“PERMITIDO PERMANECER”: intervenção transforma Parque Jacques Cousteau em um território de convivência, criação e imaginação política, onde arte, cidade e direitos sociais se encontram.
O QUANDO Coletivo, formado por artistas e mulheres com trajetória de vida nas ruas, realiza intervenção que reflete sobre os direitos da população de rua em Belo Horizonte, nesta quinta-feira, dia 18 de junho, de 9h às 15h, no Parque Jacques Cousteau, localizado na Rua Augusto José dos Santos, 366, bairro Betânia. Essa ação de arte urbana denominada Permitido Permanecer, é uma instalação de grande escala construída a partir de barracas, tecidos, bordados, tramas, fotografias e intervenções têxteis produzidas coletivamente por artistas e mulheres com trajetória de vida nas ruas.
A ação integra o projeto LABA – Laboratório de Arte e Autonomia, realizado pelo coletivo no Centro POP Mulher, equipamento público de atendimento a mulheres em situação de vulnerabilidade social, especialmente aquelas que vivenciam a experiência da rua.
Mais do que uma exposição, Permitido Permanecer propõe uma ocupação poética e temporária do espaço público. Ao longo de um único dia, o parque será transformado em um território de convivência, criação e imaginação política, onde arte, cidade e direitos sociais se encontram.
A inspiração para o trabalho surge de discussões atravessadas pela experiência cotidiana de integrantes do coletivo diante das disputas sobre circulação da população em situação de rua. No último mês de maio o tema ganhou destaque em Belo Horizonte após situações e debates públicos envolvendo a retirada de pertences de pessoas em situação de rua e a aprovação em segundo turno dos projetos de lei 173/2025 e 227/2025 que visam permitir essa retirada, bem como a remoção forçada de pessoas das ruas e o envio para suas cidades de origem.
Apesar disso, a Portaria Conjunta nº 009/2026 proíbe o recolhimento forçado de bens e pertences, garante a integridade desses objetos e reafirma o direito de permanecer nos espaços públicos. “Na prática a portaria não garante nada, a polícia chega alegando também a obstrução da via pública para nos remover à força, mas em primeiro lugar está a proteção da vida e o respeito à dignidade da pessoa humana, além de outros direitos como o direito a posse de pertences e à urbanidade, como em tese garante também as decisões do STF, que já existiam antes, e a própria Constituição Brasileira”, diz Janine Monteiro, integrante do QUANDO.
A instalação desloca esse debate para o campo da arte. As barracas de camping presentes na obra não operam simplesmente como abrigo funcional, mas como elementos escultóricos e expográficos que sustentam uma paisagem têxtil coletiva construída ao longo dos laboratórios de arte. Nesse contexto, assumem uma dimensão simbólica relacionada às ideias de proteção, fragilidade, moradia, memória e pertencimento. As estampas camufladas, historicamente associadas ao controle, à vigilância e à ocupação territorial, são reapropriadas pelo QUANDO e atravessadas por tramas de cores vibrantes, produzindo uma inversão poética de seus significados originais.
A instalação é resultado de um novo ciclo do LABA, metodologia desenvolvida pelo QUANDO Coletivo desde 2018, que entende a criação artística como ferramenta de autonomia, escuta e construção coletiva, promovendo experiências que valorizam a memória, a narrativa pessoal e o imprevisível como matéria de criação. “Autonomia é trocar o resultado previsto pela potência do encontro, continuar inventando mesmo quando tudo parece decidido, fazer do improviso uma tecnologia de futuro. A gente tem trabalhado assim, desmontando a ideia de que alguém precisa ser ensinado a fazer arte, e o efeito que isso produz é maravilhoso, todo mundo aprende e ensina ao mesmo tempo”, diz Chris Tigra, co-fundadora do coletivo.
Ao longo dos encontros realizados no Centro POP Mulher, foram realizadas atividades em diferentes linguagens artísticas e o conjunto dessas práticas culmina agora em trabalhos de arte com assinatura coletiva e que reivindica reflexões sobre moradia digna, direito à cidade, acesso ao lazer, circulação pelos espaços urbanos e visibilidade de grupos historicamente marginalizados.
A programação continua no dia 25 de junho com o lançamento da Mostra Pê-Pê – Permitido Permanecer, que ficará disponível online no site do QUANDO Coletivo até o dia 31 de julho. A mostra reúne uma série de fotoperformances e videoperformances produzidas pelo QUANDO Coletivo durante os laboratórios de arte, ampliando para o ambiente digital e sem fronteiras as discussões propostas pelo “Permitido Permanecer”.
Fundado em 2018 dentro do abrigo Maria Maria, em Belo Horizonte, o QUANDO Coletivo reúne artistas, não artistas e mulheres com trajetória de vida nas ruas em processos de criação coletiva que já resultaram em exposições, intervenções urbanas, filmes, bienais de arte e festivais de cinema em diversas regiões do país.
A ação “Permitido Permanecer” é realizada com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, pelo QUANDO Coletivo e Onodera Produções. A equipe técnica conta com produção executiva de Carla Onodera, coordenação de Matheus Couto, direção artística de Chris Tigra, consultoria criativa de Dulce Couto e articulação artística de Ana Pá, Janine Monteiro e Agatha Siqueira.
PERMITIDO PERMANECER
Instalação artística do QUANDO Coletivo
📅 18 de junho de 2026
🕘 9h às 15h
📍 Parque Jacques Cousteau
Rua Augusto José dos Santos, 366 – Betânia – Belo Horizonte
🎟 Gratuito
MOSTRA PÊ-PÊ – PERMITIDO PERMANECER
📅 De 25 de junho a 31 de julho de 2026 no www.quandocoletivo.com
🎟 Gratuito



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