Leão da Lagoinha homenageia Iemanjá neste carnaval

 Como faz tradicionalmente, o Bloco se concentra na Rua Itapecerica, com Rua Machado de Assis, no Bairro Lagoinha, na segunda-feira de carnaval, às 15h, onde vai rolar muito samba, descontração e alegria. Em seguida, às 18h30, o Bloco fará a abertura oficial dos desfiles dos blocos caricatos e escolas de samba de Belo Horizonte.

No berço da boemia, Leão da Lagoinha, bloco mais antigo de BH, canta para Cosme e Damião

 Como faz tradicionalmente, o Bloco se concentra na Rua Itapecerica, com Rua Machado de Assis, no Bairro Lagoinha, na segunda-feira de carnaval, às 15h, onde vai rolar muito samba, descontração e alegria. Em seguida, às 18h30, o Bloco fará a abertura oficial dos desfiles dos blocos caricatos e escolas de samba de Belo Horizonte.

Neste ano, o Bloco de Carnaval Leão da Lagoinha, mais antigo da capital mineira, que foi fundado no ano de 1947, levará Iemanjá para a Avenida e fará uma grande homenagem a essa divindade que celebra a fé, a generosidade e o sincretismo religioso.  E para além de séculos de lendas, histórias e tradições, Iemanjá já foi reverenciada diversas vezes no carnaval de diversas cidades brasileiras. 

De acordo com o presidente do Bloco, Jairo Nascimento, Iemanjá tem origem no idioma africano yorubá. É ela quem cuida da cabeça e do coração dos que a cultuam, tanto no Candomblé como na Umbanda. Conhecida por sua generosidade e força, a divindade, que é considerada dona das águas e mãe de todos os orixás, tem uma história tão profunda quanto as águas que domina. Com origem às margens do rio Yemonja, na Nigéria, a divindade recebeu o título de deusa dos mares quando chegou em terras brasileiras junto com os negros escravizados.  “No Brasil, Iemanjá foi sincretizada ao mesmo tempo com a figura da sereia e santas católicas (como Nossa Senhora dos Navegantes), representando a força da ancestralidade, a união e a capacidade de nutrir a vida, trazendo prosperidade e cuidando da “cabeça” (saúde mental)”, explica. 

Jairo Nascimento, conta ainda que a ligação de Iemanjá com o Carnaval é profunda e se manifesta em enredos de escolas de samba, promessas de carnavalescos, alegorias grandiosas e a celebração do sagrado e do profano, com a orixá representando as águas, a maternidade e a resistência, especialmente através de homenagens sincréticas e a força das tradições afro-brasileiras que se unem à festa popular

O Bloco Leão da Lagoinha tem tradição de homenagear os Orixás. Em 2023 realizou homenagem para Zé Pilintra, em 2024 para Ogum e em 2025 para Cosme e Damião. “Escolhemos esse tema porque o território da Lagoinha, tem uma grandiosidade de casas, tendas e terreiro de matriz africana e povo preto”, finaliza.

Ensaios – O Bloco Leão da Lagoinha realizará ensaios técnicos nas segundas e quintas feiras, às 19 horas, no Centro Cultural Nosso Grito, Rua Roseiral 13, bairro Santo André.

Conheça o Bloco – Fundado o ano de 1947, o bloco Leão da Lagoinha era a atração do carnaval de Belo Horizonte e sobreviveu até o fim da década de 70. Concentrava-se na Lagoinha e descia a Rua Itapecerica, rumo a Avenida Afonso Pena, onde com muita alegria, irreverência e criatividade, abriam o carnaval de Belo Horizonte. Sem distinção de raça, religião ou opção sexual, o Leão da Lagoinha recebia foliões de vários bairros, onde homens se vestiam de mulher e mulheres se vestiam de homem.

Famílias inteiras lotavam as arquibancadas e toda a extensão da Avenida Afonso Pena para assistirem ao desfile do Leão da Lagoinha. Um bloco teatral que ao longo de seus desfiles faziam os telespectadores vibrarem e sorrirem, quando levava para a avenida mitos e lendas marcantes como; a loira do Bonfim, Hilda Furacão, Cintura Fina, Xuxa dentre outras.

Com a dissidência do Leão da Lagoinha no ano de 1977, surgiu a tradicional Banda Mole. Com o encerramento dos desfiles do Leão da Lagoinha, o carnaval de Belo Horizonte entristeceu, deste bloco restaram somente lembranças e pesquisando antigos arquivos, pouco foi encontrado sobre a história tão linda e marcante daqueles que algum dia participou da alegria de, desfilar ou assistir aos desfiles de Leão da Lagoinha.

Após 32 anos sem desfilar, o Leão da Lagoinha retornou ao carnaval em 2017, com um projeto de resgate da memória histórica, Arquitetônica, da Boêmia e Cultural da Lagoinha e região, recentemente tombada como Patrimônio Municipal da cidade.