FAN Raízes apresenta atividades que celebram a arte negra – 23 a 29/03

Entre os destaques da programação, de 23 a 29 de março, estão cortejos de Congado, oficinas de maculelê com Mestranda Sinhá, apresentações artísticas e, no encerramento, roda de capoeira na Feira Hippie

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto Periférico, realiza, de 23 a 29 de março, o quarto ato das comemorações de 30 anos do Festival de Arte Negra de Belo Horizonte: o FAN Raízes. A etapa conecta arte, tradição e território nas dez regionais, reunindo, ao longo de sete dias, artistas, mestres de tradição e comunidades, com práticas culturais que atravessam gerações e fortalecem as raízes afro-brasileiras presentes na capital. A abertura do FAN Raízes, na segunda-feira, 23, homenageia o Congado do bairro Urca  com cortejo e exposição de lambe-mural BATICUM do Urca, de Dimitri Torres, no Centro Cultural Pampulha. Cortejo de Congado, roda de capoeira, oficinas, espetáculo musical, encontro gastronômico e atividades formativas conduzidas por mestres, artistas e lideranças culturais fazem parte da programação. Todas as atividades são gratuitas. Para mais informações: https://portalbelohorizonte.com.br/fan.

O FAN Raízes integra a metodologia curatorial da edição intitulada FAN Espiralar e a Cidade em Movimento, iniciada no ano passado e inspirada no conceito de tempo espiralar formulado pela pesquisadora e dramaturga Leda Maria Martins. Nesta edição, o Festival de Arte Negra de Belo Horizonte – FAN BH amplia para nove meses o seu período de realização – de outubro de 2025 a junho de 2026. Tradicionalmente bienal e concentrado entre novembro e dezembro, passa a assumir um tempo mais expandido, que permite processos de escuta e planejamento com a reunião pública, realizada em outubro, seguida pelo FAN Rotas, em novembro, além dos chamamentos artísticos, que ampliam a presença nos territórios da cidade com o FAN Raízes, e o encerramento, em junho, com FAN Espiralar

Para esta etapa, o FAN Raízes se junta a mestres, artistas e articuladores culturais levando atividades aos centros culturais, comunidades tradicionais e territórios da cultura negra da cidade, reforçando Belo Horizonte como espaço de memória, criação e ancestralidade.

Segundo a Presidenta da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Bof, este é um importante momento de reflexão e comemoração. “O FAN Raízes nos possibilita olhar com profundidade para as nossas comunidades, levando a elas a energia e a estrutura proporcionada pelo Festival de Arte Negra. Na mesma medida é um momento que inspira e reforça todo o movimento espiral que esta edição propõe. Descentralizar ações, levando o Festival para todas as regiões da cidade, amplia o olhar e reverbera com muita força a força da cultura e da arte negra que existe em Belo Horizonte”, afirma Bárbara. 

Programação

A abertura oficial do FAN Raízes, no dia 23, apresenta o Cortejo do Congado de Nossa Senhora do Rosário, do bairro Urca, que sai às 18h da sede da Guarda (Rua Urca, 148, B. Urca) em direção ao Centro Cultural Pampulha (Rua Expedicionário Paulo de Souza, 185). No local, será realizada a abertura da exposição do lambe-mural BATICUM do Urca, do artista Dimitri Torres, inspirado na Guarda. A obra, em preto e branco, retrata uma cena do congado e incorpora QR Codes que dão acesso a conteúdos como fotos, vídeos, cantos e registros da guarda. Na sequência, às 20h30, haverá uma roda de conversa com o artista e a Guarda.

No dia 24, às 19h, a oficina de maculelê com Mestranda Sinhá, no bairro Aarão Reis, propõe uma vivência prática dessa manifestação afro-brasileira ligada à capoeira. A atividade apresenta movimentos com bastões, marcação rítmica, cantos e aspectos históricos. No mesmo dia, às 19h30 (concentração), a Irmandade Nossa Senhora do Rosário do Novo Gameleira realiza um cortejo de Moçambique no bairro Nova Gameleira, com cantos e toques tradicionais que fazem parte da história da comunidade.

O Centro Cultural Alto Vera Cruz recebe, no dia 25, às 19h, o espetáculo Identidade Ancestral, do coletivo Boca de Dendê, que reúne teatro, música e dança em uma apresentação que trata de memória, pertencimento e da presença das tradições afro-brasileiras na construção das identidades.

O show Raízes Afro-Brasileiras da Viola Caipira, de Marcos Catarina com o Coletivo Violagoa, chega ao espaço cultural Quinta Arte, no Barreiro, no dia 26, às 19h30. A apresentação destaca as contribuições da cultura negra para a formação da viola caipira, relacionando som, história e território.

Já na sexta-feira, 27, às 20h, o Instituto SôUai, em Venda Nova, recebe o show O Lado Negro das Coisas, de Tiocapone, que mistura referências do rock, rap, funk e reggae.

No sábado, 28, o FAN Raízes será marcado pelo encontro gastronômico Sabores que Alimentam o Tempo, conduzido por Josiane Botelho, que utiliza o preparo e a partilha de alimentos para conversar sobre memória, cultura e vivências ligadas à comida. O encontro será realizado no Mercado da Lagoinha, às 10h. No mesmo dia, às 14h, o cubano Eugenio Clavelles conduz uma atividade sobre os tambores Batá, apresentando sua história, seus usos em contextos religiosos e suas características sonoras. O encontro será no Nufac/ELA-Arena, Centro. Às 19h30, na sede da Guarda de Moçambique Treze de Maio, no bairro Concórdia, haverá a exibição do documentário A Rainha Nzinga Chegou seguida de conversa com a Rainha Isabel Casimira e jantar coletivo, promovendo um encontro entre cinema, tradição e comunidade.

Encerramento 

Marcando o encerramento, às 10h do domingo, 29, é a vez da Feira Hippie, tradicional espaço da cidade, ser ocupada pelo FAN Raízes com uma roda de capoeira. Conduzido pelo Mestre Manso e pela Escola de Capoeiragem Quilombo de Minas, o encontro é uma celebração da ancestralidade, da resistência e da cultura afro-brasileira. Com mais de três décadas de dedicação à capoeira regional, Mestre Manso mantém viva uma prática que articula arte marcial, dança, música e cultura popular, transmitindo seus fundamentos, filosofia e valores para diferentes gerações.

Às 14h, na Praça Gabriel Passos, no bairro Concórdia, a atividade Candombe Rosário dos Pretos, conduzida por Capitão Luiz Cláudio, apresenta cantos, toques e práticas ligadas a uma das matrizes do Congado mineiro, encerrando a programação com a participação do público e a presença de diferentes grupos e tradições. A atração segue até às 20h. 

Todas as atividades são gratuitas, com parte da programação sujeita à retirada de ingressos pela plataforma Sympla pelo link https://linktr.ee/FANBH ou, presencialmente, 30 minutos antes do evento.

Sobre o FAN BH 2025/2026 

Com o tema Tempo Espiralar e a Cidade em Movimento, a 13ª edição do FAN BH comemora os 30 anos do Festival e a proposta curatorial rompe com o modelo linear e centralizado dos grandes festivais para instaurar um processo contínuo e colaborativo de elaboração, que se desenvolve em etapas de escuta, formação e ativação territorial. O FAN BH, portanto, ao ativar rotas de resistência e memória, se desloca do eixo hegemônico da produção cultural e propõe novas territorialidades simbólicas que afirmam o protagonismo negro como princípio civilizatório e transformador.

E neste ano, em que a Organização das Nações Unidas (ONU) renova a Década Internacional de Afrodescendentes, o que se pretende com o FAN 2025 – 2026 é reafirmar a importância da corporeidade, do legado e da herança da arte e da cultura negra na constituição do país e de Belo Horizonte. Busca-se reconhecer o passado, revisitar memórias, viver o presente e abrir caminhos para o futuro. Portanto, trata-se de uma proposta que reitera a cosmovisão africana, que entende a espiralidade do tempo e enxerga os movimentos dinâmicos, crescentes e qualificados das fazedoras e dos fazedores de cultura negra na cidade.

Próximas etapas

FAN Espiralar, em junho, representa o último ato do FAN BH 2025-2026 em uma grande celebração da arte negra e do afroempreendedorismo com shows, exposições, Ojá – Mercado das Culturas (credenciamento em breve), atividades formativas e o Fanzinho, dedicado às infâncias e juventudes. 

FAN RAÍZES – Festival de Arte Negra de Belo Horizonte

Data: 23 a 29 de março de 2026
Local: diversos espaços de Belo Horizonte
Entrada: gratuita (parte da programação com retirada de ingressos via Sympla), ou, presencialmente, 30 minutos antes do evento.

Link de retirada de ingressos: https://linktr.ee/FANBH. Para mais informações: https://portalbelohorizonte.com.br/fan

23/3 (segunda-feira)
18h (concentração) | 18h30 – Cortejo e abertura da exposição Lambe – Mural BATICUM do Urca, de Dimitri Torres seguido de roda de conversa (20h30) do artista com a Guarda de Congado da Urca
Local: Centro Cultural Pampulha – R. Expedicionário Paulo de Souza, 185 – Pampulha

Visitação: terça a domingo até 29/3

Não é necessário retirar ingressos

24/3 (terça-feira)
19h – Maculelê: Corpo, Ritmo e Ancestralidade, com Mestranda Sinhá
Local: Rua Delso Renault, 52 – Aarão Reis
Ingressos: Sympla ou presencialmente 30 minutos antes do evento (sujeito à lotação)

19h30 (concentração) | 20h – Cortejo de Moçambique – Irmandade Nossa Sra. do Rosário do Novo Gameleira
Saída: Beco F Dois, nº 6 – Nova Gameleira

25/3 (quarta-feira)
19h – Identidade Ancestral com Samba da Black cantando para as Matriarcas – Coletivo Boca de Dendê
Local: Centro Cultural Alto Vera Cruz – Rua Padre Júlio Maria, 1577 – Alto Vera Cruz
Acessibilidade: Libras

Não é necessário retirada de ingressos

26/3 (quinta-feira)
19h (abertura) | 19h30 – Raízes Afro-Brasileiras da Viola Caipira – Marcos Catarina convida Violagoa
Local: Espaço Cultural Quinta Arte – Av. Sinfrônio Brochado, 1053 – Barreiro
Acessibilidade: Libras

Não é necessário retirada de ingressos

27/3 (sexta-feira)
19h30 (abertura) | 20h – O Lado Negro das Coisas — show-celebração, com Tiocapone
Local: Instituto SôUai – Rua Humberto Campos, 63 – Jardim Leblon
Ingressos: Sympla
Acessibilidade: Libras

28/3 (sábado)
10h – Sabores que Alimentam o Tempo: Roda de Gastronomia e Memória, com Josiane Botelho
Local: Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira (Mercado da Lagoinha) – Rua Formiga, 140 – Lagoinha
Ingressos: Sympla ou presencialmente 30 minutos antes do evento (sujeito à lotação)

14h – Oficina Os tambores Batá e a Linguagem Musical Afro-Diaspórica, com Eugenio Clavelles
Local: Nucaf – Av. dos Andradas, 367, 3º andar, Centro (Edifício Central)

Ingressos: Sympla ou presencialmente 30 minutos antes do evento (sujeito à lotação)

19h (abertura) | 19h30 – Sessão comentada do documentário A Rainha Nzinga Chegou + roda de conversa e jantar coletivo com Isabel Casimira Gasparino
Local: Sede da Guarda de Moçambique Treze de Maio – Rua Jataí, 1309 – Concórdia
Acessibilidade: Libras

Não é necessário retirada de ingressos

29/3 (domingo)
10h – Roda de capoeira com Mestre Manso e Escola de Capoeiragem Quilombo de Minas
Local: Feira Hippie (ao lado do Sesc Mercado das Flores) – Av. Afonso Pena, esquina com Rua da Bahia – Centro
Não é necessário retirada de ingressos

14h – Vivência Candombe Rosário dos Pretos na Pequena África de BH: Comunidade e Afromineiridades, com capitão Luiz Cláudio
Local: Praça Gabriel Passos – Concórdia
Encerramento: 20h

Não é necessário retirada de ingressos