Belo Horizonte apresenta “O Teatro de Rogério Falabella” – 12 a 16/10

Homenagem reúne leituras de textos do artista pelas filhas Débora e Cynthia Falabella, ao lado de outros artistas convidados, sessão de cinema e bate-papo com o diretor Roberto Bomtempo. Com produção executiva de Júnia Falabella, também filha do dramaturgo, a programação é aberta ao público e acontece de 12 a 16 de outubro, no Cine Theatro Brasil e no Teatro Feluma. 

Belo Horizonte homenageia, em outubro, um dos nomes que ajudaram a construir a história do teatro e das artes cênicas em Minas Gerais e no Brasil. Aos 90 anos, Rogério Falabella terá sua trajetória celebrada com “O Teatro de Rogério Falabella”, uma programação dedicada à sua dramaturgia e ao legado de um artista que atravessou diferentes momentos da cultura brasileira, do rádio à televisão, do cinema ao teatro.

Entre os dias 12 e 16 de outubro, o público poderá acompanhar quatro leituras dramatizadas de textos de Rogério Falabella, além da exibição do filme “Depois Daquele Baile”, no dia 13 – adaptação cinematográfica de uma de suas peças, protagonizada no cinema por Irene Ravache, Marcos Caruso e Lima Duarte no elenco –, seguida de bate-papo com o diretor Roberto Bomtempo. A programação acontece no Cine Theatro Brasil e no Teatro Feluma, reunindo artistas de diferentes gerações, entre eles as filhas do homenageado, as atrizes Débora Falabella e Cynthia Falabella. 

As leituras dramatizadas acontecem sempre às 19h. Já o filme “Depois Daquele Baile” será exibido em duas sessões: às 15h e às 19h. Os ingressos para a programação no Cine Theatro Brasil podem ser adquiridos no site www.eventim.com.br e para as apresentações no Teatro Feluma nos sites www.feluma.org.br e www.sympla.com.br. 

O projeto Teatro de Rogério Falabella é idealizado e realizado pela Mesa 2 Produções, que está completando 30 anos, e apresentado pelo Cine Theatro Brasil, integrando a programação da Mostra Cine Brasil de Teatro, e pelo Teatro Feluma. A produção executiva é de Junia Falabella, filha de Rogério Falabella.

Ator, diretor, dramaturgo e publicitário, Rogério Falabella é uma das referências das artes cênicas de Minas Gerais, e sua trajetória acompanha momentos fundamentais da cultura do estado. Começou no teatro ainda adolescente, integrou a geração pioneira da televisão mineira na TV Itacolomi, trabalhou como ator, roteirista, diretor e produtor e, posteriormente, construiu uma carreira na publicidade, sem nunca abandonar os palcos. 

Como dramaturgo, escreveu dezenas de peças e conquistou o público com trabalhos como “Perigo, Mineiros em Férias” e “Depois Daquele Baile”. “Rogério Falabella faz parte da história da cultura mineira. Ele construiu, ao longo de décadas, uma trajetória sólida, respeitada e profundamente ligada ao desenvolvimento das artes cênicas no estado”, declara a filha, Débora Falabella.

A homenagem começa no dia 12 de outubro, às 19h, no Cine Theatro Brasil, com a leitura de “Depois Daquele Baile”, dirigida por Cynthia Paulino, com Débora Falabella, Luiz Arthur e Rodolfo Vaz. No dia seguinte, 13 de outubro, às 15h e às 19h, o público poderá assistir à adaptação cinematográfica da peça,  dirigida por Roberto Bomtempo, que participa de um bate-papo com a plateia após a sessão das 15h.

A peça “Depois Daquele Baile” aborda a maturidade, os afetos e as relações na velhice. A obra ganhou projeção nacional ao chegar ao cinema, pelas mãos de Bomtempo, em filme com roteiro de Suzana Schild. 

No Teatro Feluma, a programação continua no dia 14 de outubro, com a leitura de “Ratos no Telhado”, dirigida por Jair Raso, com Cynthia Falabella e Raul Starling. No dia 15, será apresentada “A Esquina dos Aflitos”, também sob direção de Raso, com Patrícia Reis, Flávia Fernandes, Henrique Carsalade, Jair Raso, Marcelo do Vale e Fernando Gomes.

A agenda termina no dia 16 de outubro com “Perigo, Mineiros em Férias”, um dos grandes sucessos de público da carreira de Rogério Falabella. A leitura é uma produção da Companhia Divertidamente Produções Artísticas, com direção de Ilvio Amaral e Maurício Canguçu e participação de Carolina Cândido, Clarice Carvalho, Isadora Reis, Diorcélio Antônio, Leandro Bolina e Olavino Marçal.

Do rádio e do cinema ao teatro e à televisão – A relação de Rogério Falabella com as artes começou cedo. Nascido na cidade de Mar de Espanha, em 6 de outubro de 1935, mudou-se com a família para Belo Horizonte em 1939. Na capital, cresceu em uma família marcada pelo interesse pelas artes e passou a alimentar, desde a infância, uma forte relação com o cinema e o rádio.

Na adolescência, frequentava os cinemas de rua de Belo Horizonte, entre eles Cine Brasil, Metrópole, Tópik e Pathé, e chegava a assistir a filmes três vezes por semana. Os quadrinhos também fizeram parte dessa formação visual. As histórias de The Spirit, de Will Eisner, com seus enquadramentos em primeiro e segundo planos, funcionavam para o jovem Rogério quase como storyboards.

Antes de a televisão chegar oficialmente à capital mineira, em 1956, era o rádio que ocupava lugar central no imaginário popular. Rogério frequentava programas de auditório infantil e, em casa, brincava de locutor usando um cabo de vassoura como microfone.

As primeiras experiências teatrais surgiram entre amigos da vizinhança. Em um salão no fundo de casa, ele e outros jovens criavam esquetes de suspense que chamavam de “filmes ao vivo”. A brincadeira ganhou outro contorno quando Rogério passou a integrar a União de Propagandistas Católicos (UPC), na Igreja de Lourdes, onde teve contato com o dramaturgo e diretor Carlos Xavier.

Foi Xavier quem introduziu uma exigência técnica mais rigorosa ao trabalho dos jovens atores. A experiência seria determinante para a formação de Falabella, que iniciou profissionalmente sua trajetória no Teatro de Comédia de Belo Horizonte, em 1954, ainda adolescente.

Pioneiro da TV mineira – Em 1957, Rogério passou a integrar o elenco de teleteatro da TV Itacolomi, um dos primeiros canais de televisão de Belo Horizonte. Durante os anos seguintes, atuou em textos de autores como Shakespeare, Arthur Miller, Eugene O’Neill, Ibsen e Agatha Christie, além de trabalhar como roteirista, diretor e produtor.

A experiência colocou Falabella no centro de uma televisão que ainda estava descobrindo sua própria linguagem. Os programas eram produzidos em um período em que a televisão ao vivo exigia dos artistas domínio de texto, ritmo e improvisação. “Ele participou do início da televisão em Minas Gerais”, lembra Débora. Para ela, essa passagem ajuda a compreender a dimensão de uma carreira que não se restringiu ao teatro, mas acompanhou diferentes transformações do audiovisual brasileiro.

Em 1965, Falabella transferiu-se para a publicidade. Passou a produzir filmes comerciais em uma época em que a televisão ainda era predominantemente ao vivo, experiência que ampliou sua relação com a linguagem audiovisual. Mesmo trabalhando no mercado publicitário, manteve o teatro como parte permanente de sua vida.

Foi principalmente como autor que Rogério Falabella deixou uma marca particular no teatro mineiro. Sua dramaturgia transitou pela comédia de costumes, pela sátira e pelo drama, quase sempre mantendo uma comunicação direta com o público. “Perigo, Mineiros em Férias”, escrita e dirigida por ele, permaneceu em cartaz por uma década, entre 1999 e 2009, tornando-se um de seus maiores sucessos.  Também fazem parte de sua produção textos como “Amigas, Amigas, Homens à Parte”, “171 – O Cara e a Coroa”, “A Esquina dos Aflitos”, “Ratos no Telhado”, “Sinuca de Bico”, “A Síndrome do Pânico”, “A Pílula”, “Dois Bicudos Não se Beijam” e “O Palco Iluminado”, entre outros.

Como ator e diretor, seu currículo também reúne montagens de autores brasileiros e estrangeiros, como “A Farsa do Advogado Pathelin” e “Muito Barulho por Nada”, de Shakespeare, além de trabalhos de Carlos Queiroz Telles, Maria Adelaide Amaral, John Osborne e Jota Dângelo. No cinema, atuou em filmes como “A Dança dos Bonecos”, de Helvécio Ratton, “O Grande Mentecapto”, de Oswaldo Caldeira, “O Menino Maluquinho” e “Batismo de Sangue”. Na televisão, voltou a atuar em produções da TV Globo, entre elas “Mulheres Apaixonadas”, “Cabocla”, “Sinhá Moça”, “O Profeta” e a minissérie “Maysa”.

Uma herança que continua no palco – A relação de Rogério com as artes também atravessou a família, e ele acompanhou de perto a formação artística das filhas. Para Débora, o contato cotidiano com o trabalho do pai foi uma espécie de formação paralela. “Cresci em Belo Horizonte vendo esse homem de teatro viver sua profissão com paixão, dedicação e alegria”, conta. 

Ela lembra especialmente dos bastidores. “Acompanhei muitas vezes os bastidores dos seus espetáculos, observei sua disciplina, seu compromisso com o trabalho e a maneira como se dedicava a cada projeto.”

A influência não ficou restrita ao teatro. “Foi também por causa dele que comecei a amar o cinema”, afirma Débora, que construiu posteriormente uma trajetória própria no cinema, na televisão e no teatro brasileiros.

Aos 90 anos, Rogério Falabella é celebrado, portanto, não apenas pela quantidade de trabalhos realizados, mas pela permanência de sua obra e das relações construídas ao longo de décadas. “Ele continua sendo uma referência para artistas de diferentes gerações”, diz Débora. “Tenho por meu pai uma admiração profunda. Pelo pai que ele é, pelo artista que se tornou e por tudo o que me ensinou. Sua história se confunde com a história do teatro mineiro.”

Cine Theatro Brasil – Mostra Cine Brasil de Teatro

Reconhecida como um dos principais projetos do centro cultural voltados à valorização e difusão das artes cênicas, a mostra reúne espetáculos de relevância nacional e produções de destaque no cenário teatral brasileiro. Inserida no eixo de programação artística do Cine Theatro Brasil, a iniciativa promove temporadas que contemplam diferentes linguagens, estéticas e tradições do teatro, abrangendo desde montagens consagradas até releituras contemporâneas de grandes obras. A Mostra Cine Brasil de Teatro conta com patrocínio master da Vallourec e do Instituto Unimed-BH, além do patrocínio da Copasa.

O Teatro de Rogério Falabella

Cine Theatro Brasil
12 de outubro, às 19h

Leitura de Depois Daquele Baile
Direção: Cynthia Paulino
Elenco: Débora Falabella, Luiz Arthur e Rodolfo Vaz

Ingressos:  R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia entrada)

Vendas: www.eventim.com.br e na bilheteria do teatro 

13 de outubro, às 15h e às 19h

Sessão do filme Depois Daquele Baile
Bate-papo com o diretor Roberto Bomtempo, após a sessão das 15h

Ingressos:  R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia entrada)

Vendas: www.eventim.com.br e na bilheteria do teatro 

 Teatro Feluma

14 de outubro, às 19h
Leitura de Ratos no Telhado
Direção: Jair Raso
Elenco: Cynthia Falabella e Raul Starling

15 de outubro, às 19h

Leitura de A Esquina dos Aflitos
Direção: Jair Raso
Elenco: Patrícia Reis, Flávia Fernandes, Henrique Carsalade, Jair Raso, Marcelo do Vale e Fernando Gomes

16 de outubro, às 19h
Leitura de Perigo, Mineiros em Férias
Produção: Companhia Divertidamente Produções Artísticas
Direção: Ilvio Amaral e Maurício Canguçu
Elenco: Carolina Cândido, Clarice Carvalho, Isadora Reis, Diorcélio Antônio, Leandro Bolina e Olavino Marçal.

Ingressos:  R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia entrada)

Vendas: www.sympla.com.br ou na bilheteria do teatro, um hora antes das apresentações