SEEMG alerta para explosão de denúncias de esgotamento mental entre enfermeiros

O Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Minas Gerais (SEEMG) manifesta pública e profunda preocupação com o alarmante crescimento no número de relatos e reclamações formais de profissionais de enfermagem que sofrem com o esgotamento mental extremo nos locais de trabalho.

A crise local reflete um cenário nacional recentemente exposto por um estudo da edtech de saúde mental Starbem, veiculado pela CNN Brasil, que revela que 72% dos trabalhadores brasileiros operam atualmente no chamado “modo de sobrevivência”. Trata-se de um estado de tensão aguda contínua que anula a capacidade do indivíduo de descansar. O mesmo levantamento aponta que 58% dos entrevistados dormem mal ou muito mal.

No entanto, o SEEMG ressalta que, na linha de frente da saúde, esse índice ganha contornos ainda mais dramáticos. A combinação de jornadas duplas, plantões exaustivos, déficit de profissionais nas instituições e a pressão constante pela manutenção de vidas tem empurrado a categoria para um colapso biopsicossocial.

Denúncias em alta nos hospitais e postos de saúde
De acordo com a diretoria do sindicato, os canais de atendimento têm recebido uma enxurrada de queixas sobre assédio moral organizacional, falta de suporte psicológico nas instituições e escalas abusivas que impedem o descanso mínimo regulamentar. O esgotamento deixou de ser um cansaço passageiro e se tornou uma constante de “luta ou fuga”, afetando diretamente o bem-estar e a saúde dos enfermeiros.

“Quem cuida da saúde da população também precisa de cuidados. Recebemos diariamente relatos de profissionais chorando em plantões, tendo crises de ansiedade antes de entrar no hospital e sofrendo com a privação crônica de sono. Não podemos normalizar o adoecimento da enfermagem”, alerta o presidente do Sindicato, Anderson Rodrigues.

O SEEMG reforça que o esgotamento profissional (Burnout) não afeta apenas a vida pessoal do trabalhador, mas também coloca em risco a segurança do atendimento aos pacientes, uma vez que a exaustão compromete funções cognitivas severas.

Segunda categoria que mais adoece no pais

A presidenta da Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), Solange Caetano, durante Semana da Enfermagem em Juiz de Fora, recentemente, apresentou dados alarmantes sobre a sobrecarga que adoece a categoria e a urgência de proteger quem cuida:

Os dados do próprio Ministério da Saúde mostram que os trabalhadores da saúde são a segunda categoria que mais adoece mentalmente hoje — e, dentre eles, os profissionais de enfermagem, que representam 70% da força de trabalho da saúde. Isso é reflexo de sobrecarga, assédio moral e burnout.

“Durante a pandemia, tivemos palmas, fomos chamados de essenciais. E somos essenciais! Mas a proteção real não veio. Tivemos o piso aprovado que muita gente ainda não recebeu e ainda lutamos pelo dimensionamento correto de pessoal para não termos que trabalhar por dois ou três. Mesmo na atenção básica, a sobrecarga é imensa e as filas são enormes”, reafirmou Solange.

Ao longo do debate muito se falou também sobre a necessidade de proteger as trabalhadoras todos os dias. “Precisamos estar preparadas para ajudar as usuárias do SUS, as munícipes e cada mulher que atendemos. Vamos juntos na prevenção e no combate ao feminicídio!”

Por sua vez, o SEEMG exige que as instituições de saúde públicas e privadas de Minas Gerais adotem medidas imediatas de acolhimento psicológico, dimensionamento adequado das equipes e respeito irrestrito às jornadas de trabalho vigentes. A entidade continuará fiscalizando de forma rigorosa e encaminhará as denúncias formais aos órgãos competentes, como o Ministério Público do Trabalho (MPT).