineira: Humberto Werneck, escritor e jornalista nascido em Belo Horizonte, e Mônica de Aquino, poeta e escritora também mineira.

O encontro propõe, assim, ampliar as questões levantadas pelo romance para uma conversa sobre literatura, arte contemporânea, fé, corpo e memória — territórios presentes tanto em Apneia quanto na própria trajetória artística da autora.

Lançamento de Apneia, de Esther Faingold
Data: 26 de setembro de 2026, sábado
Horário: 11h às 14h
Local: Livraria Quixote
Endereço: Rua Fernandes Tourinho, 274 – Savassi – Belo Horizonte
Conversa: Esther Faingold, Humberto Werneck e Mônica de Aquino
Após o encontro: sessão de autógrafos
Entrada gratuita
Editora: Cosac