Escrita e dirigida por Apolo Oliveiras, O filho, a mãe e o bicho acompanha quatro
personagens que se encontram em um mesmo espaço de espera, cada um atravessado por
uma história particular e por diferentes concepções de justiça. Entre lembranças, conflitos e
revelações, a peça investiga as relações entre abandono, violência e responsabilidade,
colocando em cena as contradições que emergem quando os limites entre vítima e
responsável se tornam difusos.
O texto começou a ser desenvolvido no Núcleo de Pesquisa em Dramaturgia do Galpão
Cine Horto, em Belo Horizonte, sob a coordenação de Vinícius de Souza. Em junho de
2026, o processo ganhou uma nova etapa com a ocupação do Teatro Espanca, onde teve
início a criação do espetáculo, acompanhada da apresentação de um ensaio aberto ao
público. A montagem marca a estreia de Apolo Oliveiras como dramaturgo e diretor,
consolidando uma investigação autoral sobre dramaturgia, corpo e relações humanas.
Partindo de situações íntimas e familiares, a obra amplia seu olhar para as violências que
atravessam a vida cotidiana e para as estruturas que determinam quem será
responsabilizado, ou permanecerá desamparado, diante delas. A negligência do Estado e a
violência geracional integram as questões que atravessam a narrativa, aproximando
conflitos individuais de problemas sociais mais amplos.
Em um espaço marcado pela espera, os personagens são confrontados tanto com aquilo
que fizeram quanto com aquilo que sofreram. À medida que suas histórias se cruzam, a
peça tensiona as fronteiras entre escolha e consequência, justiça institucional e reparação
individual. A justiça, nesse contexto, não surge como uma resposta definitiva, mas como
uma pergunta que acompanha toda a encenação: quem deve ser responsabilizado quando
uma vida é marcada pelo abandono?
Ao reunir situações cotidianas e acontecimentos extremos, O filho, a mãe e o bicho convida
o público a acompanhar histórias que, pouco a pouco, revelam conexões inesperadas. A
montagem propõe uma reflexão sobre as diferentes formas de violência, os efeitos que elas
produzem nas relações humanas e os limites da responsabilização em uma sociedade na
qual nem todos têm as mesmas condições de escolha, proteção e reparação.
A produção reúne artistas em diferentes momentos de suas trajetórias, incluindo integrantes
que estreiam no teatro com o espetáculo. Entre a pesquisa dramatúrgica e a
experimentação cênica, a obra se constrói como um espaço de investigação sobre os
vínculos familiares, as marcas do abandono e as maneiras pelas quais cada sujeito elabora
suas próprias noções de justiça.
Ficha técnica:
Elenco: Laura Reder, Kaline Barboza, Giulliano Marques, Bernardo Franco
Texto e direção: Apolo Oliveiras
Produção: Izadhora Cristina
Iluminação: Felipe Gontijo e Guilherme Romero
Sonoplastia: Stherego
Direção de arte: Cadu Barletta
Design: Olivia Lloyd
Apoio: Thaddeus
Espetáculo: O filho, a mãe e o bicho
Datas: 6 à 8 de novembro de 2026
Horários: 20:00 (sexta e sábado); 19:00 (domingo)
Local: Galpão 4 da Funarte MG – Rua Januária, 68, Centro – Belo Horizonte/MG
Valor: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Link ingressos: https://www.sympla.com.br/evento/o-filho-a-mae-e-o-bicho/3611329
Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 14 anos









