Professores e pesquisadores da UFMG são semifinalistas do Jabuti Acadêmico

Editora UFMG tem duas obras selecionadas pelo prêmio; edição 2026 recebeu mais de 2 mil inscrições

Foram divulgados na última semana os 10 semifinalistas das 30 categorias do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, e vários professores e pesquisadores da UFMG integram as listas desta edição. Na segunda-feira, dia 27 de julho, será feito o anúncio dos cinco finalistas de cada categoria.

Leda Maria Martins, professora emérita da Faculdade de Letras, é semifinalista na categoria Letras, Linguística e Estudos Literários, com a coletânea A fina lâmina da palavra. Publicada pela editora Cobogó, a obra colige ensaios diversos da pensadora, poeta e dramaturga que é hoje considerada uma das maiores referências nacionais do teatro – em particular, do teatro negro. Entre outras realizações, Leda é autora de conceitos de repercussão nacional e internacional, como Tempo Espiralar, Oralitura, Encruzilhada e Afrografias.

Dois títulos da Editora UFMG também estão entre os semifinalistas deste ano. Na categoria Ilustração e Infografia, a editora concorre com o livro No princípio do mundo, ilustrado por Luciano Tasso e escrito por Fabiano Moraes. A obra saiu pelo selo Estraladabão, que é dedicado à publicação de obras infantis e infantojuvenis.

Neste livro, autor e ilustrador se filiam à tradição iniciada pelo filósofo pré-socrático Empédocles para recontar, agora de um modo lúdico e literário, a história de terra, água, fogo e ar, os “quatro elementos”. Já na categoria Educação e Ensino, a editora concorre com Estranha docência. O livro integra a coleção Incipit, uma das mais tradicionais da casa editorial.

Estranha docência foi escrito por André Márcio Picanço Favacho, professor da Faculdade de Educação (FaE). No livro, ele faz um diagnóstico da educação no tempo presente e discute a docência como “para-choque social” e “território em disputa”, na medida em que é pleiteada por forças distintas da sociedade, muitas vezes opostas. Em sua reflexão, Favacho se desafia a perscrutar essas forças para além de seus pressupostos de interpretação já estabelecidos.

“Hat-trick” da Faculdade de Educação

Além de André Favacho, dois outros docentes da FaE são semifinalistas na categoria Educação e Ensino. Miguel Gonzalez Arroyo, professor emérito da UFMG, concorre com Infâncias outras re-existentes: reafirmando sua outra infância humana. O livro foi publicado pela editora Vozes como “um chamado a reconhecer a pluralidade de modos de ser criança e a força histórica daqueles que resistiram a ser reduzidos ao silêncio”, afirma-se na sinopse da obra.

“Miguel G. Arroyo nos interpela a ver nessas infâncias não a ausência de humanidade, mas sua potência afirmativa. A obra rompe com a ideia de um modelo único de infância e de pedagogia, denunciando exclusões que persistem em nossa sociedade”, anota-se. “O livro é um convite ético e político: olhar para as infâncias outras como sujeitos de direitos, de fala, de memória, de resistência. Ao trazê-las para o centro da reflexão pedagógica, o autor amplia os caminhos da educação, instiga novas perguntas e fortalece a luta por uma história mais plural, justa e humana.”

Luciano Mendes, professor recentemente aposentado da FaE e hoje docente visitante na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), concorre com Carlos Roberto Jamil Cury e a educação brasileira, livro que organizou junto com Sheilla Brasileiro e Teodoro Zanardi, docentes da PUC Minas, por cuja editora o livro saiu. Conforme se explica em sua sinopse, o livro procura destacar não apenas a importância da obra acadêmica de Jamil Cury e seu impacto para a educação brasileira, “mas também sua personalidade afável e carinhosa com todos à sua volta”.

Referência nacional no direito à educação e no tema do estado laico, Carlos Roberto Jamil Cury também foi professor da Faculdade de Educação da UFMG, que outorgou a ele o título de professor emérito. Após a aposentadoria, no início do século, Cury passou a atuar na PUC Minas, o que explica a parceria entre os professores das duas universidades para a produção do livro. A obra repassa a trajetória educacional e intelectual do docente por meio de textos de pessoas que com ele conviveram.

Pelo segundo ano consecutivo

Mirella Moura Moro, professora do Departamento de Ciência da Computação (DCC) do Instituto de Ciências Exatas (ICEx), é semifinalista na categoria Ciência da Computação. Ela escreveu – junto com Renata Viegas de Figueiredo e Aletéia Patrícia Favacho de Araújo – A cientista do software às nuvens: Thais Vasconcelos Batista, livro publicado pela editora Inverso como o segundo título da série Meninas Digitais.

No ano passado, ao lado de Luciana Salgado, Sílvia Amélia Bim e novamente a Aletéia Favacho, Mirella já havia sido finalista com o livro A cientista colecionadora de dados – Claudia Maria Bauzer Medeiros, que inaugurou a série Meninas Digitais. Essa série é dedicada à biografia de mulheres pensadoras do campo das Ciências da Computação. Ambas as obras foram ilustradas por Paula Prado, cujo traço, somado ao projeto gráfico da série, ajuda a estabelecer seu estilo bem definido.

Ainda na categoria Ciência da Computação, outro semifinalista vinculado à UFMG é o pesquisador Diego Mariano, autor do livro Python para bioinformática: fundamentos de programação para bioinformática e biologia computacional, publicado pela editora Novatec. Mestre e doutor em Bioinformática pela Universidade, Diego escreveu e publicou seu livro durante residência pós-doutoral no Departamento de Ciência da Computação da UFMG, onde atuou no desenvolvimento de sistemas web para bioinformática.

Sempre UFMG

Autores que também passaram pela UFMG, sejam como professores ou com formação acadêmica pela instituição, também integram as listas de semifinalistas. Na categoria Economia, um dos semifinalistas é o livro As doutrinas econômicas: tomo II: Karl Marx: a luta pela emancipação humana e a crítica da economia política (1818-1883), de Fabrício Augusto de Oliveira. Atualmente na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fabrício de Oliveira foi professor da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) da UFMG de 1987 a 1990. Seu livro saiu pela Editora Contracorrente.

Outro caso que merece menção é o de Paulo Viana Leite, finalista da categoria Enfermagem, Farmácia, Saúde Coletiva e Serviço Social. Ele é autor do livro Fitoterapia: da ancestralidade à atualidade científica, publicado pela Editora UFV. Professor do Departamento de Bioquímica e de Biologia Molecular da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Paulo Viana fez seu mestrado em Ciências Farmacêuticas, seu doutorado em Química e seu pós-doutorado em Química dos Produtos Naturais na UFMG. Durante esse percurso, ele realizou parte dos estudos e das pesquisas que, nos anos seguintes, embasariam sua escrita.

Destaque também para o livro As religiões afro-brasileiras e o mundo dos brancos: olhares, contestações, perseguições, de Ricardo Luiz de Souza, professor do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT). Souza é graduado em Ciências Sociais, mestre em Sociologia e doutor em História pela UFMG. Seu livro está sendo publicado pela editora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e está disponível para ser baixado gratuitamente no Repositório Institucional da Universidade.

Na obra, Ricardo de Souza investiga práticas associadas à religiosidade do afro-brasileiro, como o congado, a folia de reis, a macumba, a umbanda e o candomblé, e expressões culturais como a capoeira e o calundu.