Circuito de Música Alaíde Costa acontece entre março e agosto deste ano, com seis shows gratuitos em diferentes Centros Culturais Municipais da cidade. Abertura será no dia 8, com a cantora, compositora e instrumentista mineira Júlia Deodora, no Centro Cultural Liberalino Alves, na Lagoinha.
Belo Horizonte recebe, a partir de março, a primeira edição do Circuito de Música Alaíde Costa, uma homenagem à cantora ícone da bossa nova pela voz de artistas mineiras, em shows gratuitos que acontecerão em diferentes Centros Culturais Municipais da cidade. A iniciativa é idealizada pela atriz, musicista, produtora e educadora Thâmara Mazur, e incentivada pelo Fundo Municipal de Cultura. “É um projeto que nasceu do desejo de fortalecer a música mineira, ampliar o acesso à produção artística local e enfrentar desigualdades históricas que ainda marcam a presença de mulheres e pessoas trans na cena musical”, explica Thâmara Mazur. A abertura acontece no dia 8 de março, às 16h, no Centro Cultural Liberalino Alves, na Lagoinha, com a cantora, compositora e instrumentista mineira Júlia Deodora. A entrada é gratuita em todos os centros culturais.
Seis encontros, seis territórios – Thâmara Mazur sublinha que mais do que uma série de apresentações, o Alaíde constitui uma ação estruturante, que articula música, diversidade, território e políticas públicas. “O ponto de partida é o grupo de instrumentistas, que foi criado exclusivamente pela nossa diretora musical para o festival e tem participação majoritária de mulheres e pessoas trans. A cada show, essa banda convida uma artista diferente, criando encontros inéditos, trocas de repertório e novas narrativas no palco, num movimento de mulheres que se inspiram”, explica a idealizadora e coordenadora do circuito.
Ao todo, serão seis shows, em seis Centros Culturais de Belo Horizonte e da Região Metropolitana. Cada apresentação contará com uma cantora convidada – Júlia Deodora, Jeh Senhorini, Bahia, Ana Hilário, Vitória Pires e Thâmra Manzur -, que trará um repertório que homenageia cantoras brasileiras consagradas. Com direção musical de Luiza Larmara, a banda traz as instrumentistas Babi Lómaz, Carol Ramalho, Jô Silva e Luísa Martins como protagonistas. Um dos diferenciais do circuito é a decisão de colocar a banda de instrumentistas no palco – e não nos bastidores –, reforçando a visibilidade dessas profissionais. “É uma forma de valorizar a presença das instrumentistas e dar protagonismo a quem historicamente ocupou espaços secundários nas rodas de samba e demais atrações culturais da capital. O gesto é simbólico e político: naturaliza a presença de corpos diversos na linha de frente da criação musical”, diz Thâmara Mazur, ressaltando a natureza do projeto.
Dessa forma, ao propor uma série de shows com uma banda formada exclusivamente por mulheres e pessoas trans, além de equipes majoritariamente compostas por esses grupos, o Circuito de Música Alaíde Costa promove equidade de gênero e diversidade. Realizado em equipamentos públicos distribuídos por seis regiões do município, incluindo áreas de vulnerabilidade social, a iniciativa ainda fortalece a ocupação democrática dos espaços culturais e atua de forma pedagógica, ampliando repertórios e imaginários sobre quem pode estar no palco.
Circuito de shows – A cantora, compositora e instrumentista mineira Júlia Deodora assume a abertura do circuito no dia 8 de março, às 16h, no Centro Cultural Liberalino Alves, na Lagoinha. Sua obra transita entre a canção popular brasileira e as experimentações contemporâneas, marcada pela presença da palavra, da memória e do afeto. O repertório do show contempla 21 músicas, entre autorais e releituras de outros artistas, além da canção “Me deixe em paz” do Milton Nascimento em parceria com Alaíde Costa.
O segundo show será realizado no Centro Cultural Venda Nova, no dia 11 de abril, às 16h, com Jeh Senhorini, artista belorizontina com 21 anos de trajetória, cuja sonoridade mistura pop rock, MPB e forró. Pessoa não binária desde 2021, vive nova fase criativa e prepara lançamento para 2026. No dia 9 de maio, às 14h, o Centro Cultural Vila Santa Rita, no Barreiro, recebe Bahia, artista independente que transita entre o pop e ritmos afro-brasileiros. Sua produção articula arte e psicologia, refletindo vivências e posicionamentos no enfrentamento ao racismo e à LGBTfobia.
Em 13 de junho, às 16h, o Cultural Usina da Cultura, no Ipiranga, sedia o show “Sampagode”, de Ana Hilário. Cantora, atriz e trancista, Ana constrói um trabalho de valorização estética e cultural das raízes afro-brasileiras, celebrando samba, pagode e axé como expressões fundamentais da cultura preta brasileira. O quinto encontro acontece no dia 11 de julho, às 16h, no Centro Cultural Salgado Filho, com Vitória Pires, cantora, percussionista, atriz e compositora com forte atuação no samba, na MPB e no Carnaval de rua de Belo Horizonte.
Encerrando a primeira edição do Circuito de Música Alaíde Costa, a artista e coordenadora do projeto, Thâmara Mazur, apresenta o seu trabalho “Malditas”, no dia 08 de agosto, às 16h, no Centro Cultural Raul Belém, no bairro Alípio de Melo. A artista se projetou como cantora e compositora em 2020 e atualmente é licencianda em Educação Musical pela UFMG, além de atuar como mediadora cultural no Programa Educativo do Sesc Palladium.
Em “Malditas”, Thâmara Mazur revisita a trajetória de mulheres que desafiaram as imposições de gênero e sexualidade ao longo da história, sendo rotuladas como “malditas” por não se curvarem às normas patriarcais. O repertório reúne canções de figuras emblemáticas da música brasileira como Cássia Eller, Angela Ro Ro, Zélia Duncan, Marina Lima, Maria Bethânia e Leci Brandão – artistas que, com suas vozes e vivências, tornaram-se símbolos de contraste, resistência e subversão.
Ao assumir o palco como cantora e coordenadora do projeto, Thâmara Mazur sintetiza o espírito do Alaíde: um circuito que não apenas apresenta shows, mas constrói redes, desloca estruturas e afirma a potência de mulheres e pessoas trans na música. “O encerramento, com a banda de instrumentistas em evidência no palco, reafirma o compromisso do festival com a visibilidade, a formação de público e a transformação social por meio da arte”, reafirma.
Conheça as integrantes da banda que protagonizarão os shows do Circuito de Música Alaíde Costa:
Babi Lómaz
Babi Lomáz é musicista preta, multi-instrumentista e cantora, com trajetória iniciada aos 5 anos nas igrejas, onde construiu as bases de sua identidade musical. Formada pela escola Gu Brother, atuou profissionalmente nas noites de Belo Horizonte como instrumentista. Passou por projetos como Santo Alto e Female Rocks, consolidando sua versatilidade no cenário musical. Atualmente integra uma banda formada exclusivamente por mulheres, circulando por palcos de todo o país. Também atua como cantora em projetos de MPB, samba e pagode, levando ao público uma sonoridade marcada por brasilidade, potência e ancestralidade.
Carol Ramalho
Caroline Ramalho é uma contrabaixista e professora de música. É graduanda em Música Popular com habilitação em Contrabaixo pela Universidade Federal de Minas Gerais, e foi premiada como Jovem Instrumentista pelo BDMG Cultural no ano de 2021. Leciona aulas particulares e na escola de música Soul Elas. Como instrumentista, perpassa vários gêneros como: blues, samba, rap, brega, rock, bossa, funk, MPB, entre outros, acompanhando os artistas: Tiocapone, Haroldo Bontempo, Thanya Canela, e integra a banda Legado Blues. Também participa da cena do carnaval de Belo Horizonte nos blocos: Truck do Desejo, Alcova Libertina, Tapa de Mina e Cheia de Manias.
Jô Silva
Percussionista, natural de Belo Horizonte, mas residente em Sabará, Região Metropolitana da capital mineira. Começou sua trajetória musical ainda criança tendo como referência figuras da sua família e os saberes tradicionais ali compartilhados. Com apoio de projetos sociais destinados ao ensino de música, arte e cultura como PETI e Valores de Minas, se profissionalizou como percussionista. Desde então já colaborou para projetos de artistas como Thalma de Freitas, Milton Nascimento, Leci Brandão, Paulinho Pedra Azul e Naná Vasconcelos. Atualmente contribui com os projetos “Pagode das Minas” e “Resenha delas”
Luísa Martins
Luísa Viola é guitarrista, capoeira e graduanda em Música pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Iniciou-se na música através da capoeira, na Asa Branca Escola de Capoeira, e aprofundou seus estudos em violão e guitarra com aulas e cursos livres pela Fundação de Educação Artística e UFMG. Atua como instrumentista freelance em Belo Horizonte, além de compor a banda dos blocos de carnaval Tapa de Mina e Mineira System e a banda de forró Asa Banda. Entre os trabalhos em que atuou, destacam-se: dois concertos cênicos, Cancioneiro Queer e Transviado, entre 2016 e 2017, produzidos por Marcelo Kuna; e a gravação do CD “Como Deve Ser Se Sentir em Casa?”, de Yolanda Ferraz, em 2021, além de sua atuação com artistas independentes de Belo Horizonte, como Luiza Cruz e Júlia Deodora
Laiza Lamara – diretora musical
Laiza Lamara é musicista e se dedica profissionalmente à percussão há mais de 10 anos. Iniciou sua formação em artes cênicas e percussão no projeto “Todos por Todos”, da Ação Mineira para Educação (AME). Posteriormente, estudou percussão no Programa Valores de Minas e na Bituca – Universidade de Música Popular. Ao longo de sua trajetória, realizou workshops e dividiu o palco com mestres da música como Cláudio Queiroz, Tunico Villani, Gal Duvalle, Serginho Silva e Santiago Reyther. Participou como percussionista dos DVDs dos espetáculos “Lírios” e “Retalho” (Projeto “Todos por Todos”, 2009), do CD e DVD do espetáculo “A Lira e o Tambor” (Programa Valores de Minas, 2011) e da obra “As Mais Belas Diferenças”, do grupo GIM (projeto do Corpo Cidadão, 2015). Também integrou os EPs da banda Electra Lee (“Electra Lee – 10 anos”) e do projeto “Interioranas”, concebido por Luiza da Iola e Nívea Sabino, atuando também como arranjadora musical. Realizou gravações com as bandas e os blocos Baianas, Alright Mother Funk e Havayanas Usadas. Atuou como musicista no espetáculo “Madame Satã”, com direção de Rodrigo Jerônimo e João das Neves, realizando apresentações em cidades de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. No Carnaval de Belo Horizonte, assumiu a regência de diversos blocos. É regente e fundadora do bloco afro-feminino Tapa de Mina. Atualmente, é regente dos blocos Tapa de Mina, Mineira System e Seu Vizinho. Integra as bandas Havayanas Usadas, Abalô-Caxi, Lavô Tá Novo, Interioranas e Sagrada Profana, atuando como percussionista e diretora musical em diferentes projetos da cena cultural mineira, inclusive no Alaíde Circuito de Música, em que atua como diretora musical e percussionista.
Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à cultura de Belo Horizonte.
Circuito de Música Alaíde Costa
Abertura: 8 de março de 2026, às 16h
Show Júlia Deodora
Centro Cultural Liberalino Alves
(Av. Antônio Carlos, 821 – Dentro do Mercado da Lagoinha)
Entrada gratuita



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