5ª edição da Mostra Arte na Maternidade – 26/07

Evento gratuito ocupa o Mercado da Lagoinha, em Belo Horizonte, no dia 26/7, com shows, oficinas, feira de empreendedorismo materno e atividades para toda a família; edição marca o retorno da MAM após sua primeira circulação nacional, no Maranhão

A cultura popular brasileira será o fio condutor da 5ª Mostra Arte na Maternidade (MAM), que transforma o Mercado da Lagoinha em um grande espaço de convivência para mães, crianças e famílias no dia 26 de julho (domingo). Inspirada nas tradicionais festas de São João, a programação gratuita reúne shows, intervenções circenses, oficinas, brincadeiras, feira de artesanato e empreendedorismo materno, praça de alimentação e atividades voltadas para diferentes gerações, reafirmando a proposta do movimento de construir experiências culturais acolhedoras e protagonizadas por artistas mães.

A quinta edição acontece em um momento especial da trajetória da MAM. Poucos meses depois de realizar sua primeira circulação fora de Minas Gerais, em São Luís (MA), o movimento retorna a Belo Horizonte consolidando uma rede que, ao longo de quase dez anos, tornou-se referência nacional na valorização das mulheres que conciliam maternidade e produção artística. Reconhecida como Ponto de Cultura, a iniciativa já reuniu mais de 300 artistas mães em suas ações e alcançou um público superior a seis mil pessoas por meio de mostras, residências artísticas, exposições, feiras e atividades formativas.

Criado por Luciana Brandão, Bruna Toledo, Iaci Carneiro e Isadora Mayrink, o Movimento Arte na Maternidade nasceu da percepção de que a maternidade altera profundamente as condições de permanência das mulheres no setor cultural. O que começou como uma rede de apoio entre artistas tornou-se um espaço de articulação política, formação profissional e circulação artística, propondo novas formas de pensar a produção cultural a partir das experiências da maternidade.

“Quando nos tornamos mães, percebemos que as dificuldades para permanecer na arte não eram individuais, mas estruturais. A MAM nasceu dessa experiência compartilhada e, hoje, ver centenas de artistas passando pelo movimento e a iniciativa alcançando outros estados mostra que essa rede faz diferença na vida de muitas mulheres”, afirma Luciana Brandão.

Um São João protagonizado por artistas mães

Depois de dedicar sua edição anterior, em Belo Horizonte, ao samba, a Mostra escolheu o universo junino como inspiração para a programação de 2026. Mais do que uma referência estética, a proposta transforma uma das manifestações mais tradicionais da cultura brasileira em um espaço de encontro entre gerações, de fortalecimento dos vínculos comunitários e de valorização do protagonismo feminino na preservação dos saberes populares.

Ao longo do dia, o público poderá circular por um ambiente inspirado nos arraiais brasileiros, com comidas típicas, brincadeiras, música, dança e uma programação pensada para que adultos e crianças compartilhem a experiência cultural. A escolha do tema também dialoga com a proposta do movimento de ocupar os espaços públicos com arte acessível, acolhedora e capaz de estimular o convívio entre famílias.

A abertura será conduzida pela DJ Tamira Mantovani, seguida por intervenções da Palhaça Espiga e pelo show do Trio de Forró Arielle Lemos, acompanhado de um aulão ministrado pela professora Sara Brito. A programação musical prossegue com Karina Karla, que apresenta um repertório inspirado na seresta, no arrocha e no brega, o Trio Manacá e, encerrando a noite, o espetáculo “Bia Nogueira canta Marília Mendonça”, tributo à cantora que marcou a música brasileira ao ampliar o protagonismo feminino no universo sertanejo.

Durante toda a Mostra, acontecem ainda intervenções da Companhia Gêmea, distribuição gratuita de pipoca, oficinas voltadas ao empreendedorismo feminino e à gestão cultural, além da tradicional Feira de Artesanato e Empreendedorismo Materno, reunindo mulheres que encontram na economia criativa uma importante fonte de geração de renda.

“A festa junina representa encontro, memória e pertencimento. Ao trazer essa celebração para a Mostra, queremos valorizar a cultura popular e destacar o protagonismo das mulheres que mantêm essas tradições vivas, construindo um espaço acolhedor para mães, crianças e famílias”, reflete Iaci Carneiro.

A curadoria da programação foi construída para contemplar diferentes fases da infância e estimular a permanência das famílias durante todo o evento. Em vez de separar atrações infantis e adultas, a Mostra aposta na convivência entre diferentes linguagens artísticas, criando um ambiente em que brincar, dançar, assistir a um espetáculo ou participar de uma oficina tornam-se experiências compartilhadas.

Da Lagoinha ao Maranhão

A quinta edição também carrega os aprendizados da primeira circulação nacional da MAM, realizada em maio deste ano, em São Luís, no Maranhão. A experiência aproximou artistas, produtoras e coletivos de diferentes territórios brasileiros, reforçando a percepção de que os desafios enfrentados pelas mães artistas se repetem em diversas regiões do país e podem ser enfrentados de forma coletiva.

A mostra realizada na capital maranhense aconteceu em parceria com a Casa das Pretas, no bairro Coroadinho, e promoveu o encontro entre artistas, produtoras e coletivos locais, ampliando a rede construída pelo Movimento Arte na Maternidade para além de Minas Gerais. Mais do que apresentar uma programação cultural, a iniciativa consolidou um intercâmbio de experiências, metodologias e formas de organização entre mulheres que vivenciam desafios semelhantes na conciliação entre maternidade e carreira artística.

“Levar a MAM para o Maranhão renovou nossa força. Encontramos artistas e coletivos que vivem desafios muito parecidos com os nossos e percebemos que essa discussão precisa circular cada vez mais pelo Brasil. Voltamos com o desejo de fortalecer esses intercâmbios e ampliar essa rede para novos territórios”, pontua Bruna Toledo.

Segundo as coordenadoras, a experiência também reforçou a escolha pela cultura popular como linguagem capaz de aproximar comunidades, fortalecer identidades e criar espaços de pertencimento. Essa troca entre Minas Gerais e Maranhão deverá continuar por meio de futuras ações colaborativas entre os grupos envolvidos.

Arte, autonomia e empreendedorismo

Além da programação artística, a 5ª Mostra Arte na Maternidade reafirma uma das principais características do movimento: compreender que a valorização das artistas mães passa também pela criação de condições para que elas permaneçam produzindo arte. Por isso, a programação inclui oficinas voltadas ao empreendedorismo, à gestão financeira e ao desenvolvimento de iniciativas culturais, oferecendo ferramentas para que mulheres possam estruturar seus projetos, fortalecer seus negócios criativos, ampliar redes de contato e conquistar maior autonomia profissional.

Outro eixo permanente da Mostra é a Feira de Artesanato e Empreendedorismo Materno, que reúne empreendedoras de diferentes segmentos da economia criativa. Além de gerar oportunidades de comercialização, o espaço estimula a troca de experiências, fortalece redes de apoio e cria novas possibilidades de parceria entre mulheres que compartilham os desafios da maternidade e do trabalho artístico.

Ao longo de quase uma década, a atuação do Movimento Arte na Maternidade também contribuiu para ampliar o debate sobre acessibilidade, acolhimento e permanência de mães no setor cultural. Questões como espaços de cuidado para crianças, adaptação de rotinas de trabalho, reconhecimento da sobrecarga materna e criação de políticas mais inclusivas passaram a ocupar lugar cada vez mais relevante nas discussões sobre produção cultural.

Para as idealizadoras, embora ainda existam barreiras estruturais, o fortalecimento dessas pautas demonstra que iniciativas coletivas são capazes de provocar mudanças concretas na forma como o setor cultural enxerga a maternidade. “Queremos que o público saia da Mostra entendendo que é possível viver a cultura junto dos filhos. Há muita arte potente sendo produzida por mães, e nosso papel é ampliar esses espaços de encontro, reconhecimento e afeto. O que construímos acontece não apesar dos nossos filhos, mas também através deles”, finaliza Isadora Mayrink.

Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, com patrocínio da Hexagon (projeto 2378/2023).

Sobre a MAM

Criado há quase dez anos, o Movimento Arte na Maternidade (MAM) reúne artistas, produtoras, pesquisadoras e trabalhadoras da cultura na construção de ações voltadas ao fortalecimento da maternidade no campo das artes. A iniciativa desenvolve mostras, residências artísticas, exposições, feiras, formações e projetos de circulação que ampliam a visibilidade de artistas mães, incentivam sua permanência no setor cultural e promovem espaços mais acolhedores para mulheres, crianças e famílias.

Reconhecida como Ponto de Cultura, a Mostra Arte na Maternidade já contratou mais de 300 artistas mães, alcançou público superior a seis mil pessoas e vem expandindo sua atuação para diferentes regiões do país, consolidando-se como uma das principais referências brasileiras na articulação entre maternidade, cultura e economia criativa.

5ª Mostra Arte na Maternidade – Especial São João

Quando. Dia 26 de julho de 2026 (domingo), das 13h às 20h30

Onde. Mercado da Lagoinha (Av. Antônio Carlos, 821 – Lagoinha)

Quanto. Entrada gratuita

Mais. Programação completa no Instagram