A programação de abril do Cine Graciano é dedicada ao cinema documental, reunindo 17 produções de diferentes estados brasileiros e coproduções internacionais. Ao longo do mês, o público encontra filmes de diversas abordagens — do documentário observativo ao performativo — em uma curadoria que atravessa diferentes formas de relação com o real. A partir deste mês, a sessão da tarde passa a ter novo horário, com exibições às 17h.
No dia 9 de abril, às 17h, Um Jóquei Cearense na Coreia, de Guto Parente e Mi-Kyung Oh, acompanha a rotina de um atleta brasileiro no exterior, entre deslocamentos culturais e experiências de não pertencimento. Às 19h, a sessão reúne três curtas: Faço de mim o que quero, Belos Carnavais e Babilônia, que percorrem universos ligados à música, ao carnaval e à cena queer cubana.
Entre os destaques do mês está a Semana dos Povos Indígenas. No dia 14, às 19h, será exibido A Febre, de Maya Da-Rin, que acompanha a vida de um indígena deslocado para o contexto urbano. No dia 16, às 17h, Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá acompanha a busca de duas mulheres pelo pai, separado da família durante a ditadura militar. Encerrando a semana, no dia 21, às 19h, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, apresenta o cotidiano do povo Krahô e seus dilemas contemporâneos.
Ainda no dia 21, também às 19h, será exibido Chão, de Camila Freitas, que acompanha as ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em Mato Grosso do Sul.
No dia 23 de abril, a programação começa às 17h com Super Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos, de Sérgio Oliveira, que retrata o cotidiano de uma banda de baile no sertão pernambucano. Às 19h, Maestra, de Bruna Piantino, acompanha a trajetória de uma mestra de obras e articula questões sobre trabalho, gênero e cidade.
No dia 28, às 19h, Baixo Centro, de Ewerton Belico e Samuel Marotta, acompanha personagens em deslocamento contínuo pela cidade de Belo Horizonte.
Encerrando o mês, no dia 30, às 17h, #eagoraoque, de Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald, propõe reflexões sobre engajamento político. Às 19h, Madalena, de Madiano Marcheti, acompanha três jovens cujas trajetórias se cruzam a partir de um acontecimento violento no interior do Mato Grosso do Sul.
Com foco no cinema documental e em suas múltiplas formas, a programação de abril propõe um percurso por diferentes territórios, experiências e modos de narrar o mundo.
SOBRE A FILME DE RUA
A Filme de Rua tem suas primeiras movimentações em 2010, a partir de rodas de conversa organizadas pela psicanalista Joanna Ladeira com jovens que tinham as ruas como espaço de moradia e vivência, entre eles Hugo, Maíra, Samuel, Lelo, Alexander. Inicialmente, os encontros ocupavam o antigo espaço Miguilim e depois o Viaduto Santa Tereza. Em 2015, esse grupo informal consolidou-se como um coletivo – integrado também por Joanna, Ed Marte, Daniel Carneiro, Guilherme Melo, Paula Kimo e Zi Reis, – com o objetivo de ver e fazer filmes, junto a essa juventude. Foi produzido o curta-metragem “Filme de Rua” (2017), premiado em festivais pelo país. Com o tempo, outras pessoas passaram a integrar o coletivo e, mais tarde, a Associação.
A produção colaborativa tornou-se método, criando um espaço de expressão e aprendizado que resultou em outros curtas como “Maloca”, “Chuá de Maloqueiro” e dois longas, “Pérola” e “Ficção tipo real”, atualmente em fase de finalização. Em 2019, com projetos premiados no Rumos Itaú Cultural, o coletivo formalizou-se como Associação Cultural e ocupou sua primeira sala de cinema no Edifício Sulamérica, inaugurando a ocupação cultural desta localidade no centro da cidade. O espaço tornou-se pólo cultural, hospedando debates, seminários, mostras e exibições, fechando as suas portas em 2023 e hoje revivendo com a iniciativa do Cine Graciano
QUEM FOI HUGO GRACIANO
A sala de cinema tem, em seu nome, uma homenagem a Hugo Graciano, um dos jovens com trajetória marcante junto à Filme de Rua, participante do coletivo desde o seu início, e que partiu em março de 2024, com apenas 26 anos. Conhecido por sua persistência, alegria, amizade e criatividade, ele atuou como artista, criador e mobilizador da Filme de Rua. Também é pai do Samuel e atuou como redutor de danos no Consultório de Rua, da PBH. Aos 7 anos, Hugo encontrou-se em situação de rua, onde viveu por muitos anos. Ao longo da vida, ele se tornou uma força positiva para muitas pessoas. Agora, a Filme de Rua celebra a sua vida e o homenageia, com a criação do Cine Graciano.
09/04 (quinta-feira)
• 09/04 (quinta-feira), 17h – Um Jóquei Cearense na Coreia (Guto Parente e Mi-Kyung Oh)
• 09/04 (quinta-feira), 19h – Rádio brega, samba e transformismo
Faço de mim o que quero (Sérgio Oliveira e Petrônio de Lorena)
Belos Carnavais (Thiago B. Mendonça)
Babilônia (Duda Gambogi)
14/04 (terça-feira)
• 14/04 (terça-feira), 19h – A Febre (Maya Da-Rin)
16/04 (quinta-feira)
• 16/04 (quinta-feira), 17h – Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá
21/04 (terça-feira)
• 21/04 (terça-feira), 19h – Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (Renée Nader Messora e João Salaviza)
• 21/04 (terça-feira), 19h – Chão (Camila Freitas)
23/04 (quinta-feira)
• 23/04 (quinta-feira), 17h – Super Oara (Sérgio Oliveira)
• 23/04 (quinta-feira), 19h – Maestra (Bruna Piantino)
28/04 (terça-feira)
• 28/04 (terça-feira), 19h – Baixo Centro (Ewerton Belico e Samuel Marotta)
30/04/2026 (quinta-feira)
• 30/04 (quinta-feira), 17h – #eagoraoque (Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald)
• 30/04 (quinta-feira), 19h – Madalena (Madiano Marcheti)
Cine Graciano
Rua Itapecerica, 468, Lagoinha
Entrada gratuita (Sem retirada de ingressos. É só chegar!)
Informações: instagram.com/filmederua



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