Depois da estreia com o videoclipe de “Rima da Glote”, artista se junta a musicistas das cenas belo-horizontina e paulistana para registrar ao vivo seu segundo single solo
Dando sequência à proposta de uma experimentação radical em seu trabalho solo, Bruna Vilela apresenta seu segundo single sob o próprio nome ao lado de artistas de diferentes segmentos da música independente. Sucedendo a elogiada “Rima da Glote“, que debutou junto de um videoclipe experimental em 2025, a nova faixa “Traqueia” foi construída em quatro curtos encontros de arranjo e improvisação coletiva para ser gravada ao vivo em uma única sessão.
Sedimentada pela banda composta por Lúcia Vulcano no baixo, Bê Moura (banda Cayena e Arthur Melo) na bateria, Ana Júlia Gabriel (Banda Lira Santa Cecília, Casa Aberta) no sax tenor e Paola Rodrigues (banda Tarda e Geração Perdida de Minas Gerais) no synth e programações, a faixa chega às plataformas de streaming no próximo dia 23 de junho.
SOBRE “TRAQUEIA”
Se em “Rima da Glote”, Bruna se despediu das heranças do rock alternativo de suas antigas bandas Miêta e Ginge, rumando à junção do jazz moderno, da música brasileira e do indie experimental sem se desprender das linhas de guitarra que já são marca registrada da artista, em “Traqueia” uma nova aposta é feita por caminhos mais sombrios e tortuosos. Renovando o desejo pelo risco, o novo trabalho se entrega à inventividade coletiva, com crença no registro do encontro efêmero.
Gravada ao vivo no Estúdio Central em Belo Horizonte, a faixa foi construída e produzida de forma conjunta ao longo de quatro curtos encontros entre Bruna e artistas. O resultado mantém a complexidade instrumental já presente em “Rima da Glote”, mas avança por novas densidades mais roqueiras: linhas que ora remetem a riffs de math rock e dedilhados jazzísticos, ora evocam a guitarra e as atmosferas de Jeff Buckley. Outros acenos são feitos às influências de Maria Beraldo, Metá Metá, Nigéria Futebol Clube, Diiv e The Messthetics.
PARTICIPAÇÕES E PRODUÇÃO
Bê Moura, que também gravou Rima da Glote, assume as dinâmicas rítmicas da faixa, que vão do groove malemolente até a explosão caótica. Lúcia Vulcano, artista conhecida nacionalmente por seu punk experimental, assume os graves. Ana Júlia Gabriel desenha, com um sax tenor recheado de delay, uma catarse tensa desenvolvida pelas diferentes seções da música, a qual parece nunca querer se resolver totalmente, esbarrando em um encerramento que sustenta a suspensão harmônica. Paola Rodrigues contribui à distância com ambientações no sintetizador.
Com versos concisos, “Traqueia” resgata uma letra escrita por Bruna há seis anos, que tematiza a angústia do início de um luto em meio a uma construção imagética fragmentada.
Somam-se às participações já apresentadas, a assinatura de Mari Crestani (Estúdio 7LIRA, Fausto Fawcett, Coletivo Enchante e Herzegovina) na mixagem e masterização, lapidando as camadas de ambientação e profundidade da gravação ao vivo.
Já a capa do lançamento estampa fotografia de Francielle Cristina, que registrou a sessão de gravação, e estabelece uma intertextualidade sutil com a capa de “Rima da Glote”.
Para além das apostas estéticas e conceituais, “Traqueia” reafirma o compromisso de Bruna Vilela com uma criação construída coletivamente por artistas mulheres e pessoas não binárias, em diálogo com sua pesquisa sonora e vivência como pessoa LGBTQIAPN+.
SOBRE BRUNA VILELA
Artista mineira oriunda da expoente cena de rock alternativo de Belo Horizonte, iniciou trajetória musical nos palcos com a banda de shoegaze Miêta, com a qual lançou um disco, diversos singles e circulou por importantes festivais de música em todo o país.
Também participou de projetos que atravessam diferentes frentes da música independente: do selo Geração Perdida de Minas Gerais — integrando o supergrupo Ginge, descrito pela Rolling Stone Brasil como uma “espécie de dream team da música indie mineira” — às bandas Náusea e Polly Terror; de colaborações com artistas da nova MPB eletrônica, como Lica Del Picchia, ao punk de Lúcia Vulcano e a projetos de improvisação, como a AdHoc Orquestra.
Agora, a artista lança seu segundo trabalho solo, reunindo suas vivências anteriores como herança para partir à experimentação de caminhos ainda mais autorais, com pesquisa que explora experimentações sonoras e temas que atravessam memória, linguagem e sua vivência como artista LGBTQIAP+. Confira o videoclipe do primeiro single, “Rima da Glote”, aqui.
Este projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB (Lei Nº 14.399/2022) – Edital 06/2024 – Chamamento Público: Produção de Obras.



Adicionar Comentários