Arte nas Águas de Minas encerra 2ª edição com entrega de grandes murais – 15/12

Inauguração de imensas pinturas dos artistas Ed-Mun, Kakaw e Yacunã Tuxá no reservatório da Copasa localizado no bairro Jardim Montanhês, na Região da Pampulha, marca o fim do percurso artístico que passou por seis cidades mineiras

O projeto Arte nas Águas de Minas celebra o fim de sua segunda edição com a entrega de três imensos murais em Belo Horizonte, após traçar um inédito circuito de arte urbana por cinco cidades do interior de Minas Gerais. A solenidade de inauguração acontece na próxima segunda-feira, dia 15/12, às 16h, no reservatório da Copasa no bairro Jardim Montanhês, na Região da Pampulha, onde as pinturas foram realizadas desde o início deste mês, em um grande muro de 1.000m².

Na capital mineira, os trabalhos são assinados pelos artistas belo-horizontinos Ed-Mun e Kakaw, selecionados por convocatória pública, e pela convidada Yacunã Tuxá, artista de origem pernambucana e ativista originária do povo indígena Tuxá de Rodelas, do sertão baiano. A etapa encerra um percurso que envolveu 18 artistas, entre nomes nacionais consagrados, convidados pela curadoria de Juliana Flores (Pública Agência de Arte), e novos talentos mineiros, em criações que dialogam com memória, território, sustentabilidade e a relação de preservação da água.

Reconhecido pela pintura em larga escala, a partir de uma técnica de graffiti que reproduz imagens abstratas e grafismos variados com altíssimo realismo em 3D, Ed-Mun apresenta a obra “Essência”, que une realismo, ciência e abstração. De um lado, formas translúcidas, como as bolhas d’água, remetem a moléculas em suspensão e sugerem profundidade e movimento. De outro, uma paisagem realista, abarcada por praias, rochas e quedas d’água, conecta a vitalidade da água a todo o fluxo necessário da natureza.

Já Kakaw, artista multidisciplinar de origem indígena, desenvolveu a obra “Como um Rio”, em exaltação às figuras femininas. A pintura traz duas mulheres abraçadas sobre um fundo laranja vibrante, na qual a pele de ambas é marcada por texturas que lembram o solo e os mapas fluviais, em alusão às trajetórias que se cruzam. Entre os corpos, um pequeno broto verde simboliza a ideia de renascimento, coroado pela frase: “Mulheres são como águas; juntas são fortes como um rio”, que faz jus ao sentido da pintura: reconhecer a potência das mulheres que fluem, se apoiam e transformam o território como águas que modificam as paisagens.

Completando as pinturas, a artista visual, escritora e ativista originária do povo Tuxá de Rodelas, Yacunã Tuxá, de Pernambuco, leva ao mural uma narrativa inspirada nas lembranças de seu avô remeiro e nos modos de viver das mulheres ribeirinhas. A pintura de Yacunã une padrões geométricos de forte grafismo indígena a cenas que retratam mulheres em atividades de pesca, travessia e cuidado. Um barco, peixes, ondas e estrelas compõem o ambiente simbólico que celebra o Rio São Francisco, chamado pelo povo Tuxá de Opará (rio-mar).

Para a coordenadora da 2ª edição do Arte nas Águas de Minas, Luciana Veloso, a entrega daw obras em Belo Horizonte marcam a conclusão da expedição artística em Minas Gerais, materializando o principal objetivo do projeto: modificar a rotina dos mineiros no interior e na capital, levando reflexões sobre sustentabilidade e pertencimento por meio da arte.

“O Arte nas Águas é sobre transformar o que parecia invisível em algo que salta aos olhos. Trazer beleza, reflexão e, principalmente, pertencimento aos cidadãos. A arte urbana tem essa força bonita a mais porque ela fica no caminho das pessoas. E transforma o dia a dia de todos. Por que o que antes parecia comum, agora promove beleza, reflexão e críticas. E esse é o poder da arte”, avalia Luciana.

Arte nas Águas de Minas

A 2ª edição do Arte nas Águas de Minas é uma realização do Ministério da Cultura e da APPA – Cultura & Patrimônio, com patrocínio da Copasa. O projeto é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet. Realização: Ministério da Cultura, Governo Federal – do lado do povo brasileiro.

Ao longo desta edição, neste ano foram desenvolvidos trabalhos em Alfenas (Rimon GuimarãesCrisDesmedida), Brasília de Minas (Thiago MazzaAbias GabrielPH Arts), Teófilo Otoni (Mag MagrelaRicardo TrezeMariana Ramos Gazel), Frutal (Ani GanzalaGustavo QueirozLuka Ferreira – Bão Uai) Pompéu (BoniktaAlan Martins – SNUPSara Silva – SATIVA) e Belo Horizonte (Yacunã TuxáEd-MunKakaw).

Toda essa pluralidade de expressões democratiza o acesso à arte e cria pontes para engajar as comunidades em torno de um tema urgente: a preservação da água, como reforça Cleyson Jacomini, Diretor de Clientes, Comunicação e Sustentabilidade da Copasa.

“A arte tem o poder de comunicar de forma universal. Ao apoiar suas diversas linguagens, amplificamos a mensagem de que a água é um bem coletivo, mas finito. Esses murais são mais do que intervenções estéticas; são ferramentas de educação ambiental que reforçam nosso vínculo com as comunidades. A nossa atuação vem no sentido de aliar impacto visual e conteúdo transformador, tornando os reservatórios espaços vivos de diálogo sobre a sustentabilidade”, conclui.

Histórico

Na primeira edição, entre outubro de 2024 e março de 2025, o Arte nas Águas de Minas entregou murais em outras seis cidades mineiras, assinados pelos artistas Bicicleta Sem Freio, Pinguim e Mika (Divinópolis); Juliana Gontijo, Rafael Lacruz e Zi Reis (Contagem); Ramon Martins, Matheus Black e Marlette Menezes (Araxá); Fênix, Prado Neto e Tadeo 180 (Pouso Alegre); Bozó Bacamarte, Bela Parada e Léo Caxeta (Montes Claros); e Luna Bastos, Thiago Moska e Leonardo “Cisco” Advíncola (Coronel Fabriciano).

Appa – Cultura & Patrimônio

A APPA – Cultura & Patrimônio é uma associação cultural, sediada em Belo Horizonte, sem fins lucrativos, que tem como principal objetivo a promoção de iniciativas artísticas, culturais e patrimoniais que favoreçam o desenvolvimento socioeconômico.

Em mais de 30 anos de atuação, a APPA desenvolveu, gerenciou e executou com sucesso mais de 240 projetos aprovados em diferentes mecanismos de financiamento cultural — incluindo leis de incentivo, fundos culturais, convênios, termos de parceria e contratos de gestão. A instituição é referência na criação e execução de políticas culturais que fortalecem o diálogo entre arte, sociedade e sustentabilidade.