Projeto promove apresentações de maracatu de baque virado nos Centros Culturais Zilah Spósito, Bairro das Indústrias e Alto Vera Cruz, ampliando a circulação da cultura popular afro-brasileira pela cidade. As apresentações são gratuitas e têm início no dia 26.09.
O som das alfaias, caixas, agbês, timbal e gonguê vai ocupar diferentes regiões de Belo Horizonte a partir de setembro. O Maracatu Estrela de Aruanda realiza três cortejos gratuitos que levam ao espaço público a força sonora, visual e simbólica do maracatu de baque virado, manifestação da cultura popular afro-brasileira originária de Pernambuco. A primeira apresentação acontece no dia 26 de setembro, às 11h, no Centro Cultural Zilah Spósito, dando início a uma programação que também passa pelo Centro Cultural Bairro das Indústrias, no dia 24 de outubro, e pelo Centro Cultural Alto Vera Cruz, no dia 28 de novembro. O projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, através do edital Descentra.
Ativo desde 2017, o Estrela de Aruanda desenvolve um trabalho contínuo de formação, circulação e difusão da cultura popular afro-brasileira em Belo Horizonte. O grupo mantém uma relação de formação e intercâmbio com a Nação Encanto do Pina, de Pernambuco, liderada pela mestra Joana Cavalcante, referência para a linguagem de maracatu desenvolvida pelo coletivo mineiro. “O ponto de partida do projeto é a própria trajetória do Maracatu Estrela de Aruanda e o desejo de dar continuidade às ações de formação e circulação que já fazem parte da atuação do grupo. Desde 2017, realizamos de forma independente nossas oficinas e cortejos. O projeto nasce dessa experiência, mas busca ampliar seu alcance, levando o maracatu para territórios de Belo Horizonte que historicamente foram menos contemplados pelas políticas de fomento”, afirma o coordenador Pablo Gleice.
Cada cortejo terá duração aproximada de uma hora e meia e reunirá cerca de 20 batuqueiros, podendo chegar a aproximadamente 30 integrantes com a participação da corte real e da ala de dança. O público poderá acompanhar o grupo em movimento pelo trajeto. “O cortejo tem a potência de transformar o espaço por onde passa. O público não fica distante do acontecimento; pode se aproximar do batuque, acompanhar, dançar, cantar e vivenciar aquela manifestação coletivamente. Queremos que cada apresentação seja um encontro, despertando pertencimento, curiosidade e valorização das culturas populares e de matriz afro-brasileira”, destaca Breno Miranda, que divide a coordenação com Pablo Gleice.
Mais do que uma apresentação musical, o cortejo apresenta um conjunto formado por música, canto, dança, indumentária, personagens e símbolos. No maracatu de baque virado, os instrumentos dialogam com a corte real, que recria simbolicamente uma realeza negra. Entre seus personagens estão o rei e a rainha e a Dama do Paço, responsável por conduzir a calunga, boneca sagrada que possui profundo significado ancestral e espiritual para as nações de maracatu. “Quando o maracatu chega à rua, ele leva consigo uma história, uma ancestralidade e muitos saberes que foram transmitidos entre gerações. É bonito poder ver pessoas que nunca tiveram contato com essa manifestação se aproximarem, ouvirem o batuque e entenderem que existe ali uma cultura viva, que continua sendo construída e compartilhada”, afirma Pablo Gleice.
O maracatu de baque virado, também chamado de maracatu-nação, articula música, canto, dança, religiosidade e ancestralidade,com fundamentos ligados às tradições de matriz africana. As alfaias são responsáveis pela força e pela base rítmica do batuque; caixas, agbês, timbal e gonguê acrescentam diferentes camadas ao conjunto. A manifestação também tem uma dimensão religiosa relacionada ao candomblé. O Estrela de Aruanda desenvolve seu trabalho especialmente em diálogo com os saberes da Nação Encanto do Pina e da Mestra Joana Cavalcante.
Antes de ocupar as ruas – Como parte da programação do projeto, o Estrela de Aruanda também promove oficinas gratuitas de Maracatu de Baque Virado, com atividades de percussão, canto e dança. Os encontros acontecem às 15h, no Barracão Aruanda (av. Antônio Carlos, 7823), nos dias 12, 19 e 26 de setembro; 3, 10 e 17 de outubro; e 7, 14 e 21 de novembro. A proposta é aproximar novos participantes dos fundamentos do maracatu e aprofundar a experiência de quem já integra o grupo, estabelecendo uma conexão direta entre os processos de formação e os cortejos. “A formação e a prática caminham juntas. As oficinas possibilitam a aproximação de novos batuqueiros e o aprofundamento dos saberes, enquanto os cortejos levam essa experiência para a rua. Dessa maneira, conseguimos fortalecer a transmissão dos conhecimentos e, ao mesmo tempo, ampliar a presença do maracatu em diferentes territórios da cidade”, arremata Breno Miranda.
Sobre o Maracatu Estrela de Aruanda – O Maracatu Estrela de Aruanda é um grupo de Belo Horizonte dedicado à pesquisa, à formação e à difusão do maracatu de baque virado e da cultura popular afro-brasileira. Ao longo de sua trajetória, realiza cortejos, apresentações, oficinas e intercâmbios com importantes referências do maracatu pernambucano, mantendo uma relação continuada de formação com a Nação Encanto do Pina e a Mestra Joana Cavalcante. Com um batuque formado por alfaias, caixas, agbês, timbal e gonguê, o grupo se destaca em Belo Horizonte por incorporar também a corte real aos seus cortejos. Seu repertório reúne loas da Nação Encanto do Pina e composições autorais, fortalecendo a presença e a valorização do maracatu de baque virado em Minas Gerais.
Cortejo Maracatu Estrela de Aruanda
Datas e locais:
26 de setembro, às 11h
Centro Cultural Zilah Spósito
24 de outubro, 16h
Centro Cultural Bairro das Indústrias
28 de novembro, às 14h
Centro Cultural Alto Vera Cruz
Oficinas de Maracatu de Baque Virado: percussão, canto e dança
Datas: 12, 19 e 26/09; 3, 10 e 17/10; 7, 14 e 21/11, às 15h.
Local: Barracão Aruanda (av. Antônio Carlos, 7823).
Todas as atividades são gratuitas.



Adicionar Comentários