Criado para a programação comemorativa dos dez anos do projeto “Uma voz, um instrumento”, o inédito show “Divino Maravilhoso – As parcerias entre Caetano e Gil”, reúne Patrícia Ahmaral, Marcelo Veronez, Pedro Morais e Sérgio Pererê. Juntos, celebram a simbiose criativa entre os dois mestres da música popular brasileira.
A Parceria: Um manifesto em duas vozes
O cenário musical brasileiro é vasto, mas poucos pilares são tão sólidos e revolucionários quanto a parceria entre Caetano Veloso e Gilberto Gil. Mais do que amigos, os dois formam uma entidade criativa que, desde a década de 1960, desafia convenções e redefine a identidade nacional. Falar de Caetano Veloso e Gilberto Gil é falar de uma amizade que alterou a bússola cultural do Brasil. Desde que se conheceram na rua Chile, em Salvador, a dupla estabeleceu um diálogo onde a teoria estética de Caetano encontrava a prática rítmica de Gil. A parceria entre Caetano Veloso e Gilberto Gil é um fenômeno raro de complementariedade. Enquanto Caetano costuma dizer que Gil é o mestre do ritmo, Gil aponta em Caetano a maestria do sentido.
Um repertório atemporal
É para celebrar essa união transcendental que nasce o show “Divino Maravilhoso – As Parcerias entre Caetano e Gil”, concebido exclusivamente para comemorar os 10 anos do projeto “Uma voz, um instrumento”. O espetáculo mergulha em composições que se tornaram símbolos de eras. O repertório do show percorre momentos icônicos dessa longeva parceria e amizade, e apresenta um recorte preciso da simbiose entre os dois baianos.
Há canções desde a explosão tropicalista como “Eles”, “Lindonéia” e “Divino Maravilhoso”, até a crueza social de “Haiti”, que, décadas depois, permanece como um retrato atualíssimo das contradições brasileiras. O setlist também percorre caminhos líricos e geográficos com “No dia que eu vim-me embora”, evocando o êxodo e a saudade. Mergulha na ancestralidade religiosa em “As Ayabás”, “Iansã” e “São João, Xangô Menino”. Homenageia o cinema nacional (“Cinema Novo”) e a inclassificável Rita Lee, na eletrizante “Quando”, parceria que assinaram juntos com Gal Costa.
No roteiro do show, canções como “Panis et Circenses” e “Bat Macumba” não aparecem apenas como músicas, mas como manifestos. A parceria rendeu hinos de resistência e de observação aguda da realidade brasileira, como “Divino Maravilhoso”, que dá nome ao espetáculo. É essa simbiose que o público testemunhará, revisitada por artistas que carregam essa herança no DNA.
Patrícia Ahmaral: A voz da investigação poética
No centro do palco está Patrícia Ahmaral. Cantora mineira de timbre singular e interpretação visceral, Patrícia consolidou sua carreira através de uma entrega absoluta à palavra cantada. Seu trabalho mais recente, o aclamado álbum duplo “Patrícia Ahmaral canta Torquato Neto”, é uma prova de sua coragem artística. Ao mergulhar na obra do “Anjo Torto” do Tropicalismo, ela estabeleceu uma ponte definitiva com o universo de Caetano e Gil, tornando-a a intérprete ideal para este tributo.
Sua trajetória é marcada pelo rigor técnico e pela sensibilidade em dar novas cores a clássicos, sem perder a essência. Neste show, ela atua como o fio condutor que une as experimentações de Gil à sofisticação de Caetano, trazendo a experiência acumulada ao longo da sua diferenciada trajetória na cena musical brasileira.
Um Elenco de Forças Mineiras
Nesta noite especial, ela divide o palco com três expoentes da cena mineira — Marcelo Veronez, Sérgio Pererê e Pedro Morais — criando um mosaico de timbres que reflete a diversidade da obra de Caetano e Gil. Juntos, eles dão vida a um setlist que equilibra clássicos absolutos e “lados B” preciosos, provando que a obra da dupla permanece vibrante e necessária em 2026.
Marcelo Veronez: Conhecido por sua performance arrebatadora e potente, Veronez traz o dionisíaco e o deboche elegante, elementos vitais na obra da dupla homenageada.
Pedro Morais: Com sua doçura melódica e precisão técnica, Pedro evoca o lado lírico e harmônico que Gilberto Gil tão bem construiu em suas composições.
Sérgio Pererê: Artista multitalentoso e guardião de sonoridades ancestrais, Pererê conecta as canções de Caetano e Gil ao solo sagrado do tambor e da espiritualidade, reforçando o lado afro-brasileiro da parceria.
Direção e Concepção Artística
Concepção e Direção Artística: Pedrinho Alves Madeira traz uma estética contemporânea, valorizando a performance e a conexão entre os artistas.
Direção Musical: Rogério Delayon assina arranjos que dialogam com o pop, o folk e a percussão brasileira, criando um ambiente sonoro rico e impactante.
“Cantar Caetano e Gil hoje é um ato de resistência e de alegria. São obras que nos ajudam a entender o Brasil.” (Pedrinho Alves Madeira).
Divino Maravilhoso – Ficha Técnica
Voz: Patrícia Ahmaral
Violão e guitarra: Rogério Delayon
Percuteria: Bill Lucas
Convidados: Marcelo Veronez, Pedro Morais e Sérgio Pererê
Direção Musical e arranjos: Rogério Delayon
Concepção, Roteiro e Direção: Pedrinho Alves Madeira
Imagens: (VJ) Marlon de Paula
Desenho de luz: Jésus Lataliza e Pedrinho Alves Madeira
UMA VOZ, UM INSTRUMENTO – 10 ANOS
PATRÍCIA AHMARAL – SHOW DIVINO MARAVILHOSO
Ingressos: R$ 40,00 inteira / R$ 20,00 meia
Classificação: Livre
Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas
Rua da Bahia 2244 – Lourdes
Vendas: Sympla (https://bileto.sympla.com.br/event/119704).) e bilheteria do teatro (031) 3516.1360
Criação, Produção e Comunicação: Alves Madeira Comunicação e Produção
Realização: Centro Cultural Unimed-BH MINAS



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