Poesia em tempos de barbárie de Marcelo Castro 06/09

Marcelo Castro dirige e encena “Prólogo Canino-Operístico” em apresentação única no Cine Theatro Brasil Vallourec

O ator e diretor mineiro Marcelo Castro lança seu trabalho solo em apresentação única em Belo Horizonte, no dia 6 de setembro, às 20h, no Teatro de Câmara do Cine Theatro Brasil Vallourec.

Em atuação solo, o artista coloca em em cena Prólogo Canino-Operístico, um dos poemas do Livro das Postagens (2016), o mais recente do escritor Carlito Azevedo. Um cão, enclausurado em um teatro, vê-se na obrigação de improvisar. O texto materializa-se no teatro no momento em que a revolução russa completa cem anos. Somado a isso, há o atual contexto político do país, que exige reflexão. Para Castro, o texto é um chamado à ação. Ele destaca que o autor faz uma dura crítica sem se eximir, questionando a encenação social como um todo. “Senti que deveria montá-lo com urgência, pois o contexto da nossa catástrofe política precisava dessas palavras mesmo que fossem ditas dentro de um minúsculo cubo. Num mundo com tamanha crise de presença, em que todos estamos construídos de virtualidades e simulacros, um cão pede que sigamos com os olhos bem abertos. Levar isso à cena é o que posso fazer nesse momento. Montar isso nesse momento histórico me pareceu a coisa mais ética a ser feita” observa.

A peça também rememora um tipo de personagem já vivido por Castro há doze anos, na peça Por Elise, responsável por colocar o grupo Espanca! em evidência na cena teatral do país. Na ocasião, Marcelo interpretavaCão. “Eu gosto deste arquétipo. Há um conto do Marcílio França Castro em que ele diz que se não fosse pelo eterno farejar dos cães o mundo desmoronaria. Nas orientações da Grace Passô, que dirigiu Por Elise, podia-se ler o seguinte: “O cão é a representação da verdade. A ação da verdade é latir. Latir é a reação mais fiel ao instante”, relembra.

Neste prólogo, o personagem se dirige à plateia dizendo que é obrigado a estar ali, naquele teatro, sem saber exatamente sua função. Posicionado em um cubo, o cão explicita nossa falta de ação diante da barbárie e escancara nosso confinamento voluntário diante de pequenas telas onde somos espectadores de nós mesmos.

 Formato e recomeço

A peça, dirigida por Castro, pode ser entendida como uma obra que transita entre o teatro e a performance.  Com duração de cerca de 40 minutos, ausência de cenário e ênfase no texto, o ator acredita que o solo traz elementos de ambas as linguagens. “A ideia de fazer uma só apresentação conversa com esse hibridismo. A montagem tem caráter intimista e tende ao ato performático, atualizado em tempo real”, conclui o ator e diretor.

Membro-fundador e integrante do Grupo Espanca! por doze anos, Marcelo Castro deixou o grupo no início deste ano. Esta criação é seu primeiro trabalho como artista independente e marca o início de um novo ciclo em sua trajetória.

Sobre Marcelo Castro

Diretor e ator, trabalha profissionalmente com teatro desde 2002. É um dos fundadores do Grupo Teatral Espanca!, onde atua em seis das sete peças em repertório. Entre seus trabalhos na direção, destacam-se “Danação” (solo de Eduardo Moreira do Grupo Galpão), “Real” (Espanca!) e Dente de Leão (Espanca!)

 

6 de setembro de 2017 (quarta), às 20h
Cine Theatro Brasil Vallourec _ Teatro de Câmara (av. Amazonas, 315, centro)
Ingressos a $30 (inteira) e $15 (meia)
Duração: 40 minutos
Classificação: 14 anos

Sinopse
“Prólogo Canino-operístico” é um longo poema protagonizado por um cão oprimido pela obrigação de aparecer. Enclausurado em um teatro, ele é forçado a encenar algo sob os olhares da plateia, sempre afirmando que o autor é quem deveria estar em seu lugar.

Ficha técnica
Texto: Carlito Azevedo
Direção e atuação: Marcelo Castro
Iluminação: Edimar Pinto
Colaboração artística: Grace Passô
Arte gráfica: Luísa Rabello

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