Espetáculo de improvisação “Peças Sonoras” – 07 e 08/04

Trabalho que mistura sons, movimentos e esculturas cinéticas terá circulação inédita com apresentações e oficinas por quatro cidades mineiras, entre os meses de março e maio deste ano; estreia acontece em BH, no Teatro Marília, nos dias 7 e 8 de abril

Acaso, composição, escuta e meditação. Dança, música, instalações e esculturas cinéticas. Improviso e imprevisto; analógico e digital; chão e ar. As mais diferentes interrelações possíveis entre sons, movimentos e objetos musicais dão o tom do espetáculo “Peças Sonoras”, fruto da parceria entre a coreógrafa Thembi Rosa e o duo instrumental O Grivo. Criado em 2021, em meio à pandemia da Covid-19, o trabalho finalmente chega aos palcos de Minas Gerais, em uma circulação que passa por quatro cidades do Estado, entre abril e maio deste ano.

A estreia acontece em Belo Horizonte, no Teatro Marília, nos dias 7 e 8 de abril (terça e quarta-feira), às 19h, pelo Terça da Dança, programação do CR Dança. A apresentação do dia 8 terá audiodescrição para pessoas cegas e de baixa visão. Às 18h30, haverá uma visita ao palco antes da apresentação, destinada a este público. Os ingressos para a apresentação são gratuitos e podem ser retirados pela Sympla. Também no dia 8, das 14h às 16h, será realizada uma oficina sobre a relação entre dança, música, improvisação e objetos sonoros. A participação é gratuita e por ordem de chegada, sem necessidade de inscrição prévia.

Após BH, a circulação segue por Ipatinga, em abril, e termina em Nova Lima e Tiradentes, em maio. Em todas as cidades, serão realizadas duas sessões do espetáculo e uma oficina. As datas e locais das próximas apresentações serão confirmados em breve. 

O projeto “Peças Sonoras” é realizado pelo Ministério da Cultura do Brasil, por meio da Política Nacional Aldir Blanc, e conta com apoio do Governo Estadual de Minas Gerais, da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, do C.A.S.A. (Centro de Arte Suspensa e Armatrux), do festival Tiradentes em Cena e do Hibridus Pontão de Cultura. 

Encontro de elementos

O espetáculo surgiu do anseio de Thembi Rosa em conversar com os objetos sonoros criados pelo Grivo, duo com o qual a artista desenvolve trabalhos em parceria de dança e música desde o ano 2000. “‘Peças Sonoras’ surgiu na pandemia. Sempre assistindo aos concertos do Grivo, eu tinha vontade de ver essas esculturas cinéticas que eles fazem, em uma escala que desse para dialogar com o corpo. Queria dançar dentro desses objetos”, relembra. “Fizemos uma série de vídeos na CasaManga, que é um espaço coletivo de mulheres, e essa primeira versão em vídeo foi feita com a Margô Assis, que foi minha parceira em muitos trabalhos. Foram cinco vídeos com cinco objetos sonoros diferentes. A série se chamou ‘Tocar’, e o espetáculo derivou daí”.

Thembi conta que O Grivo criou objetos a partir do bambu, utilizando microfones de contato que produzem sons de acordo com o toque ou o deslizamento no chão. Assim, computadores, corpos, fios, bambus e madeiras entrelaçam-se, gerando sons e movimentos na criação deste ambiente sonoro e coreográfico. “Como esses objetos são bem flexíveis, eles trazem o imprevisto instigando aina mais a improvisação. A gente não tem um controle absoluto da cena, por mais que haja uma estrutura inicial, nem da coreografia e nem da sonoridade”, afirma. “O espetáculo tem uma abertura para o acaso, e é isso que interessa nesse diálogo. Sempre tem aspectos que são da afinação no instante, da improvisação, da criação e do diálogo que se estabelece entre dança, música, objetos, luz”, completa.

Para a artista, um dos fatores mais interessantes do espetáculo é a relação de diálogo e de autonomia que os elementos do espetáculo conseguem manter no espetáculo. “Embora som e dança estejam juntos, eles têm uma independência. Claro que esses jogos vão se contaminando, vão se influenciando, mas não tem uma predisposição de subserviência. Não há uma relação hierárquica entre sons e movimentos”, afirma Thembi, ressaltando que a luz, assinada por Pedro Pederneiras, também irá propor um novo ambiente. “Acho que a gente busca um pouco disso. Escuta, abertura e interdependência. Um estado de presença”.

Thembi Rosa

Artista, produtora e pesquisadora. Doutora em Artes pela EBA/UFMG, mestre em dança pelo PPG-Dança da UFBA e graduada em Letras pela UFMG. Integra a CasaManga, em Belo Horizonte; o coletivo de mulheres Impermanence na França e o Grupo de Pesquisa Performance & Cognição na Universidade NOVA de Lisboa. Professora certificada em Gyrotonic, Gyrokinesis e Move Flow. Seu trabalho em dança está relacionado à investigação com interfaces digitais e a interação entre movimentos, sons e imagens. Com Margô Assis e convidados desenvolveu a intervenção urbana “Parquear Bando”, apresentada em diversas cidades no Brasil, México, Uruguai, Portugal e França. Produziu e participou de diversas residências artísticas internacionais: “Stick with me. bambu!” (2023), no Parc de la Villete; “Impermanence” (2022), programa “Cruzamentos”, em Chaillot-Thêatre National de la danse, em Paris; Bienal de Dança do Ceará e na Funarte MG; “Motion Bank Lab Brazil” (2019); “CCL 7 – Choreographic Coding Lab” (2016); “Interferências” (2013), entre outras. Seus projetos foram premiados pelo “Incentivarte Nova Lima”, “Prêmio Klauss Vianna”, “Rumos Dança Itaú Cultural”, “Cena Minas”, “Filme Minas,” dentre outros.

O Grivo

Em fins de 1990, O Grivo realizou seu primeiro concerto em Belo Horizonte, iniciando suas pesquisas no campo da “Música Nova”. Interessado na expansão do seu universo sonoro e na descoberta de maneiras diferentes de organizar suas improvisações, o grupo vem desenvolvendo sua linguagem musical. Em função da busca por “novos” sons e por possibilidades diferentes de orquestração e montagem, O Grivo trabalha com a pesquisa de fontes sonoras acústicas e eletrônicas, com a construção de “máquinas e mecanismos sonoros”, e com a utilização, não convencional, de instrumentos musicais tradicionais. Em consequência desta pesquisa, que leva ao contato com os objetos e materiais mais diversos, cresce a importância das informações visuais e da sua organização nas montagens do grupo. A isto se soma um diálogo, também ininterrupto, com o cinema, vídeo, teatro e a dança. Nas instalações/concertos o espaço de fronteira e interseção entre as informações visuais e sonoras é o lugar onde se constrói nossa experiência com conceitos como textura, organização espacial, sobreposição, perspectiva, densidade, velocidade, repetição e fragmentação. Seus trabalhos foram apresentados no MOMA SF; na 28a Bienal de SP; no Sesc SP; Galeria Nara Roesler; no MAR (RJ); na Multiplicidade; em Gijón, na Espanha; entre outros. 

THEMBI ROSA E O GRIVO APRESENTAM “PEÇAS SONORAS”

BELO HORIZONTE

Teatro Marília – Av. Professor Alfredo Balena, 586 – Santa Efigênia

Apresentações | 7 e 8 de abril de 2026 (terça e quarta-feira), às 19h

Retirada de ingressos gratuitos pela Sympla

Oficina | 8 de abril (quarta-feira), das 14h às 16h

Participação gratuita, por ordem de chegada

PRÓXIMAS CIDADES 

Ipatinga (abril); Nova Lima e Tiradentes (maio)

Datas e locais em breve

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